# Promotora cuja demora soltou traficantes na Serra é suspensa pelo MP

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- Published: 2026-10-19T10:26:44-03:00
- Author: Yuri Scardini

A promotora de Justiça Mônica Bermudes Medina Pretti, ex-titular da 7ª Promotoria
Criminal da Serra, vai ficar 30 dias afastada das funções. O procurador-geral de
Justiça, Francisco Martínez Berdeal, aplicou a punição ao fim de um processo administrativo
disciplinar (PAD) aberto em 2025. A investigação começou depois que a demora da 
promotoria levou a Justiça a soltar traficantes e obrigou um advogado a fazer o 
trabalho do MP.

Berdeal assinou a decisão na quarta-feira (14), e o ato saiu na edição de quinta-
feira (15) do Diário Oficial do MPES. O documento não cita o nome da punida. Quem
revelou que se trata de Mônica Medina foi a [colunista Vilmara Fernandes, de A Gazeta](https://www.agazeta.com.br/colunas/vilmara-fernandes/promotora-que-atuava-na-serra-e-punida-com-suspensao-das-funcoes-1026),
nesta segunda-feira (19). Ainda não há data para o cumprimento da suspensão.

Esta é a segunda medida contra a promotora em cinco meses. Em maio, o Conselho Superior
do MPES já havia aprovado, por unanimidade, a remoção compulsória dela da Serra.

## O que diz o Diário Oficial

Na decisão, o procurador-geral considerou procedente a acusação disciplinar e aplicou
a suspensão prevista na Lei Orgânica do MPES. Segundo o ato, a promotora cometeu
infrações descritas em dois artigos da lei: um trata dos deveres dos membros do 
Ministério Público e o outro, das infrações disciplinares. Na escala de punições
da instituição, a suspensão só fica abaixo da disponibilidade punitiva e da demissão.

##### Leia também

 * [Única mulher no painel, promotora da Serra discute avanços do ES contra corrupção](https://www.portaltemponovo.com.br/unica-mulher-no-painel-promotora-da-serra-discute-avancos-do-es-contra-corrupcao/)
 * [Moradores reclamam da demora na retirada de galhos após poda de árvores em Castelândia](https://www.portaltemponovo.com.br/moradores-reclamam-da-demora-na-retirada-de-galhos-apos-poda-de-arvores-em-castelandia/)
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Coube justamente a Berdeal assinar a punição. Em julho de 2025, quando os primeiros
casos vieram à tona, ele afirmou que não tinha nenhuma informação de que algo anormal
acontecia na promotoria.

## Como o caso da promotora da Serra veio à tona

Tudo começou com uma tragédia. Em abril de 2024, as amigas Natiele Lima dos Santos
e Luma Alves da Silva, ambas de 19 anos, [morreram em um acidente de carro na Serra](https://www.portaltemponovo.com.br/motorista-de-acidente-que-matou-duas-jovens-na-serra-e-solto-sem-pagar-fianca/)
quando voltavam de um bar em Vitória. Outros dois jovens ficaram feridos. O motorista,
de 24 anos, se recusou a fazer o teste do bafômetro e foi autuado por duplo homicídio
culposo.

O caso chegou à 7ª Promotoria Criminal e parou ali. Por mais de 90 dias, a promotoria
não apresentou denúncia, não pediu novas diligências nem arquivou o processo. Diante
dessa inércia, o advogado Fábio Marçal, que representa as famílias, recorreu a um
instrumento raro: ele mesmo apresentou a acusação, por meio de uma queixa-crime.
Em 17 de julho de 2025, a 3ª Vara Criminal da Serra aceitou o pedido e tornou o 
motorista réu.

## Traficantes soltos por excesso de prazo

Quatro dias depois, outro caso expôs a mesma promotoria. Seis integrantes de uma
quadrilha de Novo Horizonte, apontada como uma das mais violentas da Serra,[ tinham deixado a prisão](https://www.portaltemponovo.com.br/traficantes-mais-violentos-da-serra-sao-soltos-pela-justica/)
entre março e maio de 2025. Eles estavam presos desde 2021, acusados de tráfico 
e de um homicídio brutal. Segundo a Polícia Civil, a vítima foi perseguida, baleada,
espancada e esfaqueada na frente de moradores do bairro.

O processo estava na reta final. A defesa já tinha entregado as alegações finais,
e faltava apenas a manifestação do MP para o juiz decidir se o grupo iria a júri
popular. A 3ª Vara Criminal da Serra intimou a promotoria cinco vezes, e ela deixou
todos os prazos vencerem. Por isso, a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (
TJES) mandou soltar os réus, com tornozeleira eletrônica. Os desembargadores consideraram
injustificável a demora de quase quatro anos sem concluir a primeira etapa do júri.

## Terceiro caso envolveu morte de jovem em São Domingos

Em setembro de 2025, apareceu um terceiro episódio. Em março daquele ano, a 3ª Vara
Criminal da Serra tinha relaxado a prisão de três acusados de matar Yuri da Silva
Machado, de 24 anos. O jovem foi morto a tiros em agosto de 2022, no bairro São 
Domingos. Mais uma vez, a promotoria foi intimada duas vezes para apresentar os 
memoriais finais e não respondeu. Os três só continuaram atrás das grades porque
também respondiam por outros crimes.

## Força-tarefa encontrou 291 processos parados

A sequência de casos obrigou o MPES a agir. No fim de julho de 2025, a chefia do
órgão designou oito promotores para uma força-tarefa na 7ª Promotoria Criminal da
Serra, que acumulava 291 processos à espera de manifestação. Em agosto, a Corregedoria
fez uma fiscalização extraordinária na unidade e começou a ouvir promotores e testemunhas.
Os autos dos processos mostram que a Justiça vinha comunicando os atrasos à Procuradoria-
Geral.

## Remoção compulsória, medida rara no MPES

Em maio de 2026, o Conselho Superior do MPES aprovou, por unanimidade, a remoção
compulsória da promotora. A decisão é pouco comum porque promotores têm a garantia
constitucional da inamovibilidade: só podem ser tirados do posto contra a própria
vontade por interesse público.

A Corregedoria identificou situações graves, como baixa produtividade, com impacto
para a população e para a credibilidade da instituição. A 7ª Promotoria é uma das
três ligadas ao Tribunal do Júri da Serra, município que costuma liderar o ranking
de mortes violentas intencionais no Estado.

## O que diz a promotora

Em nota enviada à A Gazeta, a defesa de Mônica Medina afirmou que respeita a decisão,
mas avalia recorrer. Os advogados destacaram os 20 anos de carreira da promotora
e informaram que, só no ano passado, ela atuou em 25 júris, com apenas duas absolvições.

A defesa também alegou que, no período investigado, a promotora passava por momentos
pessoais difíceis e estava em tratamento médico. Segundo a nota, o processo inclui
laudo e depoimento profissional sobre a condição dela.

## O que diz o MPES

O [MPES](https://mpes.mp.br/) informou que o processo disciplinar tramita sob sigilo
e que, por isso, não vai comentar além do que já foi publicado oficialmente.
