# Ufes rejeita aluna cotista da Serra aprovada em 1º lugar alegando que ela é branca

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- Published: 2021-08-24T16:03:38-03:00
- Author: Gabriel Almeida

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scaled.jpg "estudante da ufes")

Estudante foi aprovada, mas não poderá cursar na Ufes. Foto: Divulgação

Alegando que a estudante Victoria Bermudes – aprovada em 1º lugar no curso de Nutrição–
não é parda, mas branca, a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) negou o
ingresso da jovem à faculdade. A decisão gerou revolta no Campus e nas redes sociais,
trazendo até dúvidas sobre o sistema de avaliação para aprovação dos futuros alunos.

De acordo com Victoria, que mora em José de Anchieta na Serra, a universidade pede
que o estudante afirme qual é sua etnia. No caso, a aluna se autodeclarou parda 
e foi indeferida pela Ufes. “Eu passei em primeiro lugar em nutrição para candidatos
autodeclarados pardos, mas minha autodeclaração foi indeferida pela Ufes. A entrevista
durou menos de três minutos e foi on-line e a avaliação foi extremamente subjetiva
já que conta só características físicas”, explicou.

Ainda de acordo com a estudante, ela não recorreu até o momento, mas pretende questionar
quais critérios estão sendo utilizados nessa avaliação. “A subjetividade da análise
de candidatos autodeclarados pardos e a incoerência da banca que por muitas vezes
aprova candidatos brancos nessa categoria gera muita revolta”, acrescentou.

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Victoria também afirmou que o mecanismo foi feito para diminuir a desigualdade e
aumentar a pluralidade dentro da faculdade, mas isso não está acontecendo. “A categoria,
por exemplo, exige a autodeclaração como parda e eu não me deparo como branca, como
amarela, como negra, mas sim como parda porque é assim que eu me vejo, é assim que
eu me vejo na minha característica física, na minha vivência social”, finalizou.

#### **Revolta nas redes sociais **

Victoria Bermudes contou sua história através das redes sociais. Por lá, muitos 
estudantes declaram apoio à Victoria e também dispararam críticas contra a Ufes.“
Nunca entendi qual o critério deles, pois a Victoria é obviamente parda, mas no 
meu curso de Odontologia, por exemplo, 80% das pessoas dessa categoria são brancas”,
informou uma aluna da universidade.

Outra estudante também confirmou que alunos brancos ocupam vagas destinadas para
o público pardo. “Muito engraçado que eles passaram pessoas de cor realmente branca
nessa modalidade e, quando vem uma pessoa real considerada parda, eles não aprovam.
Essa banca está complicada”.

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#### **O que diz a Ufes?**

Em nota enviada ao **TEMPO NOVO**, a Comissão de Avaliação Étnico-Racial da Ufes
informou que não comenta casos individuais de candidatos que concorrem a uma vaga
na Ufes por meio da modalidade de reserva de vagas.

“Em relação ao processo de verificação, a Pró-Reitoria de Graduação da Ufes explica
que a análise étnico-racial do candidato considera características fenotípicas, 
ou seja, o conjunto de características físicas do indivíduo, predominantemente a
cor da pele, a textura do cabelo e os aspectos faciais que, combinados ou não, permitirão
validar ou invalidar a autodeclaração”, diz o texto da nota.

Ainda segundo a Ufes, o candidato cuja avaliação for indeferida poderá interpor 
recurso em até 48 horas corridas após o indeferimento por meio do Portal do Candidato.“
O recurso será analisado pela Comissão Especial para Reserva de Vagas (CERV), que
não participa do processo de avaliação inicial”, finaliza.
