Costuma-se falar sobre autoestima como algo que aumenta ou diminui de acordo com acontecimentos específicos da vida: o término de um relacionamento, uma demissão inesperada, um comentário negativo ou até mesmo questões ligadas à aparência física. No entanto, reduzir a autoestima apenas a esses episódios é simplificar demais algo que, na verdade, é muito mais amplo.
A autoestima está profundamente ligada à forma como cada pessoa vive o seu cotidiano e se posiciona diante da própria vida. Ela se constrói nas pequenas escolhas diárias, nas atitudes de cuidado consigo mesmo e na capacidade de reconhecer aquilo que faz bem — e também aquilo que não faz.
Aprender a estabelecer limites, por exemplo, é uma importante forma de autocuidado. Saber dizer “não” quando algo ultrapassa o que é saudável ou possível também faz parte da construção de uma autoestima mais sólida. Muitas vezes, a autoestima não se manifesta em grandes gestos, mas em decisões simples que demonstram respeito por si mesmo.
Outro aspecto importante é a capacidade de viver no campo do real. Quando a vida é conduzida apenas pela fantasia ou por expectativas idealizadas, torna-se mais difícil reconhecer os próprios limites, responsabilidades e possibilidades. Ao desenvolver maior consciência sobre si, sobre a própria história e sobre as circunstâncias da vida, torna-se possível construir uma relação mais madura consigo mesmo.
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Nesse sentido, a autoestima não é apenas um sentimento passageiro ou uma reação aos acontecimentos externos. Ela é um processo contínuo de reconhecimento pessoal, responsabilidade pela própria vida e cuidado com aquilo que sustenta o bem-estar emocional.
Cultivar a autoestima, portanto, significa aprender a olhar para si com mais consciência, respeito e autenticidade — algo que se constrói diariamente, nas escolhas mais simples da vida.
Por Helen Cristina Oliveira Santos – Psicóloga Analítica e estudante de neuropsicologia.