# Invasor voraz chega à Serra e pode provocar colapso no Rio Jacaraípe

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- Published: 2026-10-15T16:24:25-03:00
- Author: Yuri Scardini

Um peixe predador originário da América Central apareceu na Área de Proteção Ambiental(
APA) da Lagoa Jacuném, na Serra, e acendeu um alerta entre ambientalistas. A captura
do ciclídeo jaguar (_Parachromis managuensis_) aconteceu na semana passada. Segundo
Claudiney Rocha, do Instituto Ibraff, a presença desse peixe invasor na Serra representa
uma ameaça grave à bacia hidrográfica do Rio Jacaraípe.

De acordo com Claudiney, o jaguar é um predador de topo de cadeia e chega a ecossistemas
delicados com enorme poder de estrago. Em ambientes de escala regional, como a bacia
do Jacaraípe e seus alagados e manguezais, a espécie pode provocar um colapso na
biodiversidade local, alerta o ambientalista.

## Como o peixe invasor ameaça a bacia do Rio Jacaraípe

O primeiro risco apontado está no comportamento do animal. O ciclídeo jaguar caça
de tocaia, é extremamente agressivo e defende seu território. Por isso, come em 
grande quantidade alevinos, lambaris e outros peixes nativos pequenos, além de crustáceos
e larvas.

Na avaliação de Claudiney, o sumiço dessas espécies menores afeta toda a teia alimentar
do Jacaraípe. Como resultado, aves aquáticas e predadores nativos perdem sua fonte
de comida.

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Outro fator que preocupa é a resistência do invasor. Conforme explica o representante
do instituto, o jaguar suporta variações extremas de oxigenação, temperatura e turbidez
da água. Além disso, prospera em trechos de fluxo lento, áreas alagadas e zonas 
de transição, justamente as características mais marcantes da bacia do Rio Jacaraípe.

## Espécie invasora se multiplica rápido e expulsa peixes nativos

A reprodução também joga a favor do predador. Os ciclídeos desse gênero protegem
ovos e filhotes contra outros peixes, o que garante uma sobrevivência da prole muito
maior do que a de várias espécies nativas. Assim, a população cresce depressa e 
ocupa território em pouco tempo.

Ainda de acordo com Claudiney, o jaguar disputa espaço com os peixes da região. 
Ele desaloja outros ciclídeos e espécies locais das áreas onde costumam fazer seus
ninhos.

## Pescador não deve devolver o peixe invasor à água

O alerta mais direto do Instituto Ibraff vale para quem pesca na Serra. Segundo 
Claudiney, as diretrizes do Ibama e de órgãos ambientais orientam que espécies exóticas
invasoras capturadas não voltem para a água.

Ele lembra também que soltar esses peixes, seja por aquaristas ou depois da pesca
esportiva, é crime ambiental. Para o ambientalista, essa prática é a principal responsável
pela dispersão do jaguar pelas bacias brasileiras.

O instituto divulgou o alerta nas redes sociais e pede que moradores e pescadores
compartilhem a informação. Na visão de Claudiney, conhecer o peixe invasor é o primeiro
passo para impedir que ele se espalhe pelo restante da bacia do Jacaraípe.
