# Vereador é afastado por Rachid, mas continua recebendo salário de R$ 9 mil

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- Published: 2019-06-25T14:32:21-03:00
- Author: Gabriel Almeida

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Geraldinho Feu Rosa foi afastado pela Justiça. Foto: Divulgação

A Juíza de Direito da Serra, Telmelita Guimarães, afastou o vereador, Geraldinho
Feu Rosa (sem partido). A decisão que foi publicada ontem (24) é proveniente de 
uma ação da qual o Ministério Público acusa o parlamentar de exigir 10% dos salários
de seus assessores, prática que é conhecida como Rachid. Apesar do afastamento, 
Geraldinho vai continuar recebendo seu salário que é cerca de R$ 9 mil por mês.

Em fevereiro, um[ vídeo onde Geraldinho](https://www.portaltemponovo.com.br/em-video-vereador-e-flagrado-negociando-suposto-rachid-e-orientando-caixa-2-e-compra-de-votos/)
supostamente negociava repasses de parte dos vencimentos de seus assessores circulou
no município. O caso foi levado para a 13ª Promotoria Cível da Serra, sob tutela
da promotora Maria Clara Mendonça Perim, que apurou o fato e pediu o afastamento
do vereador.

Segundo o Ministério Público, Geraldinho “fez exigências ilegais aos seus assessores,
obrigando-os a repassar, ao vereador, parcela do salário que recebiam na Câmara,
sob pena de serem exonerados dos cargos comissionados caso não fizesse”. Segundo
o órgão apurou, o montante recolhido ilegalmente pelo vereador seria destinado a
uma espécie “de caixa para a campanha de 2020”.

O Ministério Público argumenta que a permanência do vereador no cargo pode atrapalhar
as investigações “em função de sua hierarquia do referido cargo e da subordinação
de seus assessores”.

Em sua defesa no processo, Geraldinho disse que a contribuição era voluntária e 
foi firmada antes mesmo das eleições de 2016 e a finalidade era para promover “apoio
financeiro e pagamentos de despesa de confraternização em favor dos membros do gabinete”.
Essas alegações foram desmentidas pelos ex-assessores dentro do processo.

A Juíza acatou os argumentos do Ministério Público e sentenciou pelo afastamento
cautelar do vereador por 180 dias ou até a finalização do processo. Ela entendeu
que esse caso é um “quadro sistematizado e institucionalizado” de Rachid.

A Juíza ainda alerta que as provas revelam que este tipo de exigência se “estendia
também aos funcionários que o requerido (no caso Geraldinho Feu Rosa) indicava para
as empresas terceirizadas da Câmara” e que de fato os valores arrecadados era para
financiamento de campanha eleitoral em 2020.

O suplente de Geraldinho é o líder comunitário de Taquara, Fábio Latino (PSB). Ele
é ligado ao deputado licenciado Bruno Lamas (PSB). Recentemente Geraldinho foi expulso
do PSB sob alegação de infidelidade partidária e também enfrenta um inquérito civil
do qual é acusado de nepotismo.

Este não é um caso isolado na Câmara, que é marcada por guerras políticas e decisões
judiciais. Além de Geraldinho, estão afastados o vereador Nacib Haddad (PDT) – acusado
pelo MP de fraude em licitação – e a ex-presidente da Câmara, vereadora Neidia Maura(
PSD), que é acusada de improbidade administrativa, ambos negam as acusações.
