# Sem prazo para incêndio  nas turfas ser apagado

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- Published: 2017-04-20T09:13:35-03:00
- Author: Ana Paula Bonelli

Fogo começou na última terça (19) e fumaça já chegou até em Jacaraípe. Foto: Fábio
Barcelos

_Gabriel Almeida_

Um dos mais graves problemas ambientais e de saúde pública que passou a atormentar
o morador da Serra nos últimos anos voltou com força: o fogo na área de turfa. Para
tentar conter, uma mobilização envolvendo o Corpo de Bombeiros e Cesan deve continuar
trabalhando na área nesta quinta-feira (20). A Defesa Civil da Serra está monitorando
a situação.

O combate começou ontem (19), e segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de
Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), o combate se estenderia pela
madrugada. Mas não há previsão de quando o incêndio poderá ser extinto, uma vez 
que o fogo ocorre no subsolo e é de difícil controle.

Os focos estão nas proximidades do bairro Central Carapina e Jardim Tropical, ao
sul da estrada de Furnas.  Segundo a internauta Margarida Francisca que disse que
tudo começou na manhã da última terça-feira (18).

“Ontem (terça, 18) por volta das 8h uma grande quantidade de fumaça cobriu toda 
a região de José de Anchieta. A conversa que rodou por toda a comunidade foi que
tudo começou depois que alguém colocou fogo na área de turfa e o incêndio se espalhou”,
explica.

Margarida ainda disse que durante a noite o fogo ainda estava alto. “Na noite desta
terça o fogo ainda podia ser visto lá na área de turfa. Foi muito difícil dormir
a noite com a catinga desta fumaça”, conta.

Durante a quarta-feira o mau cheiro já alcançava diversos bairros. De Laranjeiras,
a moradora Anna Elisa Calabrez Piazarolo pede socorro. “Não posso acreditar que 
vamos passar por isso novamente”, lamenta.

De Jacaraípe, Nadir Ladislau também sentiu o incômodo. “Sempre em abril, desde 2015
esse cheiro horrível nos atormenta”. Moradora de Residencial Mestre Álvaro, Vanessa
de Camargo, disse que mesmo com a casa fechada não tem como fugir da fumaça.

“Desde ontem à noite tem cheiro forte de coisa queimada aqui em Valparaíso, que 
me deixou com os olhos ardendo”, contou Ângela Silva.

O problema dos incêndios nas turfas, onde o solo é formado por restos de plantas
em área originalmente brejosa, passou a atingir a Serra com o agravamento da pior
seca já registrada na história do ES.  Desde fevereiro de 2015 o problema aparece,
às vezes demora meses para ser apagado. Basta as chuvas reduzirem para ele voltar
novamente.

A pneumologista que atua na rede pública e privada da Serra, Ciléia Martins disse
que a fumaça da turfa é muito prejudicial à saúde, mesmo para quem não problemas
respiratórios. “A queima gera monóxido de carbono e enxofre, que são lesivos à mucosa
nasal, pulmonar e aos brônquios, gerando inchaço e desidratação nos mesmos. Isso
deflagra crises de rinite, sinusite e bronquite”, alerta.

 
