# PT diz que Vidigal flerta com bolsonarismo e que ‘retrocessos no país ameaçam contaminar a Serra’

- Link: https://www.portaltemponovo.com.br/pt-diz-que-vidigal-flerta-com-bolsonarismo-e-que-retrocessos-no-pais-ameacam-contaminar-a-serra/
- Published: 2021-02-16T11:17:13-03:00
- Author: Gabriel Almeida

![](https://www.portaltemponovo.com.br/wp-content/uploads/2021/02/militantes-do-
pt.jpeg "militantes do PT")

Comissão Executiva do PT se reuniu virtualmente e emitiu dura nota criticando escolhas
de Vidigal para secretárias. Foto: meramente ilustrativa/divulgação

Em uma dura nota pública produzida e encaminhada pela Comissão Executiva Municipal
do PT, o partido aponta uma guinada ‘bolsonarista’ do novo Governo liderado pelo
prefeito Sérgio Vidigal (PDT) na Serra. Além disso, a sigla fez críticas sobre a
futura reforma administrativa que deve tirar o status de Secretária da pasta de 
Direitos Humanos; também se posiciona contra o retorno às aulas presenciais e critica
a possiblidade da Serra implantar escolas cívico-militares – que é um projeto defendido
pelo presidente Jair Bolsonaro.

A nota é proveniente de uma reunião virtual feita pela executiva do PT ocorrida 
no último dia 11 de fevereiro. Vale destacar que a sigla esteve informalmente na
base partidária que reconduziu Vidigal para o 4º mandato de prefeito. Inclusive,
o ex-vereador Aécio Leite, que detinha forte influência no partido foi recentemente
nomeado para um cargo CC3 na Prefeitura, com salário base de R$4.300.

‘_Em ambiente de pandemia que aflige e mata nossa população, recessão econômica 
que empobrece nosso povo e retira direitos, uma política de austeríssimo que retroage
em garantias cidadãs, afirmações e proteções sociais, diminuir a presença do estado
não é o caminho adequado para melhorar a cidade e, portanto, também, a vida de seus
moradores_’, diz a nota.

E segue, afirmando que Vidigal trouxe – sem citar nomes – para funções e secretarias
relevantes, ‘_quadros expoentes defensores, reconhecidamente comprometidos com os
projetos do atual governo federal genocida, negacionista, neofacista e antidemocrático_’.

Na nota, o partido reconhece que prestou apoio no primeiro e segundo turno das eleições
do atual prefeito Sergio Vidigal, ‘_por acreditar, naquele momento, que por conta
de seu histórico recente de governo democrático e de participação popular, seria
o melhor a fazer ante o crescimento do projeto de direita que ganhava espaço na 
campanha_’.

No entanto, o partido afirma que o governo Vidigal tende para uma gestão de austeríssimo
fiscal, marca registrada dos governos neoliberais, o que na visão do partido ‘_significa,
sempre, o sucateamento e precarização das políticas públicas e espaços institucionais
de promoção, proteção social, defesa, acolhimento e amparo daqueles que precisam
da ação do poder público para a garantia de seus direitos_’.

Na nota, o PT afirma que faz questionamentos na condição de ‘_aliados políticos_’,
mas se posiciona contrária a presença de profissionais das forças públicas da Segurança,
gerindo pastas relacionadas a políticas sociais, ‘_trazendo enorme simbolismo e 
preocupação, pois significa que o debate amplo, franco e democrático está prejudicado’_,
diz a nota.

Apesar do partido não citar nomes de forma clara e objetiva, fontes internas indicam
que uma das nomeações que causaram desconforto no PT se trata da delegada de polícia
Gracimeri Gaviorno – que foi candidata à prefeita em 2020 pelo PSC – e recentemente
assumiu o comanda da Secretária das Mulheres.

A nora emitida pelo PT segue tecendo críticas ao novo governo municipal, referente
à possibilidade da reforma administrativa extinguir a Secretaria de Direitos Humanos
e Cidadania, alojando-a em outro espaço da gestão, retirando, portanto seu _‘protagonismo
assim como fez e faz, o governo Federal_’, fato que o PT considera ‘_um inaceitável
retrocesso na execução das políticas afirmativas e de proteção e reparação às violações
aos Direitos Humanos_’.

Na opinião do PT, caso essa mudança ocorra, irá acarretar na desconstrução do ‘_símbolo
da luta da população pobre e vulnerabilizada da cidade, o que vai frontalmente de
encontro às próprias iniciativas do governo do PDT, iniciada em 1997_’. E crava:‘
_não vamos nos calar_’.

A nota segue subindo o tom em relação as escolhas de Vidigal para secretárias relacionadas
a políticas sociais e minorias: ‘_Para nós as políticas afirmativas e de direitos
humanos e cidadania, mulheres, igualdade racial, consumidor, contra a homofobia,
juventude, populações de rua, criança e adolescentes, bem como todas as minorias
e vulneráveis e trabalho, emprego e renda não devem ser geridas por representes 
de forças de segurança públicas e ou pessoas que não vivenciam as reivindicações
do mundo do trabalho, para além disso, somos totalmente contrários a quaisquer iniciativas
que apontem para a construção de Escolas cívico militares_’.

Por fim o PT critica veementemente sobre o retorno das aulas presenciais (marcadas
para março na Serra), ‘_num momento em que vemos a explosão de contaminação do Corona
vírus, colocando em risco os trabalhadores da educação bem como toda população, 
os governos, estadual e municipal devem se esforçar para criar alternativas que 
garantam a segurança da população e foquem no combate à covid 19 como primeira prioridade_’.

O PT diz ainda que atuará para derrotar ‘a_s forças da extrema-direita e seus aliados,
especialmente este Governo Federal, por entender tratar-se de um governo ilegítimo,
resultado de um golpe jurídico-parlamentar, impetrado contra uma presidenta legitimamente
eleita, honesta, que não cometeu crime de responsabilidade_’. Vale destacar que 
em Sergio Vidigal, então deputado federal foi um dos parlamentares que votaram a
favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

O partido pede que sua militância – cerca de 3.000 filiadas na Serra – se una ‘_na
luta permanente contra os retrocessos em curso no país e que ameaçam contaminar 
nossa cidade_’.
