# Projeto promove o repovoamento do Jacaré-de-Papo-Amarelo no Espírito Santo

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- Published: 2025-05-23T11:47:48-03:00
- Author: Jady Oliveira

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Parceria técnica e científica reúne esforços públicos e privados para criar modelo
inédito que usa jacarés que habitam em área industrial para repovoar a sua população
pelo ES/ Divulgação

Os jacarés da espécie (Caiman latirostris), ou como são popularmente conhecidos 
jacaré do papo-amarelo, presentes no Espírito Santo participarão de um programa 
inedito de conservação ambiental na Serra.

A iniciativa utiliza como base populacional os jacarés presentes no cinturão verde
da unidade de Tubarão da ArcelorMittal, onde está localizada a maior e mais saudável
população da espécie no estado, para promover o repovoamento e garantir a sobrevivência
de uma espécie em risco de extinção.

O início do programa acontece a partir da formalização de um Acordo de Cooperação
Técnica para a criação de um projeto pioneiro de monitoramento, conservação e repovoamento
dos jacarés-de-papo-amarelo em Unidades de Conservação do Estado.

Coordenado pelo Instituto Marcos Daniel (IMD), em parceria com a ArcelorMittal, 
a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEAMA), o Instituto
Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA) e o Ministério Público do Estado
do Espírito Santo (MPES), o programa também visa criar um modelo replicável que 
integre conservação ambiental, educação e desenvolvimento sustentável.

No projeto, os ovos das espécies de jacarés que habitam as lagoas da ArcelorMittal,
na Serra, serão levados para uma incubadora no Parque Estadual de Itaúnas, em Conceição
da Barra, onde serão criados até um ano de idade e depois serão soltos no ambiente,
promovendo o repovoamento nesta localidade e expandindo a presença do jacaré-de-
papo-amarelo no Estado.

O jacaré-de-papo-amarelo, espécie símbolo da Mata Atlântica e registrado como “Em
perigo” na Lista Estadual de Espécies Ameaçadas de Extinção, desempenha um papel
fundamental no equilíbrio dos ecossistemas aquáticos e terrestres. Com duração prevista
de até 10 anos, o projeto prevê ações como monitoramento ecológico, repovoamento
com exemplares nascidos em ambientes protegidos, educação ambiental e formação de
pesquisadores. Além disso, busca envolver a sociedade em práticas de conservação
e promover a restauração de habitats.

Para o Gerente Geral de Sustentabilidade e Relações Institucionais da ArcelorMittal,
Bernardo Enne, o projeto de conservação representa uma oportunidade de inovação 
e compromisso com a proteção ambiental. “A sustentabilidade é um valor na ArcelorMittal
e está em nossa prática diária. Este valor é comprovado com a nossa produção responsável
de aço, certificada pelo ResponsibleSteel, um programa independente e que garante
uma produção de aço de acordo com princípios de sustentabilidade e respeito ao meio
ambiente. E a nossa parceria com o Caiman reforça esta nossa atuação responsável.
Este projeto reflete nosso compromisso com a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento
sustentável, conectando-se com nossas práticas de ESG. Além de proteger uma espécie
em risco, ele exemplifica como empresas e instituições podem colaborar para a preservação
de nosso patrimônio natural”, disse.

O secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Felipe Rigoni, também
considera a cooperação entre diferentes setores fundamental para o sucesso de iniciativas
de preservação. “Temos muito orgulho de iniciar este que é um modelo extremamente
inovador de sustentabilidade e proteção de espécies ameaçadas de extinção. Trata-
se de um verdadeiro exemplo para o mundo. A conservação da natureza e o desenvolvimento
econômico e social podem caminhar lado a lado. Estamos engajados, unindo os diferentes
setores da sociedade, para impedir a extinção do jacaré-de-papo-amarelo e promover
a melhora da qualidade dos ecossistemas capixabas”, disse.

O coordenador do Projeto Caiman, Yhuri Nóbrega, acrescenta que o programa é o resultado
de um trabalho contínuo de pesquisa e proteção. “O uso dos jacarés do cinturão verde
da ArcelorMittal como população fonte para o repovoamento demonstra como ciência
e sustentabilidade podem caminhar juntas. Essa iniciativa vai além da preservação
da espécie, permitindo que educação e conscientização ambiental alcancem a sociedade
de forma significativa”, comentou.

“Fazer parte desse importante projeto de proteção aos jacarés do papo-amarelo é,
para nós, a materialização do nosso dever constitucional de proteger o meio ambiente,
garantir o direito dos animais e a biodiversidade. Nesse sentido, o Ministério Público
do Estado do Espírito Santo busca cada vez mais estabelecer e fortalecer parcerias
com os órgãos públicos, entidades civis e setores da iniciativa privada, por acreditar
que a atuação articulada é extremamente eficaz para o alcance de resultados mais
céleres à proteção ambiental. Preservar a fauna é preservar a vida”, concluiu Bruna
Legora de Paula Fernandes, promotora de Justiça e Dirigente do Centro de Apoio Operacional
da Defesa do Meio Ambiente do MPES.

Além das ações de proteção e educação, o projeto prevê o acompanhamento dos resultados
obtidos, como o aumento da população de jacarés-de-papo-amarelo nas áreas de repovoamento
e a redução da taxa de mortalidade. As ações desenvolvidas pelo IMD, em parceria
com a ArcelorMittal, também contribuem para o alcance de seis dos 17 Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, incluindo educação de qualidade, ação 
climática e preservação da vida na água e na terra.
