“Balde de água fria”: anúncio de fábrica de carros no ES gera frustração no RS

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GWM e o governo capixaba, por meio do vice-governador Ricardo Ferraço, assinaram um Termo de Compromisso. Crédito: divulgação.

A vitória do Espírito Santo na corrida para receber a segunda fábrica da gigante Great Wall Motors (GWM) no Brasil repercutiu negativamente no Rio Grande do Sul. Havia expectativa de que o estado gaúcho fosse escolhido para abrigar o empreendimento, que, segundo a imprensa de lá, está estimado em R$ 1,1 bilhão e tem potencial para gerar até 10 mil empregos.

O jornal GZH, ligado ao Grupo RBS, um dos maiores grupos de comunicação do Rio Grande do Sul, tratou o assunto como “um balde de água fria” para o estado. A colunista Giane Guerra, que assina o conteúdo, afirma que o governo gaúcho negociava há meses com a montadora e que executivos da GWM chegaram a visitar o estado mais de uma vez para estudar a implantação da fábrica.

Localizada no litoral sul do Rio Grande do Sul, a cidade de Rio Grande era apontada como a principal candidata, por reunir condições estratégicas, entre elas a presença de um dos principais portos do país. Outro veículo tradicional do estado, o Jornal do Comércio (JC), destacou a expectativa pela instalação da fábrica e mencionou, inclusive, uma missão gaúcha à China em 2024, que contou com a presença do próprio governador Eduardo Leite, que visitou a cúpula da GWM.

o jornal A Hora do Sul revelou que havia, inclusive, um local previamente definido para a instalação da fábrica: uma área de 230 hectares, no Distrito Industrial rio-grandino. Em entrevista à Rádio Pelotense, a prefeita Darlene Pereira afirmou que representantes da empresa solicitaram informações sobre a cidade.

O jornal O Bairrista, tradicional no estado, publicou que o Rio Grande do Sul era tratado como o local com maior potencial para receber o investimento, estimado em US$ 1,1 bilhão, com previsão de geração de cerca de 10 mil empregos. Segundo o veículo, “a chegada da fábrica representaria uma mudança significativa para a economia local, especialmente em uma região que ainda enfrenta os efeitos da crise do polo naval”.

O jornal O Litorâneo, com foco na região dos municípios de Rio Grande, Pelotas e Praia do Cassino, área que seria diretamente beneficiada caso a Great Wall Motors (GWM) optasse pelo Rio Grande do Sul, classificou a notícia como “desanimadora” e apontou a falta de infraestrutura de gás no polo naval como um dos principais entraves.

Trabalho de articulação e estratégia do ES

Essa repercussão evidencia, sobretudo, a importância atribuída por outros estados a um investimento considerado estratégico. A confirmação de que a GWM optou pelo Espírito Santo foi divulgada na última quarta-feira (14), quando a empresa e o governo capixaba, por meio do vice-governador Ricardo Ferraço, assinaram um Termo de Compromisso na cidade de Baoding, na China. O acordo garante que a fábrica ficará sediada no Espírito Santo, no âmbito do projeto ParkLog, centralizado no município de Aracruz, com sinergia direta com a Serra.

Além do Espírito Santo e do Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina também disputavam o empreendimento, o que reforça o trabalho de articulação estratégica realizado pelo governo capixaba. Tanto Ferraço quanto o governador Renato Casagrande vinham estreitando a relação com a GWM há cerca de dois anos, em ações voltadas a apresentar as potencialidades do estado à montadora chinesa.

Historicamente reconhecido como produtor de matérias-primas, como minério de ferro e celulose, o Espírito Santo tem agora a oportunidade de dar um salto estratégico ao atrair uma indústria de alta tecnologia. O empreendimento envolve uma cadeia de novos negócios associada a uma das maiores montadoras de veículos do mundo, referência global no processo de eletrificação do setor automotivo.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é diretor de jornalismo do Jornal Tempo Novo e colunista do portal. À frente da coluna Mestre Álvaro, aborda temas relevantes para quem vive na Serra, com análises aprofundadas sobre política, economia e outros assuntos que impactam diretamente a vida da população local. Seu trabalho se destaca pela leitura crítica dos fatos e pelo uso de dados para embasar reflexões sobre o município e o Espírito Santo.

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