# Percentual de negros em universidades dobra, mas é inferior ao de brancos

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- Published: 2016-12-02T10:32:30-02:00
- Author: Ana Paula Bonelli

Aumenta o número de negros que conseguem chegar à universidade, mas percentual 
ainda é inferior ao de brancos. Foto: Divulgação Agência Brasil

O percentual de negros no nível superior deu um salto e quase dobrou entre 2005 
e 2015.  Em 2005, um ano após a implementação de ações afirmativas, como as cotas,
apenas 5,5% dos jovens pretos ou pardos na classificação do IBGE e em idade universitária
frequentavam uma faculdade. Em 2015, 12,8% dos negros entre 18 e 24 anos chegaram
ao nível superior, segundo pesquisa divulgada hoje (2) pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE).

Comparado com os brancos, no entanto, o número equivale a menos da metade dos jovens
brancos com a mesma oportunidade, que eram 26,5% em 2015 e 17,8% em 2005. Os dados
foram constatados pela Síntese de Indicadores Sociais – Uma análise das condições
de vida da população brasileira. A pesquisa também mostra que os anos de ensino 
influenciam no salário: quanto maior a escolaridade, maior o rendimento do trabalhador.

De acordo com o IBGE, a dificuldade de acesso dos estudantes negros ao diploma universitário
reflete o atraso escolar, maior neste grupo do que no de alunos brancos. Na idade
que deveriam estar na faculdade, 53,2% dos negros estão cursando nível fundamental
ou médio, ante 29,1% dos brancos.

Na última década, o Brasil conseguiu aumentar o número de estudantes entre 15 e 
17 anos no Ensino Médio de 81,6% para 85%. No entanto, o IBGE avalia que o crescimento
foi tímido e destaca o impacto da “pedagogia da repetência” na evasão escolar entre
os mais pobres.

Estudos citados pelo IBGE apontam que a alta repetência ainda no ensino fundamental“
vem prejudicando uma geração”, uma vez que jovens ficam desestimulados a estudar.“
Os dados internacionais mostram que, em 2009, o Brasil era o país que tinha a maior
taxa de repetência no [ensino] fundamental, comparado aos demais da América Latina
e Caribe”, disse a especialista do IBGE responsável pelo tema, Betina Fresneda. 

**Pobres têm mais acesso a universidades**

Por outro lado, na década, apesar das dificuldades de acesso, as ações afirmativas
ou políticas públicas como o Programa Universidade para Todos (Prouni) – de bolsas
em universidades privadas – sinalizam uma “tendência de democratização” do ensino
superior, segundo o relatório. O percentual de alunos pobres nas universidades públicas
passou de 6,2% para 8,3%, enquanto nas pagas subiu de 0,8% para 4%.

“Essas políticas vão desde o aumento de reservas de vagas nas instituições públicas
direcionadas aos alunos de diferentes perfis (pessoas com deficiência, procedentes
de escola pública, com baixa renda familiar, etnias específicas etc.) até o aumento
do financiamento estudantil reembolsável ou não reembolsável disponível aos alunos”,
destaca o documento do IBGE.

Além de políticas públicas para incentivar jovens a frequentar universidades, o 
IBGE destaca como incentivadores deste aumento os programas de aceleração escolar,
que corrigem a defasagem idade-ano de alunos repetentes, e a condição econômica 
das famílias, que permitiram aos jovens estudar, em vez de se dedicarem só ao trabalho.

No período, a escolaridade média do brasileiro com 25 anos ou mais também subiu 
para 7,9 anos, o que ainda não corresponde ao ensino fundamental completo. A defasagem
em relação a outros países, como o Chile, onde a população alcançou 7,3 anos de 
escolaridade em 1985, mostra, segundo o IBGE, que “o déficit educacional brasileiro
é histórico e que sua alteração é necessariamente lenta”.

Já a taxa de analfabetismo entre as pessoas com 15 anos ou mais caiu de 11,1% para
8%. Entre os brasileiros com mais de 65 anos, um em cada quatro não sabem ler nem
escrever – mas este indicador também apresentou diminuição.

**Educação infantil**

Com a obrigatoriedade de crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos frequentarem 
a escola, a partir de 2013, os indicadores sobre educação infantil também melhoraram.
O número de crianças entre 4 a 5 anos na escola subiu 30%, de 13% para 25% aos 4
anos e de 62,8% para 84,3% aos 5 anos.

Segundo a pesquisa, a escolarização mais precoce de crianças permite que elas estejam
mais preparadas para o ensino fundamental e cumpre meta da Organização das Nações
Unidas (ONU), que aprovou a universalização da educação para crianças entre 4 e 
5 anos.

_Fonte: Agência Brasil_
