Antes líder da oposição na Câmara, Caldeira vive prévia de isolamento

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Antes líder da oposição na Câmara, Caldeira vive prévia de isolamento
Rodrigo Caldeira é presidente da Câmara da Serra. Foto: Gabriel Almeida

Em abril a política da Serra vivia o ápice de uma disputa entre o presidente da Câmara, Rodrigo Caldeira (Rede) e o prefeito Audifax Barcelos (Rede). Hoje a realidade é outra. Discursos amenos, votações rápidas e uma oposição reduzida. Até mesmo as reuniões na sala da Presidência, onde eram articulados os movimentos oposicionistas, deixaram de acontecer. Com o equilíbrio das forças internas da Câmara, a avaliação de parlamentares ouvidos pela reportagem é de que Caldeira ficou isolado e perdeu protagonismo.

Publicamente, vereadores evitam tratar do assunto, mas nos bastidores os comentários são de que o clima é de insatisfação com Caldeira e isso estaria afastando os membros do grupo remanescente que ajudou a se eleger presidente da Casa. A insatisfação se daria em função de três elementos: 1 – aproximação de Caldeira com o prefeito, “sem os devidos créditos aos demais membros do grupo”; 2 – insatisfação de vereadores classificados como ‘oposição orgânica’ (cerca de 8 parlamentares); 3 – falta de confiança e de espaço no grupo da base de Audifax.

Os sinais de isolamento já começam a surgir até mesmo nos encontros na sala do presidente, que são comuns nos legislativos e também funcionam como um momento de aproximação entre os vereadores.
Na Serra, apenas aliados do presidente participavam do encontro, como: Pastor Ailton (PSC); Basílio da Saúde (sem partido); Aecio Leite (PT), Adriano Galinhao (PTC); Adilson de Novo Porto Canoa (PSL); Cleusa Paixão (PMN); Fabão da Habitação (PSD); Geraldinho PC (PDT); Quelcia (PSC); Gilmar Raposão (PSDB); Roberto Catirica (PHS), Stefano Andrade (PHS) e Wellington Alemão (DEM). Nacib Haddad (PDT) e Geraldinho Feu Rosa (sem partido) também participavam, antes de serem afastados.
No entanto as reuniões com o presidente não mais acontecem há aproximadamente 30 dias. Vereadores contemporizam, mas confirmam perda de protagonismo do presidente.

“Vejo que os vereadores estão com o tempo mais curto, em função do ano eleitoral que se aproxima. Estão mais próximos de suas bases. Mas avalio que deveriam se reunir mais para discutir os problemas da cidade”, disse Pastor Ailton.
“Na verdade, os vereadores estão ficando mais perto dos redutos agora. Estamos chegando no mesmo horário e, pelo menos eu, não deixo de ir à sala do presidente; costurou bem uma aproximação com o prefeito e tudo está tramitando normal. Continuamos com o presidente”, pontuou Basilio da Saúde.

“Realmente o grupo está mais disperso, mais tranquilo; menos tenso. O responsável para buscar esse diálogo é, sem dúvida, o presidente; a caneta maior é a do presidente; mas estou ai para contribuir porque sou do diálogo, quando se trata dos projetos dos vereadores. minha relação com os vereadores é muito boa e acredito que a do presidente também. Mas não acho que é por falta de diálogo, mas por esfriamento das situações, e cada um tem que olhar o seu lado, inclusive o presidente. Não vejo sinais, mas pode ser sinal de um pouco mais de liberdade”, disse Catirica.
Já o presidente Rodrigo Caldeira foi procurado, mas não retornou aos contatos da reportagem.

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Maria Nascimento é repórter do Tempo Novo há mais de 15 anos. Atualmente, a jornalista escreve para diversas editorias do portal, principalmente para a de Política.