# Sozinha na trilha: a morte de Juliana e os alertas de um guia experiente

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- Published: 2025-06-25T17:08:14-03:00
- Author: Mari Nascimento

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Com praias deslumbrantes, ondas espetaculares, montanhas e vulcões desafiadores,
a Indonésia, no Sudeste Asiático, foi palco de um trágico acidente que tirou a vida
da brasileira Juliana Marins, de 26 anos. Ela caiu durante uma trilha no Monte Rinjani,
na ilha de Lombok, no sábado (21), sendo encontrada morta na terça-feira (24). Analistas
classificam o desfecho como ‘negligência’ por parte do guia que acompanhava o grupo
e à morosidade no resgate da vítima.

Acidentes como o de Juliana acontecem com frequência em diversas partes do mundo
e é importante entender o que levou a esse desfecho, a fim de evitar que casos como
este se repitam.

De acordo com o ambientalista Edson Reis, que atua como guia na Serra, ficar sozinho
em uma trilha é arriscado, uma vez que o trilheiro pode se perder, ser atacado por
algum animal peçonhento, se tiver nevoeiro, cair em uma pirambeira. Ele comentou
ainda que é importante que ao menos dois guias. “O ideal é que o guia nunca deixe
ninguém para trás. Ter dois guias, sendo um em frente ao grupo e outro guia seguindo
o grupo”, disse.

Sobre o caso da Indonésia, Reis avalia as responsabilidades. “Para mim, o culpado
não foi o guia; foi negligência dos órgãos que autorizam a trilha. Deveria ter uma
equipe treinada para o caso de acidentes. Então as falhas, primeiramente foi por
não ter a equipe e também pela demora. A maior falha foi a demora no atendimento,
no resgate. No momento que identificou que ela caiu, deveria ter feito uma operação,
ficar com ela no local e descer comida e água para ela. Foi imprudência [da administração]
local”, avaliou.

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Edson Reis durante trilha no Mestre Álvaro. Foto: Divulgação

Edson costuma guiar turistas ao Mestre Álvaro, na Serra. Ele lembra algumas das 
situações que presenciou. “Já socorri pessoas lá, que subiram sozinhas e se perderam.
Já fui guiando os bombeiros. Também houve o caso de um biólogo que precisou ser 
resgatado com um helicóptero”, frisou.

Sobre as funções de um bom guia, diz que é preciso dar toda orientação antes da 
subida. Lembrou que no Mestre Álvaro tem uma área, o Vale da Jararaca, onde é preciso
ter cuidado com as serpentes. “Cuidado com os abismos; não fazer selfies; não ficar
muito próximo às pirambeiras; não se afastar sem avisar aos guias. Não andar à frente
ou atrás do guia e obedecer ao guia”, enumerou.

Ainda sobre o caso da Indonésia, perguntado sobre qual pode ter sido a causa da 
morte, o ambientalista ponderou. “Quando vi a primeira foto, ela nem estava tão 
longe do grupo, daria para socorrer logo, não sei por que demoraram tanto. Acho 
que não deram tanta importância tão grande. O caso de escorregar, ela pode ter tentado
se movimentar para sair e escorregou mais ou pode ter desmaiado. Não sei como é 
o vulcão, mas com certeza está levantando gases, fuligem provocando dificuldades
para respiração. Entre as privações (frio, fome e sede), certamente a sede, por 
estar na boca de um vulcão, que tem certa atividade, embora inativo e o frio”.

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Ele orienta ainda, em casos semelhantes, que a pessoa se mantenha no lugar. “No 
caso do Mestre Álvaro, se estiver lá em cima, sem telefone, vai passar perrengue
à noite. Não tem como acender fogueira, nem pode, o certo é encontrar um local alto,
como árvore ou pedra, para se abrigar, um lugar alto”, finalizou Edson, que é presidente
do Conselho de Turismo da Serra.
