Balneários podem ficar sem água no verão, diz Cesan

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Balneários podem ficar sem água no verão, diz Cesan
Banhistas na praia de Bicanga, Serra: consumo de água no verão aumenta em até 50%. Foto: Gabriel Almeida

Pode faltar água nas torneiras dos serranos e demais capixabas neste verão, principalmente os do litoral. O alerta foi feito ontem (21) pelo presidente da Cesan, Pablo Andreão, em coletiva à imprensa para anunciar o plano da empresa para o abastecimento do estado na estação mais quente do ano, sobretudo nos balneários que recebem muita gente nesta época.

Andreão atribui o risco à severa seca que castiga o estado há quase dois anos. Ele prevê que durante o verão a demanda na Grande Vitória e no interior aumentará de 20% a 50%.

O presidente disse que este ano a empresa investiu R$ 60 milhões no reforço ao abastecimento. Na Serra foi concluída a 1ª etapa das obras de Jacaraípe e Nova Almeida, no valor de R$ 25,3 milhões. Foram implantados 18,5 km de adutoras de água tratada, que foram interligadas com redes existentes. As adutoras ligam a Estação de Tratamento de Água (ETA) de Carapina a Jacaraípe e a Costa Bela.

Foram construídos também um reservatório com capacidade para 2,6 milhões de litros de água e uma elevatória (bomba), em Nova Almeida. Essa elevatória permite o abastecimento do reservatório de Praia Grande, localizada em Fundão.

O presidente também destacou reforço no abastecimento de Guarapari, cidade que mais recebe turistas no ES e que enfrenta há anos problema crônico de falta d’água nesta época. Ainda no litoral sul, reforçou o serviço em Anchieta e Piuma.

No litoral norte, a estatal diz ter incrementado o sistema de fornecimento de água tratada em Conceição da Barra e na Vila de Itaúnas. Apesar disso, Andreão frisou admitiu que “casos pontuais de desabastecimento podem ocorrer nos balneários devido, geralmente, à superlotação dos imóveis em época de verão. A caixa d’água deve ser adequada para o número de pessoas do imóvel”, alerta.

Rio que abastece a Serra com nível crítico

Durante quase todo ano o rio Santa Maria ficou desse jeito no ponto de captação na zona rural da Serra. Foto: Bruno Lyra 26/02/15
Durante quase todo ano o rio Santa Maria ficou desse jeito no ponto de captação na zona rural da Serra. Foto: Bruno Lyra 26/02/15

A vazão dos rios Jucu e Santa Maria, que atendem a parte mais populosa da Grande Vitória, está ruim. Segundo a Agência Estadual de Recursos

Hídricos (Agerh), nesta segunda (21) a vazão do Jucu era de pouco mais de 11,7 mil litros por segundo. A média histórica do rio em dezembro é de 38 mil litros.

O Santa Maria, que abastece a Serra, zona norte de Vitória, parte de Cariacica e Praia Grande em Fundão, está pior: vazão de 3,7 mil litros por segundo, limite abaixo do nível crítico de 3,8 mil litros. A média história do manancial para esta época é de 22 mil litros por segundo.

A situação no Santa Maria só não é mais grave porque, desde fevereiro, a represa da hidrelétrica de Rio Bonito em Santa Maria de Jetibá está armazenando e liberando água conforme a demanda da Grande Vitória.

De acordo com o diretor presidente da Agerh, Paulo Paim, isso garante o abastecimento dos municípios atendidos pelo rio até abril. A represa tem capacidade para armazenar 26,3 bilhões de litros.

“Não há notícias de que teremos um verão tranquilo em relação a chuvas. Por isso foram prorrogadas, por 30 dias, as resoluções da Agerh que restringem a irrigação aos períodos noturnos”, explica. Essas medidas também reduzem o fornecimento de água à ArcelorMittal Tubarão e Vale, duas  maiores consumidoras individuais do rio Santa Maria.

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