# Professores da Serra não concordam com volta às aulas e temem contaminação por Covid-19 nas escolas

- Link: https://www.portaltemponovo.com.br/professores-da-serra-nao-concordam-com-volta-as-aulas-e-temem-contaminacao-por-covid-19-nas-escolas/
- Published: 2020-08-16T15:58:47-03:00
- Author: Gabriel Almeida

[[

Gabriela Félix é uma das professoras que não apoia o retorno presencial neste momento.
Foto: Arquivo pessoal

Com uma queda na velocidade da transmissão da Covid-19 em terras capixabas, o Governo
do Estado afirmou que as [aulas presenciais em escolas públicas da Serra e de outras cidades do Espírito Santo podem ser retomadas em setembro.](https://www.portaltemponovo.com.br/casagrande-sinaliza-que-aulas-presenciais-podem-voltar-em-setembro-no-es/)
O anúncio trouxe temor para os professores, que não se sentem seguros e acham arriscado
a volta às aulas neste momento. O **TEMPO NOVO** conversou com a categoria, que 
relatou ainda que o ambiente escolar não está preparado para uma pandemia.

Todos os professores ouvidos pela reportagem responderam “não” para a pergunta enviada:“
Você concorda com a volta às aulas neste momento?”. Os profissionais ainda relataram
outros problemas que serão enfrentados pelas escolas, caso as aulas sejam retomadas.
Entre eles, está a falta de estrutura: salas apertadas e com muitos estudantes em
locais, que muitas vezes, recebem pouca ventilação.

Um outra preocupação dos profissionais é com o caminho dos estudantes para as escolas,
já que muitos estudantes utilizam o transporte coletivo, que nos horários de picos
estão sempre lotados. Muita aglomeração pode ser sinal de contaminação. E um aluno
contaminado dentro da escola pode ser um grande risco para funcionários e estudantes.

Uma das professoras ouvidas pelo **TEMPO NOVO** é a Gabriela Felix. Com licenciatura
e bacharelado em química, a moradora da Serra não concorda com a volta às aulas 
nesse momento de pandemia. De acordo com ela, a retomada presencial é precipitada.“
Temos visto ao redor do mundo tantas retomadas e tantas mudanças ao mesmo tempo.
Retomam, acontece a contaminação e, mais uma vez, fecham escolas”, destacou.

Gabriela ainda alertou que as flexibilizações de medidas contra a pandemia causaram
um certo relaxamento nas pessoas. “Sabemos da importância do convívio social para
crianças e adolescentes; sabemos que muitos pais precisam trabalhar e a escola é
o local onde muitos alunos ficam para que isso seja possível. Mas quanto vale a 
vida? Se observarmos ao nosso redor, a flexibilização ajudou a relaxar o comportamento
das pessoas. Muitas não estão cumprindo mais os protocolos para evitar uma possível
contaminação”.

**[+ Volta às aulas: pais da Serra estão inseguros e dizem que não deixarão filhos irem para escola](https://www.portaltemponovo.com.br/volta-as-aulas-pais-da-serra-estao-inseguros-e-dizem-que-nao-deixarao-filhos-irem-para-escola/)**

E continuou: “O trajeto casa-escola, dentro do transporte público, também pode aumentar
a aglomeração em horários de pico. Como professora e mãe, acho arriscado um retorno
sem qualquer garantia concreta de protocolos e medidas que assegurem a vida de todos.”

Fabrício Rufino, também morador da Serra, conversou com a reportagem e também disse
ser contra o retorno das aulas nessa atual situação. “É muito arriscado e agravante
o retorno as aulas presenciais, principalmente pelo fato de ocorrer em momento de
desmobilização de recursos de saúde e desmonte/remanejamento de leitos para a Covid,
que podem ser demandados de forma súbita num cenário de espalhamento da doença em
função da volta às aulas.”

