# Vereadores da Serra são alvo de inquérito policial por intolerância religiosa

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- Published: 2025-06-12T15:11:04-03:00
- Author: Mari Nascimento

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Vereadores CEA e Pastor Dinho terão que prestar esclarecimentos à Polícia Civil 
sobre acusações de intolerância religiosa. Crédito: Divulgação.

As acusações de intolerância religiosa supostamente praticadas por dois vereadores
da Câmara da Serra contra uma servidora da Casa ganharam um novo capítulo nesta 
semana, com a movimentação do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), por meio
da 3ª Promotoria de Justiça Criminal da Serra.

O MP acolheu uma representação do Conselho Municipal de Promoção de Políticas de
Igualdade Racial (COMPPIR), que solicitou a instauração de inquérito policial diante
da conduta dos vereadores Antonio Carlos e Evandro de Souza Ferreira, conhecidos
como CEA e Pastor Dinho, respectivamente. Segundo a denúncia, assinado pelo presidente
da COMPPIR, Ivo Lopes, ambos teriam feito declarações consideradas desrespeitosas
à diversidade étnico-racial e religiosa, supostamente incitando práticas de intolerância
e promovendo a exclusão de grupos historicamente vulneráveis, como a população negra
e pessoas em situação de rua.

O caso teve início em maio, quando os ânimos se exaltaram durante uma discussão 
sobre a proposta de atualização do nome da Comissão de Direitos Humanos da Casa 
para incluir o termo “Povos Tradicionais”. CEA declarou que a proposta era “irrelevante”,
o que causou forte reação de representantes de religiões de matriz africana, que
já haviam tido desentendimentos anteriores com o parlamentar. Entre as pessoas que
se sentiram ofendidas estava a servidora da Câmara Saionara Paixão, que já havia
tido embates com o vereador.

Na sessão seguinte, também em maio, ocorreu um novo confronto no plenário entre 
Saionara e CEA, após o vereador Pastor Dinho fazer críticas aos grupos religiosos
de matriz africana e defender CEA. Durante a discussão, CEA se dirigiu até a cabine
onde Saionara estava, e a situação resultou em bate-boca. A servidora deixou o local
aos prantos e seguiu para a delegacia, sendo acompanhada depois por CEA, em mais
um episódio de conflito.

Com base no relato da servidora e nos fatos apresentados, o Ministério Público requisitou
à Polícia Civil a instauração de inquérito policial, com prazo de 60 dias para conclusão.
O MP também determinou diligências como a oitiva dos dois vereadores, do presidente
do COMPPIR, Ivo Lopes, e a requisição da gravação integral da sessão plenária do
dia 12 de junho, quando os fatos teriam ocorrido.

O Ministério Público acompanhará de perto as investigações. Ao final do inquérito,
o órgão poderá requerer o arquivamento, caso entenda que não houve crime, ou oferecer
denúncia à Justiça, se identificar indícios suficientes.

Em uma hipótese limite de condenação por racismo religioso — como intolerância a
religiões de matriz africana —, os envolvidos poderão ser enquadrados na Lei nº 
7.716/1989, alterada pela Lei nº 14.532/2023, que equipara a injúria racial ao crime
de racismo. As penas vão de multa à reclusão e podem incluir perda do cargo público,
dependendo da gravidade e do entendimento da Justiça. O despacho foi assinado pela
promotora Mônica Bermudes Medina Pretti.

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