# Vereador da Serra nega ter ofendido servidora umbandista e dá sua versão dos fatos

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- Published: 2025-05-13T13:49:18-03:00
- Author: Yuri Scardini

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Na frente da delegacia, CEA dá sua versão dos fatos. Crédito: divulgação.

Após a repercussão de uma [denúncia feita por uma servidora](https://www.portaltemponovo.com.br/vereador-da-serra-e-acusado-de-humilhar-servidora-e-vai-parar-na-delegacia/)
da Câmara da Serra, o vereador Antônio Carlos CEA (Republicanos) procurou o Jornal
Tempo Novo nesta terça-feira (13) para apresentar sua versão dos fatos. Ele é acusado
de ter humilhado a funcionária durante uma sessão legislativa, o que teria resultado
no registro de uma ocorrência policial na última segunda-feira (12) – informações
que ele nega.

Segundo o parlamentar, o desentendimento teve origem em um episódio ocorrido no 
início de março, quando, durante o uso da tribuna, ele teria afirmado — em um contexto
que ainda não está claro — que “toda a honra e glória sejam dadas ao Senhor”. De
acordo com CEA, a servidora Saionara Paixão, adepta de uma religião de matriz africana(
Umbanda), teria se sentido ofendida e procurado a Secretaria de Direitos Humanos
para registrar uma reclamação. Ainda segundo ele, o processo não teve andamento 
por não haver violação de direitos.

CEA afirma que, posteriormente, o caso ganhou nova proporção com o envolvimento 
do Conegro (Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial da Serra) e que uma
vereadora da Casa — referindo-se à Raphaela Moraes (PP) — estaria por trás do movimento,
com a intenção de prejudicá-lo politicamente.

Todo esse contexto foi agravado na semana passada, quando CEA questionou a atualização
da nomenclatura da Comissão de Direitos Humanos da Câmara da Serra, que incluiu 
o termo “Povos Tradicionais” — grupo no qual se incluem os religiosos de matriz 
africana — e substituiu a expressão “Negro” por “Igualdade Racial”. O vereador declarou
não saber o que significava “Povos Tradicionais” e classificou o tema [como “irrelevante”](https://www.portaltemponovo.com.br/vereador-da-serra-diz-que-comissao-que-trata-de-minorias-e-irrelevante-e-causa-constrangimento/),
o que gerou novas críticas por parte de lideranças dos movimentos negro e religioso
da cidade.

Segundo CEA, o episódio desta segunda-feira (12) foi o estopim da situação. Ele 
relata que apenas acompanhava e registrava em vídeo a fala do vereador Evandro de
Souza Ferreira, quando a servidora, que estava na cabine de transmissão dentro do
plenário, teria começado a chamá-lo de “mentiroso”. A partir daí, iniciou-se uma
confusão que culminou com CEA indo até a cabine, e a servidora deixando o local 
visivelmente abalada.

O vereador afirma que seu único intuito ao se dirigir até Saionara foi esclarecer
que o vídeo gravado não exibia imagens dela. “Fui até a cabine onde ela estava para
mostrar que o vídeo era do Pastor Dinho, e não dela”, disse CEA.

Ele também nega qualquer agressão física ou verbal e afirma que foi à delegacia 
por vontade própria para registrar um boletim de ocorrência. Segundo ele, o escrivão
teria informado que não houve crime. “Diferente do que foi divulgado, eu não fui
conduzido à delegacia. Fui por conta própria, no meu pleno direito como parlamentar”,
declarou.

CEA ainda rebateu a informação de que teria participado da sessão solene mencionada
na reportagem anterior, afirmando que não esteve presente e que as imagens da Câmara
comprovam sua ausência. “Estava na comunidade, trabalhando. Em nenhum momento gritei‘
Glória a Deus’, como foi publicado. Isso nunca aconteceu.”

Vale esclarecer que as primeiras informações que chegaram ao Tempo Novo indicavam
que ele teria provocado religiosos de matriz africana durante a sessão solene em
questão — o que ele nega. Por fim, o vereador criticou o tom do artigo publicado
por essa coluna que trouxe as informações à tona.
