# Secretário prevê Encolhimento da Vale e  necessidade do ES diversificar economia

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- Published: 2018-01-12T08:53:53-02:00
- Author: Ana Paula Bonelli

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Lorenzoni diz que para a região Norte crescer é necessário um porto ou aeroporto.
Foto: Joatan Alves

_Eci Scardini_

Economista, de origem no Bandes, em gerências e diretorias, Luiz Fernando Lorenzoni
ocupou também diretorias no Banestes; foi secretário de Desenvolvimento Econômico
em São Mateus, e hoje é secretário em Linhares. Visto como um vetor de desenvolvimento
no norte do ES, nesta entrevista Lorenzoni comenta a vinda de empresas com Marcopolo,
Gam e Oxford e faz um alerta: – o ES tem que dinamizar sua economia em vista de 
um possível desinvestimento da Vale. Lorenzoni chama a atenção ainda para a falta
de engajamento de municípios na atração de investimentos.

**Secretário, quais são as bases da economia do ES?**

A mineração, formado pela Vale e Samarco, que está paralisada em virtude daquele
problema. Temos a ArcelorMittal, com aço e laminação a quente que serve parte da
indústria nacional. Estamos discutindo para que essas indústrias possam vir para
o ES. Temos também a celulose com a Fibria. Na questão logística, estamos estrategicamente
localizados. Num raio de mil km do ES temos de 60 a 70% do PIB nacional. Isso facilita
acesso ao consumidor final. Temos ambiente para receber cargas, armazenar e distribuir.
O Estado é maior exportador de rochas ornamentais do país. Além disso, o setor metalmecânico
vem crescendo e na cadeia de petróleo e gás somos o segundo maior produtor do país.
No café somos grandes produtores, entre outros.

**É possível mais dinamismo no que já temos?**

Sim. Por exemplo, precisamos aproveitar melhor o potencial de gás. Temos muitos 
produtos derivados do gás como insumo de diversos setores de produção. Isso ajudaria
a tornar vários tipos de indústrias mais competitivas. Como o setor metalomecânica,
que cresceu em cima da mineração, siderurgia e celulose; e agora pode expandir para
essa cadeia de petróleo e gás.

**Os investimentos da Vale na extração mineral no Pará e exportação pelo Maranhão
pode gerar desinvestimento na planta capixaba?**

 À medida que for se exaurindo o minério da região de Minas vejo a possibilidade
de transferências de atividades para o Para e o Maranhão. Na planta capixaba cabe
uma base de exportação de grãos, um porto de cargas gerais. O ES deve fazer um trabalho
forte de diversificação da economia do para os próximos anos, é o que a gente vem
fazendo. Essa possibilidade da Vale transferir parte das suas atividades para o 
Maranhão, daqui a 10 a 20 anos, existe. E o ES precisa se preparar. ** **

**Há desigualdade de investimentos entre o Norte e o Sul do ES por conta da Sudene?**

O norte do Estado hoje está disputando com o Nordeste brasileiro. A primeira coisa
é trazer empreendimentos para o ES. Mas não são todas as empresas que podem ter 
o beneficio da Sudene, tem que ser lucro real e muitos setores não são. Tem ainda
empresas, por exemplo, que tem foco na distribuição, e não é o lógico se instalar
no Norte. Tivemos um caso recente da GAM Medicamentos, que trouxemos para o ES. 
Porém, ela não “coube” no norte. O local estratégico foi a Grande Vitória.

**O que fazer para competir com outros Estados?**

Ninguém vem fazer um investimento de R$ 200, 300 milhões do nada. Essas empresas
contratam consultorias, e após 3 ou 4 anos eles fazem a opção pelo local. Você não
consegue entrar só no final do processo. Tem que estar acompanhando, ter informação
qualificada, relacionamento, conhecimento profundo e credibilidade senão nem te 
chamam para discutir.** **

**Como foi a vinda da empresa Marcopolo para o ES?**

Começamos a atrair a Marcopolo em 2009. Estive diversas vezes com a diretoria e 
acompanhamos todos os estudos, concorrendo com outros estados, e tivemos êxito, 
implantamos em São Mateus. Outro caso foi a Oxford que é a maior planta das Américas
de porcelana de mesa. Tinha um ambiente pouco favorável no ES, e ela já estava optando
pela Paraíba. Fizemos um trabalho grande, adequamos várias coisas, como a oferta
de gás. E atraímos a Oxford.

**A região norte vai seguir crescendo?**

No norte, posso dizer que 80% do caminho está andado. Mas falta um porto e/ou um
aeroporto. Aí fecha o ciclo. Vamos ter a nossa matriz energética resolvida para 
ser competitivo internacionalmente. Em 2018 a Marcopolo vai duplicar suas atividades.
Já é a maior fabricante de carrocerias de ônibus do mundo. Vai chegar entre 3 e 
4,5 mil empregos diretos. Vai trazer novas atividades, como a fabricação de ônibus
urbano. Até agora a empresa investiu R$ 200 a 250 milhões. Aqui é a maior planta
mundial da empresa que está em oito países como China e EUA. Sem contar a imensidão
de peças que ela precisa, criando uma cadeia muito grande na região.

**Há espaço para novas indústrias de base no ES?**

Não queremos mais qualquer tipo de empresa, como poluidoras. Queremos as que tragam
conhecimento, oportunidades e conhecimento. Temos feito isso em Linhares. Existem
exceções, mas você chega a alguns municípios e pergunta quem é o secretário de Desenvolvimento
Econômico; às vezes é um secretário que acumulou o cargo. A gente não vê o foco.
É preciso separar política da politicagem e isso temos feito.

 