Também da Serra, Sebastião Garcia afirmou temer morte de alunos e estudantes por
causa do coronavírus. “Diante de um quadro de possibilidades reais de morte súbita
pelo vírus, ainda sem o controle da Ciência, retornar para a sala de aula seria 
uma pena de morte para muitos de nós, Educadores. Muitos de nós não se comportariam
como robôs, ao evitar um abraço de muitos de nossos alunos, seja pelo tempo de afastamento
ou mesmo pelo hábito normal de cumprimentar.  Assim também seria entre eles alunos”,
destacou o profissional.

_**DA REDAÇÃO:** As falas dos professores foram reduzidas para melhor leitura da
matéria. Você, internauta, pode conferir os depoimentos na íntegra no final dessa
reportagem. _

#### **Na Serra, aulas continuam suspensas até dia 31 de agosto **

[[

Aulas na Serra continuam suspensas, mas podem ser retomadas em breve. Foto: Jansen
Lube

Na semana passada, o secretário Municipal de Educação da Serra, Gelson Junquilho,
afirmou que ainda não existe previsão para volta às aulas. “O retorno dos alunos
só acontecerá após as recomendações dos órgãos de saúde e seguindo o protocolo sanitário
da Secretaria Municipal de Educação, que está em fase de discussão.”

Além disso, assim como na rede estadual, o secretário informou que a Serra deve 
trazer mudanças no retorno às aulas. Entre elas, está o rodízio de alunos; o distanciamento
das carteiras na sala de aula; a obrigatoriedade do uso de máscaras e a constante
higienização das mãos.

A rotina de recreio terá que ser adaptada para obedecer aos protocolos de saúde 
e evitar aglomerações. A tendência é que as crianças façam as refeições em refeitórios,
por serem áreas abertas, e em sistema de rodízio de horários.

“Equipamentos de EPIs estão sendo comprados, como máscaras para os profissionais
e estudantes; álcool em gel, tapetes com barreira sanitária; totem dispay para álcool
em gel; papel toalha; hipoclorito de sódio; e outros”, afirmou.

#### **Declaração de Casagrande sobre possível retorno de aulas presenciais**

[[

Renato Casagrande afirmou que aulas poderão ser retomadas em setembro. Foto: Ales

“Temos muita vontade de voltar com as aulas presenciais, mas ainda estamos em dúvida.
Temos algumas regiões do Estado, como o litoral Sul, por exemplo, em que temos uma
transmissão acima de 1. Não é só o índice de transmissão que estamos atentos. Ainda
temos uma letalidade alta, ainda temos número de pessoas que perdem a vida muito
alto. Ainda estamos no dia 6, precisamos avançar um pouco mais para tomar medidas.
Estamos na expectativa de que em setembro a gente possa voltar, mas ainda não posso
bater o martelo”, destacou o governador Renato Casagrande na coletiva dada no início
deste mês.

Casagrande ainda explicou sobre a queda na velocidade da transmissão. “Nós estamos
em queda. Vamos continuar identificando muitos casos de pessoas com coronavírus 
no Estado até chegarmos ao número total. Os municípios estão testando mais, nós 
estamos crescendo o número de pessoas identificadas com a Covid-19. É importante
a gente avaliar que a velocidade de transmissão está caindo e avaliar o número de
óbitos, que também está caindo. Isso é uma vitória de uma batalha, temos muito pela
frente ainda”, afirmou.

#### **Leia na íntegra a opinião de cada professor ouvido pela reportagem:**

 * **Gabriela Félix **

_O que você acha sobre a volta às aulas?_

“Retorno, nesse momento, é algo precipitado. Temos visto ao redor do mundo tantas
retomadas e tantas mudanças ao mesmo tempo. Retomam, acontece a contaminação e, 
mais uma vez, fecham escolas. Sabemos da importância do convívio social para crianças
e adolescentes; sabemos que muitos pais precisam trabalhar e a escola é o local 
onde muitos alunos ficam para que isso seja possível. Mas quanto vale a vida? Se
observarmos ao nosso redor, a flexibilização ajudou a relaxar o comportamento das
pessoas.

