# Usina faz adubo com resto de poda e comida

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- Published: 2017-03-24T10:43:41-03:00
- Author: Ana Paula Bonelli

Atualmente a usina processa 30 toneladas por dia, mas tem capacidade para 300 toneladas.
Só não faz isso por falta de coleta seletiva. Foto: Divulgação

_Bruno Lyra_

Sabe aqueles restos de capim, galhos e folhas que sobram após a limpeza de canteiros,
praças e ruas da cidade? Eles estão virando adubo para a agricultura. Tudo por conta
da usina de compostagem da Organobom, que segundo seus proprietários é a maior do
tipo em operação no Espírito Santo. A usina fica em Putiri, região rural do município.

O diretor Francisco Junger diz que o adubo já é vendido para produtores rurais do
ES e também para fruticultores do Vale do São Francisco, no sertão do Nordeste. 
Na Serra, é aplicado para o fortalecimento das plantas que compõe o cinturão verde
de uma siderúrgica.

Além dos materiais de poda, também já estão restos de alimentos descartados de feiras
livres e restaurantes de algumas empresas.

Segundo Francisco, a tecnologia utilizada permite que a decomposição da matéria 
orgânica usada como matéria prima seja antecipada para um intervalo de 48h à 72h,
ao invés dos três meses que gastaria para fazer o processo. O material é triturado,
adicionado às leiras (um tipo de serragem) com 4 metros de base, 1,6 m de altura
e 80 m de comprimento.

“Aí controlamos umectação e areação por 72h. O que não decompõe volta para a trituração
e reinicia o processo”, explica.

O empresário explica que o adubo conseguido é de melhor qualidade que outros orgânicos
vendidos no mercado. “É um adubo livre de material inerte, com mais de 2% de nitrogênio
e 47% de matéria orgânica compostável. Hoje o setor agrícola tem preocupação com
a falta de adubo orgânico”, frisa. 

A usina funciona há um ano e foi criada para dar destinação aos materiais coletados
pela Emec, empresa do mesmo grupo e que detém o contrato de limpeza urbana junto
à prefeitura da Serra.  Segundo Francisco foram investidos R$ 3 milhões no empreendimento,
que gera cerca de 50 empregos diretos, contando coletores, motoristas e a turma 
que trabalha na usina.

A maior dificuldade da empresa é a falta de matéria prima. “Hoje processamos cerca
de 30 toneladas por dia, mas nossa capacidade é de 300 toneladas. É preciso fazer
valer a lei que obriga geradores de matéria orgânica a destinarem seus resíduos 
para a compostagem e não para aterros sanitários, pois além de perda econômica degrada
o meio ambiente”, completa o filho e parceiro de Francisco nos negócios, Francis
Junger.  
