Às vésperas do Carnaval, mancha de óleo que gruda na pele toma praia da Serra

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No entorno, a água apresenta coloração esverdeada com fragmentos escuros em suspensão, sugerindo que o material não se restringe a um ponto isolado, mas se espalha pela área costeira. Crédito: Anderson Muniz.

Uma mancha escura, densa e com aspecto oleoso foi registrada no mar da Praia de Carapebus, na Serra, acendendo o alerta para um possível dano ambiental em uma das praias mais bonitas e, ao mesmo tempo, historicamente mais impactadas do litoral capixaba. O registro é da manhã dessa terça-feira (10) a menos de uma semana do Carnaval, período em que o fluxo de turistas aumenta significativamente na região.

O flagrante foi feito pelo líder comunitário da região, Anderson Muniz, nas proximidades do Ponto 25, próximo aos coqueiros, ao quiosque Pé na Areia e à Lagoa do Baú. Em vídeo, o autor do registro mostra uma pluma escura que se espalha pela água, deixando resíduos que aderem à pele ao simples contato.

“Olha só o que a gente está encontrando aqui: uma pluma densa preta, que pode ser atividade industrial. Isso fica impregnado no corpo da gente”, relata no vídeo, enquanto exibe manchas escuras aderidas ao braço e à mão.

Aspecto visual reforça suspeita de material oleoso

A imagem anexada ao registro reforça a gravidade da situação. É possível observar resíduos escuros, com textura viscosa, que se aderem facilmente à pele, formando manchas que não se dispersam imediatamente na água, comportamento típico de substâncias oleosas ou de origem industrial.

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No entorno, a água apresenta coloração esverdeada com fragmentos escuros em suspensão, sugerindo que o material não se restringe a um ponto isolado, mas se espalha pela área costeira.

Região já teve episódios semelhantes

O caso traz à memória episódios anteriores registrados em Carapebus, quando manchas com características semelhantes foram alvo de apuração por órgãos ambientais e pelo Ministério Público do Espírito Santo. À época, investigações levantaram a possibilidade de relação com atividades industriais do entorno.

A praia está situada nas proximidades do Complexo de Tubarão, área que concentra grandes operações portuárias e industriais, historicamente associadas a impactos ambientais no litoral da Região Metropolitana.

Órgãos ambientais acionados

Diante do ocorrido, foram acionados a Secretaria Municipal de Meio Ambiente da Serra e o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA), que devem realizar vistoria técnica, coleta de amostras e análise laboratorial para identificar a origem e a composição do material.

Caso confirmada a presença de substância poluente de origem industrial, o episódio pode ser enquadrado como crime ambiental, conforme a legislação vigente.

Risco ambiental e turístico

Além dos possíveis danos à fauna e à flora marinha, a situação gera preocupação quanto à segurança de banhistas e ao impacto direto no turismo. Carapebus costuma receber grande número de visitantes durante o verão e, especialmente, no Carnaval.

Segundo apurou o Tempo Novo, fiscais do Meio Ambiente já estão a caminho do local e mais informações devem surgir em instantes. Até que haja a confirmação sobre o tipo de material envolvido, é preciso atenção a possíveis efeitos, como irritações na pele, reações alérgicas e outros problemas de saúde, além do risco de comprometimento de ecossistemas sensíveis, como áreas próximas a lagoas e desembocaduras de água doce.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é diretor de jornalismo do Jornal Tempo Novo e colunista do portal. À frente da coluna Mestre Álvaro, aborda temas relevantes para quem vive na Serra, com análises aprofundadas sobre política, economia e outros assuntos que impactam diretamente a vida da população local. Seu trabalho se destaca pela leitura crítica dos fatos e pelo uso de dados para embasar reflexões sobre o município e o Espírito Santo.

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