“A Cor da Liberdade é Preta”: Tradição Serrana leva à avenida enredo sobre a luta do povo negro

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Tradição Serrana luta negro
Uma das escolas da Série Ouro que desfila no dia 13 de Carnaval é a Tradição Serrana, do bairro Feu Rosa, na Serra. Crédito: Divulgação

O Carnaval está se aproximando e os preparativos das escolas de samba capixabas seguem em ritmo acelerado. Em 2026, os desfiles do Carnaval oficial de Vitória serão realizados em dois fins de semana, no Sambão do Povo. O Grupo Especial entra na avenida nos dias 6 e 7 de fevereiro, enquanto as escolas da Série Ouro desfilam no fim de semana seguinte, nos dias 13 e 14 de fevereiro.

Uma das escolas da Série Ouro que desfila na sexta-feira (13) de Carnaval é a Tradição Serrana, do bairro Feu Rosa, na Serra. Como parte da preparação, a agremiação realiza ensaio técnico nesta sexta-feira (30), no Sambão do Povo, em Vitória.

Para o desfile, a escola levará à avenida o enredo “Tradição Serrana 2026 – Chico, esse grito é um chamado!”, que tem como tema “A Cor da Liberdade é Preta”. A composição do samba-enredo é assinada por Alex do Cavaco, Roberth Melodia, Rafael Mikaia e Jotape Chico.

O enredo resgata a história de Chico Prego, mártir da Insurreição do Queimado, enforcado em praça pública no dia 11 de janeiro de 1850. A narrativa propõe uma reflexão sobre resistência, ancestralidade, identidade e a luta do povo negro, especialmente nas periferias.

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Segundo o presidente da Tradição Serrana, João Victor, o enredo transforma o silenciamento histórico em um grito coletivo.

“O enredo ‘Tradição Serrana 2026 – Chico, esse grito é um chamado!’ homenageia a luta, a resistência e o legado de Chico, símbolo da força do povo negro e periférico da Serra. A narrativa destaca a memória de sua morte, ocorrida em 11 de janeiro, transformando o silenciamento em um grito coletivo de revolução, coragem e identidade. O tema percorre becos, vielas e favelas para retratar a juventude marginalizada, os sonhos interrompidos e a resistência cultural que se manifesta na poesia urbana, no orgulho negro e na herança quilombola. Com referências à ancestralidade, à espiritualidade e à luta contra a opressão, o enredo afirma que o legado de Chico permanece vivo, ecoando como tradição, voz ativa e símbolo de pertencimento do povo serrano”, afirmou ao Tempo Novo.

A Tradição Serrana terá como intérprete oficial o sambista Michel Felipe, Mestre Brinquedo no comando da bateria e Neilane Neves como rainha de bateria. O casal de mestre-sala e porta-bandeira será formado por Leo Chocollat e Joyce Santos. Os carnavalescos são Marcela de Almeida e Robson Lima, com coreografia assinada por Patrick Hernandez.

Na avenida, a escola apresentará uma alegoria, um tripé e 17 alas, reunindo cerca de 500 componentes. De acordo com a agremiação, todas as fantasias já foram vendidas.

Fundada em 1º de outubro de 2000, a Tradição Serrana completa 24 anos de história. As cores oficiais da escola são azul e branco, e o mascote é o beija-flor.

Foto de Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli é repórter e chefe de redação do Jornal Tempo Novo, com 25 anos de atuação na equipe. Ao longo de sua trajetória, já contribuiu com diversas editorias do portal e hoje se destaca também à frente da coluna Divirta-se.

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