Muitas não estão cumprindo mais os protocolos para evitar uma possível contaminação.
A fala do nosso secretário, em entrevista, diz que os nossos alunos já estão cumprindo
protocolos e que a retomada será fácil por isso. Não! Seja em bairro de classe media
ou periferia, o que se observa é que muitos já não estão cumprindo nenhuma regra
de distanciamento mais. Que garantias temos sobre o cumprimento desses protocolos
por parte de toda a comunidade escolar?

Pequenos espaços, falta de dinheiro para o básico dentro das escolas ajudará a reduzir
qualquer risco de contaminação? E não é só a escola. O trajeto casa-escola, dentro
do transporte público, também pode aumentar a aglomeração em horários de pico.
 
Como professora e mãe, acho arriscado um retorno sem qualquer garantia concreta 
de protocolos e medidas que assegurem à vida de todos

_Acha que o ambiente escolar está pronto para receber alunos em meio à pandemia?_

“Não está pronto. Como garantir a separação de 40 alunos matriculados em uma sala
num pequeno espaço entre cadeiras, mochilas? Como garantir que não exista contato
entre 600 – 1000 estudantes no horário do recreio? Não é apenas a questão de protocolos.
Será que a escola e seus professores estará preparada para receber estudantes cheios
de questões emocionais por conta do isolamento?

Muitos vão ter perdido parentes por causa do coronavírus (COVID-19) ou os pais ficaram
desempregados, o padrão de vida pode ter sofrido uma queda brusca, enfim, os problemas
são diversos. Será que teremos suporte da Secretaria de Educação para atender esse
tipo de demanda?

E nós professores? A escola estará preparada para receber um professor desgastado
por um serviço remoto no qual nunca fui preparado? E nossas questões emocionais?

Será que a escola também estará pronta para nos ouvir? São diversas questões a serem
debatidas e o que temos observado é a falta de diálogo entre Sedu, escola e seus
dois principais protagonistas: professores e alunos.”

 * 
   ##### **Fabrício Rufino**
   

“É muito arriscado e agravante o retorno as aulas presenciais, principalmente pelo
fato de ocorrer em momento de desmobilização de recursos de saúde e desmonte/remanejamento
de leitos para a Covid, que podem ser demandados de forma súbita num cenário de 
espalhamento da doença em função da volta às aulas.”

 * 
   ##### **Sebastião Garcia **
   

“Nós temos acompanhado, com preocupação, as pressões políticas dos empresários das
escolas particulares e do Governo Federal para o retorno das aulas presenciais. 
Durante a pandemia temos (nós professores da rede pública de ensino) realizamos 
e enviamos nossas atividades através das ferramentas da internet, e lhe confesso,
que isto não é bom; nem para nós e acredito que, muito menos para os alunos que,
isoladamente têm que realizar essas atividades sem o apoio físico do(a) Professor(
a). Sabemos que é muito difícil para os alunos.

Entretanto, diante de um quadro de possibilidades reais de morte súbita pelo vírus,
ainda sem o controle da Ciência, retornar para a sala de aula seria uma pena de 
morte para muitos de nós, Educadores. Muitos de nós não se comportariam como robôs,
ao evitar um abraço de muitos de nossos alunos, seja pelo tempo de afastamento ou
mesmo pelo hábito normal de cumprimentar. Assim também seria entre eles, alunos.

Portanto, mesmo com os chamados protocolos das autoridades de saúde, que visam defender
os interesses financeiros daqueles donos de escolas particulares, muitos Profissionais
das escolas estariam em grave risco de perderem suas Vidas. Ainda considerando o
desconhecimento completo das formas de contágio pelos cientistas.
 Teremos que aguardar
que tenhamos as reais condições de segurança para que os Professores(as) possam 
voltar a atuar. Diferente do que manifesta o presidente da nossa República, a vida
deve estar em primeiro lugar. E não se forma um(a) bom professor (a) em apenas algumas
semanas.”
