Atenção conteúdo sensível | Adolescente da Serra liderava rede de sadismo

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A Operação Desconectada resultou na apreensão de um adolescente de 16 anos, apontado como uma das principais lideranças globais do grupo "Panela 466". Crédito: Divulgação

Uma investigação iniciada pela Polícia Federal e concluída pela Polícia Civil do Espírito Santo trouxe à luz um submundo de sadismo e degradação humana operado através de redes sociais. A Operação Desconectada resultou na apreensão de um adolescente de 16 anos, apontado como uma das principais lideranças globais do grupo “Panela 466”, uma comunidade no Discord dedicada à tortura, mutilação e morte.

O Arquiteto do Horror: “O Orador”

De acordo com apuração do TN, o jovem, que vivia uma vida aparentemente comum com a mãe e dois irmãos no Espírito Santo, era, no ambiente digital, um “orador” influente. Ele confessou às autoridades que atua nesse submundo desde os 12 anos de idade, alegando ter feito centenas de vítimas, em sua vasta maioria meninas menores de idade.

Segundo o interrogatório, o adolescente demonstrava extrema frieza e usava a própria idade como escudo jurídico, referindo-se à menoridade como um “vale-crime”.

O Modus Operandi: Do Aliciamento à Tortura ao Vivo

O grupo não era apenas um fórum de discussão, mas um palco para exibições de crueldade em tempo real. O “Panela 466” funcionava com hierarquias rígidas e “horas marcadas” para os eventos, que chegavam a atrair mais de 1.000 espectadores simultâneos.

As principais práticas incluíam:

  • Automutilação Comandada: O adolescente dava ordens para que vítimas se cortassem com facas, estiletes e cacos de vidro. Após os cortes, as vítimas eram obrigadas a escrever o nome do agressor ou o número “466” nas paredes e no próprio corpo com sangue.
  • Maus-tratos e Execução de Animais: Lives exibiam o sofrimento de cães e gatos, que eram mutilados e mortos com tesouras e facas sob narração do investigado.
  • Chantagem e Extorsão: O grupo buscava vítimas vulneráveis — frequentemente jovens neurodivergentes ou com problemas psiquiátricos. Após obter fotos íntimas (nudes), os criminosos passavam a ameaçar a família da vítima para obrigá-la a participar dos ritos de dor.
  • Ideologia e Ódio: Além da violência física, o grupo disseminava pornografia infantil e apologia ao nazismo.

O “Vale-Crime” e a Rede Transnacional

A investigação aponta que o grupo tem ramificações internacionais e que o FBI já monitorava células correlatas. O adolescente capixaba ascendeu na hierarquia conforme membros mais velhos se “aposentavam” ao atingir a maioridade para evitar penas de prisão, ou após serem presos em operações anteriores.

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“Ele falava abertamente, com muito sangue frio. Pessoas do mundo inteiro pintavam o nome dele com sangue nas paredes”, relatou um dos delegados responsáveis pelo caso.

O Alerta às Famílias: “A Internet não é um Quarto Seguro”

Um dos pontos mais alarmantes do caso é a cegueira doméstica. O adolescente “trocava o dia pela noite”, operando o teatro de horrores do terceiro andar da casa enquanto a mãe, descrita como uma mulher simples e atarefada, acreditava que ele apenas via “pornografia de adolescente”.

Recomendações das Autoridades:

1. Privacidade não é salvo-conduto: Pais devem monitorar o que os filhos acessam. A privacidade do menor não sobrepõe o dever de proteção dos pais.

2. Mudança de Comportamento: O isolamento extremo e a inversão do ciclo do sono (dormir de dia e ficar online à noite) são sinais de alerta críticos.

3. Denúncia Imediata: Ao identificar convites para grupos fechados em plataformas como Discord ou Telegram, os pais devem coletar o material e procurar a polícia.

Desdobramentos Jurídicos

O indivíduo foi encaminhado ao CIAS (Centro Integrado de Atendimento Socioeducativo) e responderá por atos infracionais análogos aos crimes de:

  • Organização criminosa;
  • Maus-tratos a animais com resultado morte;
  • Distribuição e armazenamento de material de abuso sexual infantil;
  • Tortura e induzimento à automutilação.

A polícia agora foca na análise dos materiais apreendidos (celulares e computadores) para identificar outras lideranças espalhadas pelo Brasil, em estados como Ceará, Mato Grosso e São Paulo.

Foto de Mari Nascimento

Mari Nascimento

Mari Nascimento é repórter do Tempo Novo há 24 anos. Atualmente, a jornalista escreve para diversas editorias do portal, principalmente para a de Política.

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