# Secretário de Educação do ES diz que “voltar às aulas é urgente”, mas professores criticam afirmação

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- Published: 2020-08-24T13:48:35-03:00
- Author: Gabriel Almeida

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Vitor de Angelo é secretário de Educação do Espírito Santo. Foto: Divulgação

Participando de um evento on-line, que discute a possibilidade de retomada dos estudos
presenciais na manhã desta segunda-feira (24), o secretário de Estado da Educação,
Vitor de Angelo, afirmou que a volta às aulas, mesmo em meio à pandemia causada 
pelo coronavírus, é urgente. Segundo ele, afirmação é no sentido de reconhecer que
a escola aberta é “fundamental não só para o ensino, mas para a socialização, interação
e observação dessas crianças”. A declaração ocorreu no Summit Educação Brasil 2020,
promovido pelo _jornal O Estado de São Paulo_.

A afirmação do secretário vai no sentido contrário do que pensa a maioria dos professores
do Espírito Santo, inclusive na Serra. Tanto que na última semana, os profissionais
realizaram uma manifestação na sede da Secretaria de Estado da Educação (Sedu). 
A categoria foi ouvida pelo **TEMPO NOVO** e informou que teme uma grande contaminação
entre alunos, professores e outros profissionais dentro do ambiente escolar. Ainda
segundo eles, as unidades não estão preparadas para uma pandemia.

Além da afirmação que a volta às aulas é urgente, Vitor Angelo criticou a “inversão
de valores” das pessoas que não querem a volta às aulas, por medo de uma segunda
onda do novo coronavírus, mas frequentam bares, praias e dizem não temer a pandemia.
O secretário ainda destacou que o governo estadual não vai passar por cima das autoridades
de saúde para reabrirem as escolas.

“O que parece que está acontecendo é que as pessoas não querem que a escola abra
para fazer o que elas estão fazendo, em segurança. Ou seja: ir à praia, bares, shoppings,
praças, quadras e etc. É uma inversão completa. Na verdade a nossa sociedade deveria
ter feito o caminho inverso: aberto mão de ir a bares, shoppings, quadras e praças,
para abrir escola, porque isso é urgente”, disse o secretário.

Durante sua participação no evento, Vitor ainda citou o caso da menina de 10 anos,
estuprada pelo tio, em São Mateus, na região Norte do Espírito Santo. Segundo ele,
esse tipo de situação, muitas vezes, é observada dentro da escola. “Então, quando
a escola fecha, nós isolamos as crianças, adolescentes e jovens, dentro de casa.
E, por mais que a gente mobilize todos os esforços para continuar o processo de 
aprendizagem dessas pessoas, é só isso: um processo de aprendizagem. Mas a observação
do seu comportamento, a interação e todas as coisas que a escola traz, isso se perde”,
disse.

#### **Movimento contra volta às aulas critica fala de secretário**

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Professora protesta na sede da Secretaria de Estado da Saúde na última sexta-feira(
21). Foto: Divulgação

O movimento Luta Unificada dos Trabalhadores da Educação (Lute-ES) criticou a fala
do secretário por meio de uma nota publicada nas redes sociais. “Embora o secretário
tenha dito que a Sedu não vai passar por cima da Secretaria de Saúde, vemos com 
muita preocupação esse tipo de declaração sendo proferido por meio do secretário,
que equivaleu o fato de as pessoas irresponsavelmente estarem se aglomerando em 
bares, restaurantes, condomínios etc., com a urgência em reabrir escolas”, afirmou.

E continuou: “Nós, do Lute-ES, consideramos urgente salvar vidas e reivindicamos
políticas efetivas de contenção da circulação do vírus e o retorno escolar presencial
somente com vacinas. Não vale a pena brincar com a vida alheia: escola aberta significa
mais pessoas circulando, em ônibus, nas ruas, se aglomerando nas escolas, correndo
o risco de voltarem contaminadas para as suas comunidades e famílias. Já vimos o
aconteceu em outros países e mesmo no Estado do Amazonas, que resolveu pelo retorno
presencial e em três dias de testagem tivemos 162 profissionais testando positivo
para a doença.”
