# Triste capítulo

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- Published: 2017-08-04T08:57:52-03:00
- Author: Ana Paula Bonelli

Em um domingo de abril do ano passado era votado o afastamento da ex-presidenta 
Dilma Rousseff, que culminaria com a perda de seu mandato. Os discursos a favor 
de sua saída se pautavam na família – dos próprios deputados -, na ética e afins.
A acusação principal: utilização de procedimentos orçamentários para atrasar repasses
de recursos do Tesouro Nacional para instituições bancárias, referentes ao Plano
Safra e outros programas de cunho social. Esse procedimento ficou conhecido como
pedaladas fiscais.

À época Dilma passava por um desgaste político intenso na Câmara, cujo presidente
era ninguém menos que Eduardo Cunha. Parte considerável da população desejava sua
saída da presidência.

Agora, se decidia sobre o afastamento de outro presidente, mas as acusações e as
provas eram bastante diferentes do primeiro caso.

Gravação envolvendo Michel Temer sinalizando a manutenção do silêncio de Cunha na
prisão. Delação do dono da JBS dizendo que Temer cobrou propinas milionárias. Um
ex-assessor direto do presidente filmado pela Polícia Federal recebendo uma mala
com R$ 500 mil. Estas são algumas das evidências da acusação de corrupção passiva
apresentadas.

Ademais, no final de julho, nada menos que 70% da população avaliou o Governo Temer
como ruim ou péssimo. Mas nem a opinião da sociedade, nem as provas apresentadas
convenceram 263 deputados que absolveram Temer de um julgamento no STF.

Quais as diferenças entre o primeiro e o segundo caso de afastamento? Várias, mas
uma chama a atenção: R$ 4 bilhões em emendas parlamentares para os aliados do presidente,
segundo a ONG Contas Abertas.

Diante desse contexto, alguém ainda acha que a atual legislatura federal ou o governo
vão fazer algo em consonância com a vontade popular? Alguém ainda crê que vai vir
alguma reforma que realmente beneficie a sociedade?

Eu me despeço aqui por não acreditar nesse ciclo político. Deposito minhas esperanças
em outubro de 2018 ou em um levante social antes disso para mudar a atual situação.
