# Renda do trabalhador cai pela primeira vez em 11 anos, diz pesquisa

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- Published: 2016-11-25T10:29:04-02:00
- Author: Ana Paula Bonelli

Pesquisa indica que rendimento de todos os trabalhos passou de R$ 1.950 para R$
1.853. Já o de todas as fontes caiu de R$ 1.845 para R$ 1.746 (-5,4%). Foto: Divulgação
Agência Brasil

A renda real – corrigida pela inflação – dos trabalhadores brasileiros caiu 5% em
2015 na comparação com 2014 e foi a primeira redução em 11 anos, revela a Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgada hoje (25) pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE).

O rendimento de todos os trabalhos passou de R$ 1.950 para R$ 1.853.  Já o de todas
as fontes, que inclui aposentadorias, recebimento de aluguéis, juros e benefícios
sociais, entre outros, passou de R$ 1.845 para R$ 1.746 (-5,4%). O rendimento domiciliar
foi de R$ 3.443 para R$ 3.186 (-7,5%).

Todas as categorias do emprego acusaram redução no rendimento médio mensal real 
do trabalho principal, com destaque para os trabalhadores domésticos com carteira
assinada (-3,1%). A coordenadora da pesquisa do IBGE, Maria Lúcia Vieira, explicou
que a queda está diretamente relacionada com a diminuição da população ocupada no
país no ano passado.

“Foi um período em que a desocupação aumentou muito, cerca de 38%, e atingiu principalmente
as pessoas ocupadas na indústria, na região Sudeste, e com carteira assinada, que
têm rendimentos maiores que os sem carteira e os que trabalham por conta própria.
A ocupação caiu justamente nos setores onde os rendimentos eram maiores”, disse 
ela.

Todas as grandes regiões apresentaram redução do rendimento médio mensal real de
todos os trabalhos: 7,2% no Norte (de R$ 1,565 para R$ 1.453); 5,6% no Nordeste (
de R$ 1.295 para R$ 1.223), 5,4% no Sudeste (de R$ 2.239 para R$ 2.117); 3,3% na
região Sul (de R$ 2.149 para R$ 2.079) e 3,5% e Centro-Oeste (de R$ 2.284 para R
$ 2.203).

O índice de Gini, que mede a concentração de renda e desigualdade, também sofreu
redução, mas segundo Maria Lúcia, isso decorre da crise econômica do país e não 
da melhora na distribuição de renda. “As quedas do rendimento se deram muito mais
nos 50% da população que ganham mais do que nos 50% que ganham menos e isso fez 
com o que o Gini caísse”, afirmou. “A concentração diminuiu porque piorou mais para
quem estava melhor em vez de melhorar para quem estava pior”.

Para esse indicador, quanto mais próximo de zero menor a desigualdade, sendo o número
uma desigualdade máxima. O índice da distribuição do rendimento do trabalho caiu
de 0,490 em 2014 para 0,485 em 2015, seguindo trajetória decrescente da série desde
2004 (0,545).

Houve queda também no índice de distribuição do rendimento médio mensal real dos
domicílios particulares permanentes (0,494, em 2014, para 0,493 em 2015) e do rendimento
médio mensal de todas as fontes (de 0,497 em 2014 para 0,491, em 2015).

**Nordeste tem o maior nível de desigualdade**

A região Nordeste apresentou o maior nível de desigualdade na distribuição desse
rendimento (0,498), enquanto a Sul, o menor (0,441). Em termos de variação no período,
o Sudeste registrou a maior redução do Índice de Gini de 2014 para 2015, seguida
pela região Centro-Oeste.

Os 10% da população ocupada com os menores rendimentos recebiam 3,5% do valor obtido
pelos 10% da população ocupada com os rendimentos mais elevados. Em 2014, essa relação
era de 3,6%.

O grupo dos 10% de rendimentos mais elevados concentrou quase 40% do total de rendimentos
do trabalho, registrando em média R$ 7,4 mil, valor 5,9% menor do que o de 2014.
O grupo pertencente à classe dos 10% de menor rendimento mensal de todos os trabalhos
recebeu 1,4% do total de rendimento.

Em 2015, 44,7% dos domicílios particulares brasileiros que declararam ter algum 
tipo de rendimento contavam com até 1 salário mínimo (R$ 788) por morador no domicílio
dos 68,2 milhões de domicílios que declararam possuir rendimentos.

_Fonte: Agência Brasil_
