# TSE abre investigação contra Bolsonaro por ataque às urnas e abuso de poder econômico

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- Published: 2022-12-14T19:18:16-03:00
- Author: Gabriel Almeida

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Investigações foram abertas contra Bolsonaro. Crédito: Agência Brasil

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    MATEUS VARGAS
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O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Benedito Gonçalves, abriu nesta quarta-
feira (14) duas investigações contra o presidente Jair Bolsonaro (PL) por ataques
ao sistema de votação e suposta distribuição ilegal de benefícios financeiros durante
o pleito.

A coligação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa a presidente apresentou
ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) os dois pedidos de investigação por abuso de
poder político e econômico.

Gonçalves considerou que as ações preenchem os requisitos para serem aceitas. O 
corregedor abriu prazo de cinco dias para os investigados apresentarem uma defesa.

As duas ações são Aijes (Ações de Investigação Judicial Eleitoral), e a equipe do
petista apresenta como pedido final que os investigados sejam declarados inelegíveis.

O TSE costuma aceitar a abertura das investigações, mas a análise dos pedidos de
maior impacto, como de perda de mandato ou do aval para disputar eleições, tem tramitação
lenta e exige provas robustas.

Na ação que trata de “atos atentatórios” contra o sistema eleitoral, os advogados
do petista afirmam que houve uso indevido dos meios de comunicação social e abuso
de poder político.

Ainda dizem que os ataques ocorreram antes, durante e depois das eleições, e afirmam
que Bolsonaro e seus aliados buscavam emplacar um “projeto de poder totalitário 
e autocrático a partir da corrosão da matriz existencial da democracia brasileira”.

O grupo coordenado por Bolsonaro, segundo a ação, teria difundido a “tese conspiratória”
de que as urnas haviam sido violadas por hackers, que as eleições seriam fraudáveis
e que haveria um grande conluio contra Bolsonaro.

Nessa ação, serão investigados, além de Bolsonaro, o general Braga Netto, candidato
a vice-presidente na chapa derrotada de Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-
RJ), os deputados federais Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Carla Zambelli (PL-SP), e 
Bia Kicis (PL-DF), os deputados federais eleitos Gustavo Gayer (PL-GO) e Nikolas
Ferreira (PL-MG), além do senador eleito Magno Malta (PL-ES).

A equipe de Lula argumenta no outro pedido, sobre suposto uso eleitoreiro de benefícios
sociais, que Bolsonaro valeu-se da máquina pública para otimizar programas do governo“
com o claro intuito de angariar votos e, portanto, influenciar na escolha dos eleitores
brasileiros, de modo a ferir a lisura do pleito”.

O corregedor aceitou investigar nesse caso Bolsonaro e Braga Netto.

A ação cita, entre outras medidas, “antecipação da transferência do benefício do
Auxílio-Brasil e do Auxílio-Gás; aumento do número de famílias beneficiadas pelo
Auxílio-Brasil; antecipação de pagamento de auxílio a caminhoneiros e taxistas; 
programa de negociação de dívidas com a Caixa Econômica Federal; liberação de FGTS
futuro para financiar imóveis; anúncio pela Caixa Econômica Federal de crédito para
mulheres empreendedoras; crédito consignado do Auxílio-Brasil”.
