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terça-feira, 22 de setembro de 2020

Risco de disseminação do coronavírus pelo esgoto liga alerta na Serra    

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Bruno Lyrahttps://www.portaltemponovo.com.br
Repórter do Tempo Novo há mais de 10 anos, Bruno Lyra escreve para diversas editorias do portal, principalmente Economia e Meio Ambiente, das quais é o responsável.

Banhistas se arriscam ao atravessarem córrego imundo de esgoto entre Manguinhos e Jacaraípe. Foto: Arquivo TN/Gabriel Almeida

Já se sabe que o coronavírus está presente nas fezes de pessoas contaminadas e pesquisas em outros estados e países já confirmaram a presença do causador da pandemia na rede de esgoto.  Embora ainda não haja resultados conclusivos sobre a transmissão da doença na rede de esgoto e mananciais que recebem esses efluentes, tratados ou não, a possibilidade disso acontecer vem chamando a atenção das autoridades. Na Serra, não é diferente.

Em nota divulgada nesta terça-feira (19), a Prefeitura da Serra informou que já oficiou a Cesan para reforçar a atenção no tratamento de água. E também no tratamento do esgoto, que neste caso é feito através de Parceria Público Privada (PPP) estabelecida em 2015 com a empresa Ambiental Serra.

Também nesta terça-feira, o presidente da comissão de Meio Ambiente da Câmara de Vereadores, Adriano Galinhão (PSD), disse que nos próximos dias será apresentado um projeto indicativo na casa pedindo à Cesan e Ambiental Serra que apresentam análise da água de abastecimento e do esgoto geridos no município, para verificar presença de coronavírus.

Corrego Irema em Portal de Jacaraípe, após atravessar Feu Rosa. Mesmo com Estação de Tratamento de Esgoto na região, as águas do riacho são extremamente poluídas e caem na praia de Castelândia. Foto: Arquivo TN/Bruno Lyra

“O projeto também vai determinar que a Prefeitura e o Estado fiscalizem as análises. Precisamos prevenir tudo que pode ajudar o vírus a prosperar”, disse o vereador.

No Rio de Janeiro, na última sexta-feira (15) foi anunciada a criação de uma ação conjunta para monitorar o esgoto na capital e noutras cidades daquele estado, após o coronavírus ter sido encontrado por pesquisadores da Fiocruz  no esgoto do município de Niterói. Além da própria Fiocruz, participam da ação a concessionária de água e esgoto (Cedae), a Secretaria de Saúde do estado fluminense e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Escócia, China, Cingapura e Holanda

Estudo publicado agora em maio pela Universidade de Stirling, na Escócia, registrou coronavírus nas fezes de paciente cujo exame positivo para covid-19 havia saído 11 dias antes. O mesmo estudo identificou o vírus nas fezes 33 dias depois de um paciente que havia tido a doença ter recebido exame negativo.

Os primeiro estudos apontando presença de coronavírus no esgoto aconteceram na China e Cingapura, ainda em janeiro, no início da pandemia. Posteriormente outro estudo, desta vez na Holanda, encontrou o patógeno em estações de tratamento de esgoto na Holanda. Por hora não há estudos conclusivos que apontem a infecção feco-oral, ou seja, se alguém pode adoecer pela covid-19 no contato com água contaminada.

Mas o monitoramento dos esgotos vem sendo adotado como forma de identificar a disseminação do novo coronavírus. Vale lembrar que a Serra é o 3º município com mais casos confirmados (1.466) e o que mais registrou mortes de moradores no Espírito Santo (89). Os números foram atualizados no final da tarde de hoje pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).

Município tem alta concentração de doentes

Além do alto número de moradores infectados e mortos, a cidade tem outro agravante quando à carga viral nos esgotos. Nela ficam os dois principais hospitais públicos de referência para tratamento da doença no ES, ambos na região entre Manguinhos e Laranjeiras: o Dório Silva e o Jayme Santos. O que significa que doentes de outros municípios estão sendo atendidos aqui.

Quase todos os esgotos da Serra, tratados ou não, fluem para as praias do município. Os pontos mais críticos estão: no córrego Doutor Róbson, na região da Serra Sede; nas lagoas Juara, Jacuném, Carapebus e Maringá; no rio Jacaraípe, que cai na praça Encontro das Águas; nos córregos Irema e Laripe, que deságuam entre Jacaraípe e Manguinhos. E no córrego Laranjeiras, que lança águas entre as praias de Bicanga e Manguinhos.

Outra região problemática, com muito esgoto a céu aberto e águas poluídas, fica nas encostas e baixadas ao longo da BR 101, na porção entre Central Carapina a Laranjeiras Velha.

Cesan e Ambiental Serra

A reportagem procurou a Cesan/Ambiental Serra, mas a concessionária não retornou até a publicação dessa matéria. Se houver posicionamento das responsáveis pela gestão do esgoto, será publicado neste espaço.

Também foi acionada a Secretaria de Estado da Saúde. Caso esta se posicione também será publicado aqui.

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