# “Vamos trabalhar para ocupar 4.200 vagas da Arcelor com mão de obra capixaba”

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- Published: 2019-02-15T09:19:40-02:00
- Author: Gabriel Almeida

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Bruno Lamas diz que Estado vai retomar obras na Serra. Ele listou o Contorno do 
Mestre Álvaro, que pode começar em 45 dias. Foto: Reinaldo Carvalho

Entrevista com o Secretário Estadual de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento 
Social, Bruno Lamas (PSB). Animado com o novo desafio do qual ele classifica como“
missão”, Bruno chegou ao prédio da Setades às 8h30, cumprimentando a todos individualmente.
Esse será apenas seu oitavo dia de trabalho à frente da Secretaria, mas os planos
e projetos já parecem estar na mente há algum tempo, a julgar pelo entusiasmo com
o qual trata os temas.

Discípulo da Serra, nascido e criado em Jacaraípe, Bruno viu o município sair da
economia do abacaxi rumo ao aço, como ele mesmo gosta de citar. Agora, ele defende
um novo ciclo de desenvolvimento: “o caminho é criar independência econômica através
do fortalecimento dos setores de serviço e comércio”, diz ele.

Nesta entrevista, ele explica as razões que o levaram a deixar a Assembleia Legislativa
para assumir a pasta de Desenvolvimento Social num contexto de aumento da pobreza
e desemprego. Ele demonstra enxergar nessa nova fase da vida uma espécie de oportunidade
para “mudar a vida das pessoas” e, ao mesmo tempo, credenciar-se para disputar o
cargo de prefeito da Serra em 2020.

**O que o levou a abrir mão do mandato de deputado estadual para assumir a Setades?**

Eu reafirmo que a Serra agora tem um ‘deputado secretário’. E o convite do governador
para poder tratar a geração de emprego e o combate à pobreza me encantou. Poder 
ajudar ao próximo. Então, estou aqui cumprindo uma missão.

**Como gerar empregos diante da crise econômica e cujas ações dependem muito das
políticas nacionais?**

Quero transformar essa pasta na Secretaria do Trabalho. Aqui, nós temos a geração
de emprego e renda; nós temos o Sine. Alguns são municipalizados, como na Serra;
outros são de responsabilidade do Governo do Estado. Precisamos reestruturar esse
serviço; fazer com que ele funcione efetivamente na preparação e na seleção da mão
de obra, orientando e encaminhando. Então, é fundamental nós firmarmos parcerias
com o setor produtivo.

**Mas, objetivamente, como podem se dar essas parcerias?**

Nós temos, por exemplo, a ArcelorMittal na Serra, que vai fazer a dessalinização
da água do mar. São quase 300 oportunidades inicialmente. Nossa mão de obra está
preparada para atender a essa demanda? Temos que ficar atentos ao mercado e treinar,
formar e profissionalizar o cidadão de acordo com essas oportunidades. Essa mesma
siderúrgica vai fazer a ampliação de um alto forno. São mais 3.800 oportunidades
de trabalho. E essa mão de obra precisa ser da Serra, precisa ser capixaba. Porque,
senão, vem uma mão de obra flutuante. Então, vamos trabalhar para ocupar essas 4.200
vagas da Arcelor com mão de obra capixaba, por exemplo. É assim que vamos inserir
as pessoas no mercado de trabalho.

**Quantos desempregados o Espírito Santo tem atualmente?**

Quando falamos sobre pessoas que vivem na linha de pobreza, temos mais de 100 mil
famílias, algo próximo a 500 mil pessoas. Temos pessoas que vivem com renda de R
$ 80, R$ 90, R$ 100. Esse é o público a quem a gente precisa estender a mão. Na 
grande maioria das vezes, estão nessa condição por falta de oportunidade e de apoio
do poder público; por uma educação que às vezes não é inclusiva; por uma assistência
que não chega; pela qualificação que é algo utópico na vida dessas pessoas.

**O que esperar do Governo Casagrande, que mesmo com experiência de gestão, agora
enfrenta um contexto de crise econômica e incertezas políticas?**

O governador Renato Casagrande é uma liderança testada e mais madura. Teve liberdade
para montar a sua equipe, esse é o diferencial. No último governo dele, foram divididas
muitas alianças políticas, em que ele teve muita dificuldade de colocar o time para
jogar. Agora é diferente, valorizou o técnico e está liderando um processo de retomada
do crescimento do ES. Além da economia, a prioridade do Governo é o social, o combate
à violência com a valorização das polícias, com a volta do Estado Presente.

**O que esperar de investimentos do Estado na Serra?**

A Serra precisa ser tratada como prioridade. O governo passado abandonou as obras
importantes para a cidade. O governador já acenou para a retomada do Contorno do
Mestre Álvaro. Procuramos o Dnit e temos uma previsão de ordem de serviço, que eu
posso arriscar para os próximos 45 dias. Já a escola ABL, eu estive esta semana 
no DER e já foi feita uma visita técnica e há uma proposta de retomada da obra. 
Sobre a Rodovia ES 010, o governador deixou claro que esta é uma obra prioritária,
e nós estamos discutindo agora a municipalização.

**Você costuma dizer que a economia da Serra evoluiu do abacaxi para o aço, uma 
referência à chegada da Arcelor Mittal, em 1983, que dinamizou o parque industrial
da Serra. A cidade se estabilizou, mas a demanda por serviços públicos segue crescente.
Qual pode ser o próximo ciclo na economia da cidade?**

A siderurgia é muito importante, mas percebo que a Serra não pode mais depender 
apenas dela. Por exemplo, a segunda maior pagadora de ISS da cidade é uma empresa
do setor do comércio, a Wine. Então, este é o caminho: investir no setor de serviços;
investir em centros de convenções na cidade, para que a gente possa receber grandes
eventos e fomentar o turismo como atividade econômica; fortalecer a legislação de
incentivo da cidade, de desburocratização para instalação de novas empresas. Temos
uma vocação para o comércio muito forte. Então, o caminho é criar independência 
por meio do fortalecimento dos setores de serviço e comércio.

**Essa experiência no Executivo pode ser o estágio para os seus planos de um dia
ser prefeito da Serra?**

Sou formado em administração e pós-graduado em gestão pública. Porém, é a minha 
primeira experiência como gestor público. A minha vida foi construída no parlamento
e, certamente, a minha passagem pela Setades será uma oportunidade de aprender. 
Estou me sentindo muito útil e muito feliz neste novo momento da minha vida.

**Hoje se fala muito sobre sua relação com o prefeito da Serra, Audifax Barcelos.
Esta relação foi abalada em definitivo?**

Ser prefeito é um objetivo que busco já há algum tempo e venho me preparando para
isso. O prefeito Audifax é uma liderança importante da cidade e do Estado. O que
eu quero, em breve, é levá-lo para um bom diálogo com o governador Renato Casagrande.
Eu tenho certeza de que isso será a retomada, não só de uma relação pessoal muito
bacana que sempre tivemos pelo desenvolvimento do município. Minha vontade é de 
que o primeiro convênio da Setades seja firmado com a Serra.
