# Serra teve pelo menos 11 feminicídios desde 2019

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- Published: 2021-03-26T15:41:27-03:00
- Author: Gabriel Almeida

De 2019 para cá pelo menos 11 feminicídios aconteceram na Serra. A informação é 
da secretária municipal de Políticas Públicas para a Mulher, Gracimeri Gaviorno.

Segundo Gracimeri o dado reflete o período entre 1º de janeiro de 2019 e 17 de março
de 2021 e pode crescer, uma vez que nem sempre o crime de feminicídio consegue ser
caracterizado no momento em que ocorre, dependendo de investigação posterior.

Em 2019, por exemplo, 14 mulheres foram assassinadas na Serra. Destes, sete foram
feminicídios. Em 2020 também acontecerem 14 homicídios de mulheres na cidade, sendo
que dois foram classificados como feminicídios. Em 2021 duas moradoras da Serra 
perderam a vida em circunstâncias que caracterizam feminicídio.

Gracimeri, que também é delegada da Polícia Civil e já atuou no atendimento à mulheres
vítimas de violência, afirma que um dos maiores desafios, tanto de uma potencial
vítima quanto de seus amigos e familiares, é perceber quando o comportamento do 
homem dá sinais de que ele possa vir a ter a atitude extrema de matar a companheira.

“Em 2015 quando fui chefe de Polícia, aconteceu um feminicídio brutal cometido por
um jovem PM que matou a namorada de 19 anos. A família não percebeu que aquela jovem
estava sofrendo violações. Muitas vezes até há indicativo, mas a família não está
preparada para entender. Então entender esses casos nos permite melhorar nossa política
de prevenção, informação, educação das famílias para que toda a sociedade se envolva
na proteção às mulheres”, sublinha.

Gracimeri revela ainda outra preocupação: a falta de notificações sobre tentativas
de feminicídio. “Só para a gente lembrar, a Lei Maria da Penha surgiu por uma condenação
internacional do Brasil. Maria da Penha, que está viva, sofreu várias tentativas.
Mas só duas foram registradas e na época não era tentativa de feminicídio, era tentativa
de homicídio. Ela acabou cadeirante e abalada psicologicamente indicando todas as
violações e perdas que teve ao longo da sua vida” lembra.

A secretária citou também o caso da Marciane. Este ocorreu aqui na Serra. “A Marciane
também não morreu, mas perdeu uma perna, os dedos, teve seu rosto queimado. E esses
casos de feminicídios tentados eles não são estudados, porque não são divulgados.
Então a gente fica contando só os números de feminicídios, mas precisamos avançar
pra ver esses em que a vítima não morreu, pois as sequelas físicas e psicológicas
ficam e muitas vezes são severas”, pontua.

Segundo definição publicada no site do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, para
ser caracteriza como feminicídio o autor precisa ter cometido o ato em razão de 
violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
Dessa forma, nem todos os assassinatos de mulheres são considerados feminicídios.

**Quarentena preocupa por deixar mulher **

**ainda mais exposta à violência doméstica**

As preocupações de violência contra a mulher ficam ainda maiores com o aumento do
isolamento social neste momento de agravamento da pandemia. Isto porque com a mulher,
filhos quando têm, e o companheiro mais em casa, aumentam as possibilidades de conflito
familiar, segundo Gracimeri. Junta-se a isso a deterioração econômica com o desemprego
e a maior tensão social e psicológica que uma pandemia como essa produz, acrescenta
a secretária.
