# Reforma do Ensino Médio  divide estudantes e gestores

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- Published: 2017-03-16T09:15:08-03:00
- Author: Ana Paula Bonelli

Uma das propostas é abrir espaço para o fim das aulas de disciplinas tradicionais
como geografia e história. Foto: Divulgação Agência Brasil

_Clarice Poltronieri_

A reforma do Ensino Médio no Brasil vem dando o que falar entre profissionais da
educação e estudantes na Serra, sobretudo por abrir espaço para o fim das aulas 
de disciplinas tradicionais como geografia e história. E também por permitir que
o aluno opte por qual área quer estudar em parte do curso: Linguagens, Matemática,
Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Sociais e Formação Técnica Profissional.

Prevê também o aumento gradual da carga horária anual de 800h para 1400h. Para o
presidente da União Municipal dos Estudantes da Serra (Emes), Harley de Andrade 
Brito Junior, os alunos vão perder com a reforma.

“Esta reforma sendo feita por medida provisória, sem ser debatida pelos profissionais
de educação, entidades estudantis e alunos. Outra coisa é que cada estudante escolhe
uma das áreas para se aprofundar, mas as escolas não vão oferecer todas. Cada unidade
só precisa ter dois desses campos e se o aluno escolher uma área que não tem no 
seu bairro ou cidade, será obrigado a fazer o que não quer. Ou se deslocar para 
longe”, argumenta.

Para a Secretária de Educação da Serra, Márcia Lamas, as mudanças não irão impactar
a rede municipal, que só oferta Ensino Fundamental. “Precisamos de uma reformulação
a ideia de educação integral com o aluno podendo optar por áreas que ele gosta é
ótima. Mas ficam dúvidas: em tempos de crise e corte, o governo vai conseguir investir
para isso? Haverá vagas para todos? E depois dos 4 anos que o governo vai financiar,
os estados terão condições de manter?”,  questiona.

O coordenador do curso de Informática para Internet do Ifes e Doutor em Educação,
Wagner Caldas, não vê a reforma com bons olhos. Ele disse que a implantação no Ifes
será prorrogada o quanto puder. A previsão é que seja implantada na instituição 
a partir de 2020.

Gerente da Assessoria de Currículo da Secretaria de Estado de Educação (Sedu), João
Paulo Derocy Cêpa, diz que a reforma deve chegar a rede estadual em 2019. E diferente
dos colegas, vê mais pontos positivos que negativos. “O aluno vai ter mais tempo
para estar em contato com conhecimentos,com a ampliação da carga horária; e vai 
poder escolher a matéria de acordo com suas aptidões, com a flexibilidade do currículo”,
enumera.  

O professor da rede municipal da Serra e de Vitória, doutor em Educação e Práticas
Educacionais Inclusivas, João Simplício Porto, diz que mudanças são necessárias,
mas é preciso mais debate.

“Precisamos de uma reestruturação no Ensino Médio, isso é um fato. A discussão deveria
ser bem mais ampla e regionalizada. Se olharmos o mapa, por exemplo da Base Nacional
Curricular Comum, os especialistas convocados se concentram na Região Sudeste. Assim,
todo o Ensino Médio terá um descompensamento  cultural e não abraçará a diversidade
de um país continental”, pondera.
