# Serra supera previsão e bate recorde de arrecadação, atingindo R$ 3 bilhões em 2024

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- Published: 2025-01-29T13:35:28-03:00
- Author: Yuri Scardini

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Divulgação Secom/PMS

A Prefeitura da Serra bateu um recorde de arrecadação em 2024, atingindo R$ 3,07
bilhões, segundo o Tribunal de Contas do ES. Esse número é absolutamente surpreendente
e reflete, sobretudo, [o aquecimento da economia local](https://www.portaltemponovo.com.br/dados-nao-deixam-duvidas-serra-continua-sendo-a-capital-do-emprego-veja-setores/),
uma vez que a arrecadação está diretamente ligada à movimentação de capital no município.
Para dimensionar esse crescimento, a arrecadação da Prefeitura da Serra aumentou
99,35% entre 2020 e 2024, ou seja, em cinco anos de exercício fiscal, o orçamento
municipal praticamente dobrou, um fenômeno pouco visto no poder público.

Todas as principais fontes de receita registraram aumento na arrecadação. O ISS,
por exemplo, que é um tributo municipal incidente sobre a prestação de serviços,
atingiu R$ 427 milhões em 2024, representando um crescimento de 22,35% em relação
a 2023 e de 129,57% em relação a 2020.

O ICMS continua sendo a principal fonte de receita na composição global do orçamento.
Apesar de ser um tributo estadual, que incide sobre a venda de produtos e a prestação
de determinados serviços, uma parcela do valor arrecadado é distribuída entre os
municípios com base em critérios como população e atividade econômica. A Serra recebeu
a maior fatia do estado, arrecadando R$ 609 milhões em 2024, um aumento de 7,41%
em relação a 2023 e de 82,34% em comparação a 2020. Ambos os tributos refletem diretamente
o crescimento e a movimentação econômica do município.

No rateio da arrecadação dos R$ 3 bilhões referentes a 2024, 33% tiveram origem 
em receitas próprias, como o ISS, já citado, além de outras fontes, como ITBI e 
IPTU. As transferências do Estado representaram 26% da arrecadação, incluindo ICMS,
IPVA, convênios e recursos do petróleo. Em seguida, vieram as transferências da 
União (11%), as operações de crédito (10%) e outras transferências.

Todo esse volume de arrecadação faz da Serra a segunda maior cidade capixaba em 
orçamento, ficando atrás apenas de Vitória. O crescimento do orçamento é um indicador
fundamental para a saúde financeira do município, especialmente porque, ao contrário
de Vitória, onde o crescimento populacional está praticamente estagnado, na Serra
a tendência é exatamente oposta.

Nos últimos 10 anos, a cidade ganhou aproximadamente 100 mil habitantes. Segundo
estimativas do IBGE, a Serra atingiu 572 mil habitantes em 2024, consolidando-se,
de longe, como o município mais populoso do Espírito Santo. Na verdade, o crescimento
populacional da Serra é um processo incessante desde 1960 quando se iniciou o período
industrial do município. 

Além do grande volume de habitantes, o perfil demográfico da cidade se caracteriza
por uma alta proporção de pessoas de baixa renda, o que aumenta constantemente a
demanda por serviços públicos, como educação e saúde. A pressão por novas vagas 
em escolas e pelo fortalecimento da rede pública de atendimento médico reflete esse
cenário.

Essa realidade difere de Vitória, por exemplo, que possui uma das maiores rendas
per capita do país. Enquanto a capital não enfrenta o mesmo nível de crescimento
populacional e demanda por serviços, a Serra precisa continuar expandindo seu orçamento
para atender sua crescente população e as necessidades associadas a ela.

A cidade tem uma forte dependência do setor industrial, especialmente das atividades
ligadas à ArcelorMittal, a maior empresa sediada em território serrano. Nos últimos
anos, a siderúrgica seguiu ampliando suas operações, embora tenha enfrentado desafios
para competir com produtos chineses, que chegam ao mercado subsidiados pelo governo
da China. A ArcelorMittal movimenta uma extensa cadeia de serviços e produtos, impulsionando
uma das principais atividades econômicas do município: a metal-mecânica.

Além das indústrias, [outra atividade de grande relevância na Serra é a logística](https://www.portaltemponovo.com.br/projeto-de-mega-galpoes-no-contorno-do-mestre-alvaro-podem-concretizar-a-nova-serra-do-oeste/),
um dos maiores setores pagadores de ISS. Para fortalecer ainda mais esse segmento
e atrair novas empresas, o município tem investido significativamente em obras de
infraestrutura viária, ampliando sua capacidade de circulação e, consequentemente,
estimulando a arrecadação municipal. Entre os principais projetos estão o Contorno
do Mestre Álvaro, o Binário da Norte-Sul, a revitalização da Talma Rodrigues, a 
nova Rotatória do Ó e o Sistema Viário Sérgio Rogério de Castro (Civit I). Esses
investimentos, realizados em parceria entre os governos municipal, estadual e federal,
têm como objetivo consolidar a Serra como um dos maiores corredores logísticos do
Brasil.

As perspectivas para o futuro seguem positivas, com novos investimentos a caminho.
Entre eles, destaca-se o Contorno de Jacaraípe, que criará um corredor a oeste do
balneário, com potencial de se tornar uma retroárea estratégica para as operações
portuárias de Aracruz. Além disso, iniciativas como a municipalização do trecho 
da BR-101 entre Serra Sede e Carapina prometem dar uma nova utilidade a uma rodovia
que, por anos, esteve sucateada e subutilizada sob a gestão do Governo Federal.

A abertura e a melhoria de estradas, somadas ao maior controle fiscal da Prefeitura,
têm refletido positivamente no orçamento municipal. É desse montante que saem os
recursos para administrar uma das cidades mais complexas do país. Embora os R$ 3,07
bilhões arrecadados em 2024 representem um valor gordo em uma perspectiva global,
quando analisados sob a ótica proporcional, a Serra deixa de figurar entre as cidades
mais ricas e passa a ser uma das mais pobres.

Isso ocorre porque, no ranking de arrecadação per capita, a Serra ocupa a 68ª posição
entre os 78 municípios do Espírito Santo. Ou seja, apesar do alto volume de arrecadação,
o grande contingente populacional dilui os recursos disponíveis por habitante, impactando
diretamente a distribuição e a qualidade dos serviços públicos. Eis o motivo que
valida a comemoração pelo crescimento contínuo da arrecadação municipal, pois se
bem gerenciado, é o que faz da Serra a grande cidade capixaba que é.
