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terça-feira, 14 de julho de 2020

Prefeitura diz que só poderá iniciar engordamento de praias após março

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Bruno Lyrahttps://www.portaltemponovo.com.br
Repórter do Tempo Novo há mais de 10 anos, Bruno Lyra escreve para diversas editorias do portal, principalmente Economia e Meio Ambiente, das quais é o responsável.

Sufistas e ativistas vêm questionando o projeto por conta dos impactos ambientais e cobram da Prefeitura a realização de uma audiência pública. Foto: Fábio Barcelos

As obras do engordamento de praia para tentar conter o avanço do mar na Serra só poderão ser iniciadas após março, em virtude da desova das tartarugas, cuja temporada de reprodução começou em setembro. A informação foi passada na última quarta-feira (19) pela assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma).

A Semma disse que fez estudo para identificar os pontos críticos e decidiu que oito trechos de praia em cinco balneários – Manguinhos, Jacaraípe, Costa Bela, Marbella e Nova Almeida – precisarão ser ampliados com areia vinda de outros locais do litoral que não têm problema de erosão. O que irá totalizar engordamento em área de 61,3 mil m2 de praia, o equivalente a 87 campos de futebol oficiais.

A assessoria de imprensa do órgão explicou, também, que neste momento a Semma está finalizando projetos executivos para verificar se os oito pontos mantêm as mesmas necessidades apresentadas no estudo.

No último final de semana, moradores da região de Jacaraípe presenciaram funcionários de uma empresa de consultoria ambiental fazendo medições na praia. A reportagem questionou a Semma se já está contratada a empreiteira para realizar o engordamento – que, na prática, é retirar areia de um local que pode ser tanto na praia quanto no fundo do mar para por em outro –, mas não obteve resposta. Também não foi informado o valor; mas no ano passado, a secretária de Meio Ambiente da Serra, Áurea Galvão, disse que as intervenções poderiam custar R$ 1,5 milhão.

A Semma também não detalhou como serão feitos a remoção, o transporte e a deposição da areia. Mas adiantou que a erosão mais severa ocorre em pontos onde a restinga – vegetação nativa da praia – está mais degradada. Por isso, prometeu que, além do engordamento da praia, irá recuperar a restinga nos trechos que devem receber a intervenção.

Apesar da promessa de recuperação de restinga, recentemente, ações da Prefeitura degradaram essa vegetação. Uma delas foi em novembro do ano passado,num trecho entre Praia da Baleia e Manguinhos. A outra ocorreu em janeiro deste ano, no Balneário Carapebus. E em julho de 2018, sob justificativa de poda, a Prefeitura acabou cortando a restinga que havia sido recuperada por ativistas e surfistas no Solemar, em Jacaraípe. As três situações foram noticiadas pelo TEMPO NOVO.

Oceanógrafo e ativistas alertam para impactos e criticam medida

O oceanógrafo da Ufes Lucas Bermudes de Castro defende que o engordamento de praias é medida extrema e só deve ser usada em último caso. “É o que prevê o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro, que deve ser adaptado pelos estados e municípios. A recuperação de restinga seria mais eficiente”, aponta.

Lucas acrescenta que em Jacaraípe, no fundo do mar próximo à costa, há estruturas naturais de rochas cobertas de organismos que, ao morrerem, soltam os sedimentos que formam a areia da praia. “Soterrá-los para o engordamento pode piorar o problema de erosão a longo prazo e diminuir as ondas, pois aumentando a areia, a praia vai ficar mais funda. Como as intervenções estão previstas no Barrote, emCapuba e Baleia, locais onde há picos de surf, vai atrapalhar ou até acabar com o esporte nesses locais”, avalia.

Costa Belaé outro ponto onde está previsto o engordamento.Morador do balneário e ex-presidente do movimento comunitário local, Maurício Costa teme pelas tartarugas. “Elas se alimentam sobre os corais que serão soterrados. Penso, também, que esse engordamento pode estimular a ocupação imobiliária dos terrenos que estão mais perto da praia”, acrescenta.

Ativista da Associação de Surf do Estado do Espírito Santo (Ases), Pablo Torres, quer que a Prefeitura faça uma audiência pública para explicar o projeto. “Até agora, só tivemos acesso a um power point. Onde está o estudo morfodinâmico da costa que justifique essa medida? A Prefeitura corta restinga e depois quer engordar praia. Isso é incoerente. E falou que vai usar areia da foz do rio Jacaraípe, que é poluído. É algo que vai afetar o surf, o turismo e o comércio associados aos esportes aquáticos em Jacaraípe, além da pesca e dos impactos ao meio ambiente”, enumera.

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