# Rose sem Rede e o oportunismo eleitoral

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- Published: 2018-07-30T17:07:39-03:00
- Author: Ana Paula Bonelli

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Audifax e a Rede foram os primeiros aliados de Rose de Freitas na corrida pelo Palácio
Anchieta. Foto: Jansen Lube

_Por Yuri Scardini_

Às vésperas de iniciar oficialmente a eleição, os partidos políticos se ajustam 
entre si para caberem nas chapas. A novidade no Espírito Santo foi à confirmação
da aposentadoria do governador Paulo Hartung (MDB). Este fato criou um vai e vem
de siglas partidárias nos palanques do ex-governador Renato Casagrande (PSB) e da
senadora Rose de Freitas (Podemos).

Rose, inclusive, foi a mais ‘beneficiada’ disso tudo, já que parte dos órfãos de
PH foi em bando para seu palanque. Desde quando assumiu publicamente a intenção 
de ser candidata ao Palácio Anchieta, Rose amargou um isolamento partidário ficando
à sombra de Hartung e Casagrande. Desde aquele período o único que parecia de fato
estender a mão à senadora era o prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede), relação
tal que pôs a Rede, partido de Audifax, como 1º aliado de Rose.

Audifax, comandando a cidade com o maior eleitorado capixaba e com o 2º maior orçamento
público, impediu que Rose vivesse num ostracismo eleitoral-partidário, e manteve
de pé uma candidatura que até pouco tempo parecia inviável.

Mas política dá voltas. Com os órfãos de PH compondo com Rose, o palanque da senadora
inchou. E agora, quem parece pagar a conta e ir para o sacrifício é a Rede. Isso
porque o partido de Audifax dava como certa uma vaga de Senado para o delegado Fabiano
Contarato (Rede). Porém viu seus planos ameaçados pela repentina proximidade de 
Rose com o PR do senador candidato à reeleição, Magno Malta.

No palanque de Rose, já contabiliza-se uma vaga de Senado para o deputado estadual,
Amaro Neto (PRP) e a outra é disputada entre Rede e PR. É a velha máxima da política,
não há espaço para todos, e quando alguém ganha, outro perde. Mas é dessas velhas
máximas que o eleitorado parece estar saturado. Rose dá sinais de que pode trair
o único que lhe estendeu a mão, quando todos deram as costas, numa tacada de fisiologismo
e oportunismo eleitoral que fica marcada na história individual de cada um.

**Sem a Serra não dá**

Além disso, mesmo parecendo bastante sedutor contar com o pop star Magno Malta no
palanque, Rose pode perder muito. São 300 mil eleitores na Serra, e aqui, como a
eleição de 2016 demostrou, sabe-se que é meio a meio. Metade dos votos fica com 
Vidigal, que caminha de mãos dadas com Casagrande, e a outra metade com Audifax.
Alguém que quer ser governador(a) não se pode dar ao luxo de perder a Serra. Até
porque mesmo com o upgrade em sua campanha, Rose tem enorme inferioridade de lideranças
e eleitores na Grande Vitória.

Amaro e Magno no mesmo palanque significa brigar pelo mesmo eleitor. Ambos têm perfil
parecido, orbitam no mesmo extrato de eleitorado evangélico e de renda média para
baixo. Outro ponto que pega, é que ao abrir mão de Contarato, Rose perde um dos 
seus principais discursos eleitorais. Amaro e Contarato têm forte apelo pelo ‘novo’
na política. Este campo deve ser explorado pelos candidatos, dado o abismo de representatividade
brasileira. Ao incluir Magno em detrimento a Contarato, Rose perde Audifax, a Serra,
o ‘novo’, e por tabela mancha seu currículo político. Portanto, segue o jogo…   
