# Psiquiatra diz que informação é importante para prevenir suicídio

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- Published: 2018-09-12T14:59:20-03:00
- Author: Ana Paula Bonelli

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Depressão, transtornos mentais e psicológicos são fatores de risco, mas há casos
em que problemas sérios, como os financeiros, familiares ou afetivos também podem
ser a razão para a decisão. Foto: Agência Brasil

A cada 35 segundos, uma pessoa comete suicídio no mundo. No Brasil, uma pessoa comete
suicídio a cada hora. Os dados são da Associação Brasileira de Psiquiatria. Não 
é realmente incomum sabermos de casos de pessoas que se jogaram da Terceira Ponte
ou mesmo que se mataram usando arma, remédios e outros meios. Mas por que ainda 
se fala tão pouco sobre um problema social e de saúde pública tão grave? Ainda há
muito tabu sobre o tema, não há dúvida, e não é um assunto tão simples de ser tratado.

A psiquiatra da Unimed Vitória Andrea Arlotta destaca que a informação é muito importante
para que se possa prevenir o suicídio. “Claro que é preciso cuidado ao abordar o
tema, mas não há prevenção se não falarmos do assunto, não pode ficar velado”, analisa
a médica.

Ela explica que vários fatores podem levar alguém ao ato extremo de atentar contra
a própria vida. Geralmente, a depressão e/ou outros transtornos mentais (ou uma 
associação de problemas psicológicos) são fatores de risco, mas há casos em que 
problemas sérios, sejam financeiros, familiares ou afetivos, a dificuldade de lidar
com eles e a falta de solução podem também ser a razão para essa decisão.

“A depressão é uma das causas mais comuns, mas não necessariamente o suicida tinha
essa doença. O suicídio pode acontecer a partir de uma tristeza profunda gerada 
por uma situação específica”, explica a psiquiatra.

É importante que o assunto não fique escondido. É importante trazer as reflexões
sobre o suicídio à tona. “Vamos falar sobre o tema para diminuir os preconceitos
e julgamentos superficiais. Para isso, é preciso esclarecer. Não cabe a ninguém 
culpar ou julgar uma pessoa deprimida, em iminência de cometer o suicídio. Precisamos
estimular a empatia, fazer a sociedade comprar essa causa para que possa ajudar 
na prevenção. Às vezes, por falta de informação, deixa-se de auxiliar alguém que
está ali bem próximo precisando de um apoio”, diz Andrea.

Daí, tão fundamental quanto informar, é conscientizar sobre quais sinais indicam
que a pessoa pode ser uma suicida em potencial,  como se deve abordá-la e o que 
fazer para ajudar antes que chegue a esse ato extremo. “A pessoa que pensa em se
matar está desesperada, não aguenta mais sofrer, quer dar fim à dor, e não à vida,
mas acaba vendo no suicídio o único caminho para isso. Se deixamos de falar, se 
nos calamos diante do tema, deixamos também de ajudar muita gente que fica isolada
em seu sofrimento”.
