# Vereador é afastado, continua com salário e enfraquece oposição

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- Published: 2019-06-28T09:57:35-03:00
- Author: Gabriel Almeida

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Geraldinho Feu Rosa foi afastado pela Justiça. Foto: Divulgação

Na última terça-feira (25), a Justiça afastou o vereador Geraldinho Feu Rosa (sem
partido). A decisão é oriunda de uma ação na qual o Ministério Público o acusa de
exigir 10% dos salários de seus assessores, prática conhecida como rachid. Entretanto,
Geraldinho vai continuar recebendo o salário de R$ 9 mil/mês. Politicamente, essa
decisão reflete no movimento oposicionista na Câmara, que vai se desidratando e 
deixando o presidente, Rodrigo Caldeira (Rede), enfraquecido.

Sem Geraldinho e Nacib Haddad (também afastado num processo em que o MP aponta envolvimento
em fraldes de licitações), a oposição se afasta da composição de 2/3 do plenário(
16 vereadores), número que no limite poderia até cassar o prefeito Audifax Barcelos(
Rede). Agora com 14 parlamentares e a pouco mais de um ano da eleição municipal,
comenta-se nos bastidores da Casa de Leis que muitos oposicionistas têm procurado
interlocução com o prefeito.

Um dos receios é que o grupo político de Audifax estimule candidaturas com visibilidade
nos redutos dos oposicionistas com objetivo de disputar o eleitorado. O **TEMPO 
NOVO **buscou falar com vários vereadores. Nenhum deles quis dar declarações públicas;
mas na condição de anonimato, o sinal de desmantelamento da articulação oposicionista
está posto e foi confirmado que há a tentativa de muitos vereadores em reconciliar
politicamente com o prefeito, o que pode deixar o líder da oposição e presidente
da Câmara, Rodrigo Caldeira, em situação de isolamento.

**Entenda o caso Geraldinho**

Em fevereiro, um vídeo do qual Geraldinho negociava repasses de parte dos vencimentos
de seus assessores circulou no município. O caso foi levado ao Ministério Público,
que pediu o afastamento do vereador.

Segundo o MP, Geraldinho fez exigências ilegais aos seus assessores, “obrigando-
os a repassar parcela do salário” sob pena de serem “exonerados dos cargos”. Segundo
o órgão, o montante recolhido ilegalmente seria destinado a uma espécie “de caixa
para a campanha de 2020”.

Em sua defesa, Geraldinho disse que a contribuição era voluntária e foi firmada 
antes mesmo das eleições de 2016 com finalidade de promover “apoio financeiro e 
pagamentos de despesas de confraternização em favor dos membros do gabinete”. Essas
alegações foram desmentidas pelos ex-assessores dentro do processo.

O suplente de Geraldinho é o líder comunitário de Taquara, Fábio Latino (PSB). Ele
é ligado ao deputado licenciado Bruno Lamas (PSB) e tem a simpatia da base aliada
de Audifax.
