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sábado, 29 de fevereiro de 2020

Protesto de estudantes para o trânsito em avenida da Serra

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Maria Nascimento
Maria Nascimento é repórter do Tempo Novo há mais de 15 anos. Atualmente, a jornalista escreve para diversas editorias do portal, principalmente para a de Política.

Jailma Cristina está com medo que seu filho perca o estágio. Foto: Anderson Soares
Jailma Cristina está com medo que seu filho perca o estágio. Foto: Anderson Soares

Por Anderson Soares

Pais e alunos da Escola Estadual Vila Nova de Colares foram às ruas na manhã desta quarta-feira (18) e fecharam a avenida Talma Rodrigues que liga Laranjeiras a Jacaraipe com pneus e madeiras para protestar contra o novo projeto do Governo que prevê a implantação de ensino integral através do projeto “Escola Viva”.

Os manifestantes reivindicam que o projeto seja retirado da pauta de urgência da Assembleia Legislativa para que a sua implantação seja discutida com a participação mais efetiva de estudantes e professores das escolas onde estão previstas o novo sistema.

Segundo Virginia Alves que estuda na escola, os alunos foram informados pela Secretaria de Educação (Sedu) que o “Escola Viva” deve começar no inicio do segundo semestre e que o programa de Educação de Jovens e Adultos (Eja) será interrompido.

“Sou aluna do Eja, assim como muitas pessoas que trabalham durante o dia e dependem deste programa para concluir o ensino médio. Se ele de fato acabar, os nossos estudos ficarão comprometidos”, afirma Virginia.

Já Jailma Cristina da Sila mãe de um dos alunos, conta que está preocupada com o estágio que seu filho faz à tarde. “Se esse projeto for implantado nas coxas assim como está sendo, meu filho terá que optar pelo estudo na mesma escola em ensino integral ou mudar de escola e continuar fazendo o seu estágio. É complicado, pois já é difícil achar uma vaga em uma boa escola, quanto mais mudar no meio do ano letivo”, disse Janaina.

Além disso, Janaina comentou que a escola Vila Nova Colares não oferece estrutura para que o aluno permaneça nela durante todo o dia. “Um presídio tem mais estrutura para abrigar seus internos do que essa escola”, concluiu.

Na noite desta terça-feira (17), os alunos chegaram a fazer protesto em frente à escola. Agora, pela manhã resolveram fechar a avenida. A Policia Militar foi chamada para fazer a segurança dos manifestantes.

Insatisfeita

Houve quem ficou no meio do protesto e não gostou nada do trânsito ter sido interrompido. A passageira, Maria Aparecida, que estava no ônibus 523 que sai do Terminal de Jacaraipe com destino ao Terminal de Jardim América disse que os estudantes não tinham o direito de fechar todas as vias da avenida. “Eles ao menos, podiam liberam um dos lados para que os carros pudessem passar”, disse a passageira que estava indignada.

Polêmica

Não é só em Vila Nova que a proposta do Governo do Estado encontra resistências. O assunto foi palco de questionamentos durante audiência pública ontem (17) na Assembléia Legislativa, cuja galaria ficou lotada de estudantes e professores, um após a casa ter aprovado regime de urgência na tramitação do projeto de lei do executivo que institui o ensino em tempo integral das escolas da rede estadual. A princípio cinco escolas teriam a novidade, uma delas a de Vila Nova de Colares.

Na audiência o secretário estadual de Educação, Haroldo Correia, defendeu a medida e disse que o estudante e sua família poderão optar se querem ou não participar do ensino integral. Segundo ele quem não puder por razão de trabalho ou outro motivo, poderá continuar frequentando as aulas do horário convencional.

O Deputado Sérgio Majeviski (PSDB) é um dos críticos. “Temos a realidade de alunos que chegaram ao ensino médio sem saber ler e escrever. Isso sim deve ser solucionado. Em minha opinião, não é possível colocar um escola para funcionar em tempo integral, sendo que, feito isso, parte dos alunos terá que ser remanejada por falta de espaço, e eu te pergunto: Para onde vão esses alunos? ”, questionou.

O deputado Sandro Locutor (PPS) é outro que critica a medida e também pediu a retirada do pedido de urgência.  Já o deputado Erick Musso (PP), vice-líder do governo, defendeu a implementação do projeto.

A proposta

No novo modelo de ensino, o tempo de permanência do aluno na escola será ampliado para um período diário de nove horas e meia, sendo, no mínimo, sete horas e 30 minutos em atividades com orientação pedagógica. Os estudantes receberão refeição e lanche.

Entre as ações previstas estão o uso de mídias (televisão, jornal, rádio e revista) de forma articulada e a ampliação do currículo escolar com atividades nos campos da cidadania, ética, cultura e artes, esporte e lazer, direitos humanos, educação ambiental, inclusão digital, saúde, investigação científica, educação econômica e comunicação.

Inicialmente, a nova grade curricular será implantada em cinco escolas da Grande Vitória. O programa prevê ainda a melhoria da infraestrutura física, dos equipamentos e recursos tecnológicos necessários à eficiência pedagógica e da gestão.

 

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