Banco de areia faz barco virar no rio Reis Magos

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Pescadores após a retirada do barco das águas do rio: prejuízo de R$8 mil. Foto: Fábio Barcelos

 

Pescadores após a retirada do barco das águas do rio: prejuízo de R$8 mil. Foto: Fábio Barcelos

Por Bruno Lyra

Quatro horas da madrugada da última quinta – feira (19). O pescador Romílson da Silva, 59 anos – 39 de profissão –  e seu colega Wanderley Soares, 48 anos, navegavam pela foz do rio Reis Magos em direção ao mar aberto para mais um dia de trabalho.

A maré estava vazando, mas o nível da água ainda era suficiente para atravessaro local repleto de bancos de areia. Ou pelo menos parecia. De repente, uma pancada. Quase instantaneamente, o barco começa a virar. Por puro instinto de sobrevivência,  os dois homens pulam na água em meio a escuridão.

Era um banco de areia. Estão ali porque uma antiga reivindicação dos pescasores, o dessassoreamento do Reis Magos, nunca foi à frente. Os dois pescadores se agarraram às caixas de isopor usadas para armanezar os peixes e foram arrastados pela correnteza mar adentro. Foram salvos por um colega que estava no outro barco, e que ouviu o som dos gritos, batidas nas caixas de isopor e da água que os dois homens jogavam para cima na tentativa desesperada de serem percebidos.  

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Dono do barco, que teve a popa bastante danificada e foi retirado do rio ainda ontem (19), Romílson disse que esse não é o primeiro acidente no local. “Vários já aconteceram. Graças a Deus nos salvamos, mas tive graves danos no barco, perdi equipamentos de pesca, celulares. Calculo o prejuízo em R$ 8 mil. Não tenho esse diinheiro e hoje sustento seis pessoas na minha família, pois alguns estão desempregados”, lamenta o veterano pescador.

É antigo o problema do assoreamento da foz do rio Reis Magos, que divide os municípios de Serra e Fundão.  Por ter mais recursos, a Serra já teve a iniciativa de tentar resolver o problema. Foi na última gestão de Sérgio Vidigal (2009 – 2012), quando uma draga operou no local. Mas não teve sucesso, a obra parou sem concluir o serviço.

A reportagem questionou a Prefeitura se pretende retomar a dragagem. No início da noite da última quinta – feira (19) a assessoria de imprensa da Prefeitura informou disse que a obra não avançou porque o  Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) não liberou o projeto para dragagem e regulação da estrada que margeia o rio Reis Magos.

 Disse ainda que o recurso necessário para as intervenções não foi disponibilizado pelo Programa Nacional de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur). 

 

 

 

Foto de Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli é repórter e chefe de redação do Jornal Tempo Novo, com 25 anos de atuação na equipe. Ao longo de sua trajetória, já contribuiu com diversas editorias do portal e hoje se destaca também à frente da coluna Divirta-se.

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