Que falatório é esse na política serrana?

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Eu tive meus primeiros contatos com o ativismo social no final da minha adolescência. Na transição das décadas de 1980 e 1990.

Não demorou muito para que eu adentrasse o universo caraterístico da política, marcado por seu vocabulário repleto de termos estranhos ao “menino” recém-iniciado: “questão de ordem”, “ratificação”, “adendo”, “encaminhamento” etc.

Em certos momentos, cheguei a pensar que havia uma provação ácida ou mesmo um xingamento, quando, na verdade, a expressão usada era aceita com naturalidade no ambiente, sobretudo no meio partidário.

Por exemplo, certa vez, durante o seu discurso, um companheiro disse que discordava da “falação” de quem o antecedeu. Pensei: “Poxa, falação é coisa de gente destrambelhada, que fala pelos cotovelos. Isso vai acabar em confusão”.

Que nada, aquilo era só mais um jargão e tudo transcorreu pacificamente.

Um bom tempo depois, quando eu já era dirigente do DCE da UFES e havia incorporado o uso da expressão ao meu vocabulário, disse durante um debate acalorado em sala de aula: “Professora, eu discordo da sua falação!”.

Foi o suficiente para que alguns da turma soltassem aquele: “Viiixe… pegou pesado!”. Depois, meus colegas disseram que eu havia chamado a professora de “falastrona”. O que não era verdade!

É claro que na aula seguinte pedi desculpas e expliquei o sentido da palavra na minha vida carregada de ativismo político.

Já deu para entender o quanto essa palavra ficou marcada na minha trajetória. Agora, vamos ao dicionário. Falação é sinônimo de “discurso”, “fala” ou “alocução”, mas também de “falatório” ede “ruído produzido por muitas vozes”.

Pois bem… Neste espaço editorial que tenho a honra de inaugurar no jornal TEMPO NOVO, farei uso de toda essa rica e controversa carga de significados do termo “falação”, que nomeia a coluna.

Por aqui, vou cotejar a conjuntura, traçar cenários, analisar pesquisas, repercutir entrevistas de bastidores e ecoar as falações de todos aqueles que se dedicam à construção da democracia e do sentido republicano em nossa cidade!

Aguardem, pois vem muito falatório por aí…

BURBURINHO 

– Há uma avenida aberta para a pré-candidatura a prefeito do deputado Alexandre Xambinho (REDE). Em seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa, ele é visto como a “cara nova” em ascensão na Serra.

– O destino do ex-prefeito Sérgio Vidigal,em 2020, depende de um arranjo amigável com o governador Renato Casagrande. Mas segundo dirigentes do PSB, o “italiano” vai mesmo apostar no secretário Bruno Lamas.

– Está todo mundo de olho na entrada em cena do médico Gustavo Peixoto (PROS).Membro de uma família peso-pesado na história da Serra, eletem um discurso forte em torno da medicina inovadora.

Ronaldo Cassundé é Publicitário e Consultor Político.

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