Ativista questiona dados de Vale e Arcelor sobre poluição

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Vale e ArcelorMittal são as gigantes do Complexo de Tubarão, localizado entre os municípios de Serra e Vitória. Foto: Arquivo TN
As oito usinas de pelotização da Vale mais a exportação de minério de ferro por Tubarão estão entre as principais fontes de pó preto e outros poluentes na Grande Vitória. Foto: Arquivo TN

Vale e a Arcelor Mittal Tubarão anunciaram recentemente que irão investir para reduzir o pó preto que lançam no ar da Grande Vitória. Mas os números divulgados pelas empresas sobre a quantidade de poluentes que jogam na atmosfera é alvo de questionamento do ativista Eraylton Moreschi da Ong Juntos SOS ES Ambiental, entidade que se notabilizou nos últimos anos por brigar por melhorias na qualidade do ar na região metropolitana.

Da Arcelor, Eraylton questiona o valor da quantidade de enxofre lançado. Dados da siderúrgica apontam que ela emite 1,12kg de dióxido de enxofre por tonelada de aço produzido.  “Isso é cerca de 60% menos do que aponta o relatório da própria empresa sobre a emissão de enxofre em 2015. E até onde eu sei, não houve de lá pra cá investimentos nos sistemas de filtragem de enxofre que justificassem essa redução”, avalia.  A Arcelor produz 7,2 milhões de toneladas de placas de aço por ano.

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Sobre a poluição da Vale, a indagação do ativista é referente ao pó preto. No início de agosto a Vale afirmou que lança 2,7 mil toneladas por ano de pó preto. “Mas o Inventário de Fontes Poluidoras da Grande Vitória feito pelo Iema (Instituto Estadual de Meio Ambiente) referente aos anos de 2010/2011, diz que a Vale lançava 5,5 mil toneladas de particulados (pó preto) por ano. Quem certificou esse valor informado pela Vale que corresponde somente a 49% do que consta no Inventário do Iema?”, questiona.  

Em nota divulgada pela sua assessoria de imprensa, a Arcelor Mittal Tubarão informou que o relatório de 2015, que baseia os questionamentos do ativista sobre enxofre, eram estimados. A empresa disse que posteriormente foram produzidos “dados concretos” que atestam a redução para 1,12 kg por tonelada em 2018. E acrescentou que isto foi possível por conta de melhorias nos sistemas de tratamento de gases.

Foto de Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli é repórter e chefe de redação do Jornal Tempo Novo, com 25 anos de atuação na equipe. Ao longo de sua trajetória, já contribuiu com diversas editorias do portal e hoje se destaca também à frente da coluna Divirta-se.

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