# Serranos que driblaram a falta de dinheiro e chegaram a faculdade

- Link: https://www.portaltemponovo.com.br/serranos-que-driblaram-a-falta-de-dinheiro-e-chegaram-a-faculdade/
- Published: 2017-11-17T10:37:30-02:00
- Author: Ana Paula Bonelli

 

[[

Elaine, moradora de Barcelona, trabalhava como auxiliar de lanchonete, passou na
Ufes e já está estagiando como professora. Foto: Fábio Barcelos

_Thiago Albuquerque_

Nunca foi fácil para pessoas de baixa renda fazer faculdade, especialmente neste
momento de crise econômica. Só com muito esforço, perseverança e, muitas vezes, 
com ajuda de projetos sociais, os brasileiros que não são de famílias ricas ou de
classe média conseguem um diploma de curso superior e com ele, a tão sonhada melhora
de vida.

Na Serra não é diferente. Caso de Elaine Cristine Nunes, moradora de Barcelona. 
Atualmente ela estagia como professora dos Ensinos Fundamental Médio na escola Monteiro
Lobato em Vitória, além de corrigir redações.  Mas antes não era assim. Ela trabalhava
como de lanchonete e ficou 10 anos sem estudar.

“Então decidi entrar no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e comecei a faculdade.
Só que neste meio tempo ficou desempregada e precisei deixar o estudo.  Foi  quando
conheci o projeto Ser de Barcelona, que dá aulas gratuitas para o Enem.  Então, 
com muita força de vontade, consegui passar em letras na Ufes em primeiro lugar.
Hoje estou cursando ainda, mas já faço trabalhos como professora estagiária”, destaca.

Mudança que também impactou a vida do Engenheiro Ruan Dias, que reside em Morada
de Laranjeiras. Ele precisou vender bolos de pote por quatro anos para conseguir
pagar um cursinho pré-vestibular/Enem.  

“Eu precisava juntar dinheiro para pelo menos garantir um ano de cursinho, ter paz
de espírito na hora de estudar, e consegui. Passei na federal de primeira. Hoje 
tenho meu apartamento e pretendo ter filhos em breve. Para mim só quem tem preguiça
não segue adiante. Por mais difícil que seja nós damos um jeito de fazer dar certo”,
afirma Ruan, que se formou na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).     

E quem está na luta para dar esse salto é a moradora de Nova Almeida, Ercília Stanciany
da Silva Mozer, de 46 anos. Ela é catadora de material reciclável, mas reduziu atividade
para estudar. Ercília se formou em Artes Plásticas na Ufes e agora faz pós-graduação
em Arterapia.

“Meu esposo continua juntando material reciclado e eu ajudo quando posso.  Digo 
que o material reciclável já mudou as nossas vidas, mas pretendo buscar uma colocação
no mercado dentro da área que estou estudando. Acho que a pós-graduação vai me dar
um leque maior de possiblidades, mas já realizei o sonho de me formar”, conclui.
