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sábado, 06 de junho de 2020

Pó preto castiga morador de Praia de Carapebus

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Bruno Lyrahttps://www.portaltemponovo.com.br
Repórter do Tempo Novo há mais de 10 anos, Bruno Lyra escreve para diversas editorias do portal, principalmente Economia e Meio Ambiente, das quais é o responsável.

Morador mostra quantidade de pó preto dentro de sua residência na Serra. Foto: Divulgação

O forte vento sul que soprou na semana passada aumentou um antigo problema dos moradores da Serra vizinhos ao complexo de Tubarão (Vale e ArcelorMittal): o pó preto. Segundo quem vive na região de Carapebus, a situação piorou muito entre a tarde da última terça-feira (4) e a manhã de quarta (5).

“Está uma coisa insuportável. As pessoas com a saúde mais frágil, como crianças e idosos, ou com doenças graves, como os que estão enfrentando câncer, correm muito risco. Não aguentamos mais esse descaso. São donas de casa que têm que limpar a residência mais de uma vez. Não queremos continuar respirando esse pó preto. Protocolei denúncia na Semma (Secretaria Municipal de Meio Ambiente) e Iema (Instituto Estadual de Meio Ambiente) e pedi a outros moradores que fizessem o mesmo”, desabafa o presidente da Associação de Moradores de Praia de Carapebus, Anderson Soares.

Segundo Anderson, além do pó preto, a comunidade também sofre com barulho que lembra ferro batendo e odores semelhantes a “cheiro de enxofre”, que estariam emanando da área da Arcelor. “Isso ficou muito forte depois da instalação da Sun Coke (Sol Coqueria) na Arcelor, perto do bairro há pouco mais de 10 anos”, observa.

Também residente no bairro, Valdinei Coelho até fez um vídeo. E a quantidade de poeira que ele mostra impressiona. “Até quando a gente vai ficar nesse sofrimento em Praia de Carapebus com o pó de minério. Você não consegue manter uma casa limpa. Aqui, a gente morre com isso”, protesta. 

 

Moradora de Praia de Carapebus há 37 anos, Adriana Pereira dos Santos diz que o problema se agravou nos últimos anos. “Eu tenho renite e isso piora minha saúde. Outras pessoas da minha família tossem, espirram quando o vento sul traz esse pó. Não tenho o prazer de estar em casa, nada fica limpo. Um dia meu piso foi branco, hoje é encardido. A vontade que tenho é seguir o que fizeram alguns vizinhos, que foram embora daqui por causa de tanto pó preto”, desabafa.

Arcelor promete investir em mais controle

Em nota, a ArcelorMittal Tubarão disse que vai investir em novos controles para reduzir a emissão de pó preto. Esses investimentos fazem parte do Termo de Compromisso Ambiental (TCA) e totalizam mais de R$ 1 bilhão, em projetos de curto, médio e longo prazos. A empresa disse, também, que além da siderurgia, há outras fontes de poluição na Grande Vitória e que os ventos fortes dessa semana incidiram sobre essas várias fontes.

Sobre os odores, a Arcelor disse que está fazendo estudo com a Ufes, junto à comunidade, para identificar as fontes e definir tratativas. Quanto ao barulho, a empresa afirma que opera dentro das normas. Confira a íntegra da resposta da siderúrgica na matéria publicada no portal Tempo Novo. A Vale, por sua vez, não respondeu aos questionamentos.

Responsável pela licença, monitoramento da qualidade do ar e fiscalização de Vale e Arcelor, o Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) não se posicionou sobre as denúncias até o fechamento desta edição, às 18h de ontem (6).

Já a Secretaria de Meio Ambiente da Serra (Semma) disse que acompanha o TCA de Vale e Arcelor e que também fiscaliza a região. Entretanto, não informou se tomará alguma medida diante da denúncia dos moradores.

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