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Serra, 19 de dezembro de 2016 às 16:39

Serra tem 100 mil moradores em estado de pobreza


Secretária municipal de Assistência Social, Elcimara Rangel. Foto: Reprodução-Arquivo Pessoal

Por Conceição Nascimento

Com população beirando os 500 mil habitantes, a Serra ostenta números expressivos e crescentes sobre a pobreza. Segundo informações do prefeito Audifax Barcelos (Rede), em recente solenidade no município, atualmente há cerca de cem mil moradores em estado de pobreza, que vivem com R$ 150 ou menos por mês. Destes, 70 mil moradores vivem em situação de pobreza extrema, com R$ 50 ou menos mensalmente.

De acordo com a secretária municipal de Assistência Social da Serra, Elcimara Rangel Loureiro, a Serra continua recebendo muita gente do Norte de Minas Gerais e do Sul da Bahia, em busca de oportunidades, atraídas por opção de trabalho na indústria e comércio. Quanto aos valores divulgados, referem-se à renda per capita dos moradores apontados nos números apontados pelo prefeito.

Ela enumerou algumas das ações oferecidas pela administração municipal aos moradores em situação de vulnerabilidade. Além do Bolsa Familia (que atende a aproximadamente 24 mil famílias na Serra), existem outros benefícios como o PróFamília, Cesta Básica, auxílio gravidez, funeral, etc.

“Para ter acesso aos benefícios, o cidadão deve realizar o Cadastro Único (CadÚnico) em um dos Centros de Referência e Assistência (Cras) da Prefeitura. Nossa equipe conta com 22 técnicos com Ensino Médio,  psicólogo e assistente social, além de estagiários. Mais de 100 cadastros são feitos diariamente, além das atualizações”, disse.

Elcimara explicou que quando as famílias procuram o Cras e realizam o CadÚnico acessam outros benefícios, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), oferecido a idosos (60 anos e acima) e pessoas com deficiência; tarifa social de água, luz, isenção de taxa de concurso público, CNH Social, aluguel social e programas de habitação. “Para se ter acesso a qualquer tipo de benefício é preciso ter acesso ao CadÚnico, que identifica a situação de vulnerabilidade da família”, pontuou.

A secretária informou que a prefeitura complementa a renda dos moradores cadastrados com o Pro-Família, desde 2008. “Beneficia duas mil famílias com R$ 40 mensais. Além disso, são oferecidas aproximadamente 300 cestas básicas por mês”.

Segundo ela, outros benefícios oferecidos são o Auxílio Gravidez, para gestante de múltiplos, que recebe ½ salário por filho; Auxílio Funeral, que oferece um cartão com valor creditado de R$ 1.180 para procurar sete funerárias credenciadas para realizar o funeral.

“No ano passado começamos o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (oficinas de artesanato) nos Cras. O objetivo é trabalhar a família e oferecendo atividades biscuit, costura, decoupagem e outros. O objetivo é gerar a autonomia da família”, frisou.

Estamos finalizando os detalhes para, em 2017, oferecer a parceria ao programa do Governo Acessuas, com meta de oferta ao mercado de trabalho.O poder público tem que fazer a sua parte, que é trabalhar políticas públicas responsáveis para tirar as famílias desta condição vulnerável”.

Oficina de arte organizada pela Secretaria de Assistência Social. Foto: Reprodução-Arquivo Pessoal

Transformação urbana

Segundo o sociólogo Leonardo Bis dos Santos, a Serra viveu uma grande transformação urbana e social a partir da década de 1970, quando a população total não chegava a duas dezenas de milhares e hoje já se aproxima de meio milhão de habitantes.

“Nessas quase 5 décadas desde então, a composição econômica passou de essencialmente agrária para um mix de grandes empresas e forte desempenho do setor de serviços. O modelo de desenvolvimento econômico do município durante a implementação das grandes plantas industriais, na década de 1980, contudo, trouxe como consequência um vigoroso processo de concentração econômica. Ao observarmos o município temos claramente a dimensão dos resultados desse processo. Bairros com grande concentração de famílias com alto poder econômico, enquanto outras regiões com famílias vivendo na linha da pobreza extrema”.

Segundo Bis, um dos maiores desafios do município nos próximos anos é efetivamente criar condições de combate à desigualdade. Disse que boa parte dessas ações deve ser implementada pelo Governo Federal, como políticas de redistribuição de renda – aumento real do salário mínimo, incentivos a partir de bolsas, etc.

“Outra parte das ações é de responsabilidade do Governo Estadual e Municipal, a partir da melhoria da infraestrutura dos bairros periféricos e, principalmente, com políticas voltadas para uma educação de qualidade que promova a emancipação social dessas populações.

Infelizmente, há de se considerar que o contexto econômico do país, aliado às medidas aprovadas pelo Congresso Nacional e ao caos político instaurado no país, apontam para a ampliação do número de pobres e miseráveis”, disse o sociólogo.

 




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