# Pacientes vivendo com HIV devem redobrar cuidados com o colesterol e o diabetes

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- Published: 2024-12-12T12:45:38-03:00
- Author: Gabriel Almeida

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Pessoas que vivem com o HIV precisam observar alguns cuidados de saúde, uma vez 
que a propensão ao desenvolvimento do diabetes também pode ser maior entre essas
pessoas. Crédito: Divulgação

Os avanços tecnológicos das últimas décadas mudaram o panorama para as pessoas que
vivem com o HIV, não só no Brasil, como no mundo. O desenvolvimento de novos medicamentos,
especialmente dos chamados antirretrovirais – que inibem a multiplicação do vírus–
é considerado um dos maiores casos de sucesso da saúde pública nos últimos 40 anos.

Com isso, a maior parte dos casos responde bem ao tratamento, possibilitando às 
pessoas com HIV uma sobrevida praticamente igual à de indivíduos que não possuem
o vírus. No entanto, pessoas HIV+ ainda precisam adotar uma rotina de consultas 
médicas e cuidados com a saúde e a campanha Dezembro Vermelho foi criada justamente
para ajudar a disseminar informações e reduzir o estigma associado ao HIV.

“Apesar da importante melhora no prognóstico, pessoas que vivem com o HIV precisam
observar alguns cuidados de saúde, pois, do ponto de vista cardiovascular, o vírus
pode provocar inflamações que afetam os vasos sanguíneos e favorecem o acúmulo de
colesterol ruim (LDL) nas paredes dessas estruturas. A propensão ao desenvolvimento
do diabetes também pode ser maior entre essas pessoas, uma vez que é um efeito colateral
dos remédios utilizados no tratamento”, explica o cardiologista André Cogo Dalmaschio,
da Cardiodiagnóstico.

A inflamação crônica está diretamente ligada ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares
em pessoas vivendo com HIV, principalmente pela aceleração de processos ateroscleróticos
e danos vasculares.

O tratamento antirretroviral (TARV), utilizado no controle do vírus, não apenas 
transforma a infecção pelo vírus em uma condição crônica manejável, como também 
reduz significativamente a transmissão. No entanto, estudos recentes vêm chamando
atenção para os efeitos colaterais a longo prazo desse tratamento, especialmente
em relação à saúde cardiovascular.

“Entre os medicamentos, o grupo dos inibidores da protease, frequentemente utilizados
em combinações de TARV, têm sido associados a alterações metabólicas, como dislipidemia
e resistência à insulina. Essas condições são fatores de risco conhecidos para doenças
cardiovasculares. Já os inibidores da transcriptase reversa, outro grupo comum no
TARV, podem contribuir para disfunções endoteliais e rigidez arterial. Essas alterações
podem acelerar processos de acúmulo de gordura nas paredes dos vasos, mesmo em pacientes
jovens e com outras condições de saúde controladas. Além disso, os antirretrovirais
podem interagir com os remédios cardiológicos, o que merece atenção”, alerta Dalmaschio.

Alternativas de tratamento TARV de alta potência também pode favorecer uma condição
chamada lipodistrofia, caracterizada por um acúmulo de gordura em algumas partes
do corpo e perda de gordura em outras, aumentando o risco cardiovascular.

Outros problemas cardiovasculares podem ser exacerbados pelo perfil inflamatório
do HIV. Estudos sugerem que biomarcadores inflamatórios, como a proteína C-reativa(
PCR), permanecem elevados em pessoas vivendo com HIV, mesmo quando a carga viral
é indetectável. Isso indica que a inflamação sistêmica de baixo grau pode atuar 
como um elemento persistente de risco.

Entretanto, avanços recentes têm buscado mitigar esses efeitos. Novos esquemas de
TARV, mais modernos, apresentam um perfil de segurança cardiovascular aprimorado.
Além disso, estratégias personalizadas de tratamento, combinadas a um controle rigoroso
de fatores de risco como tabagismo, obesidade e sedentarismo, têm sido incentivadas
para minimizar complicações.

“É importante salientar que o eventual aumento de risco cardiológico em pacientes
que fazem o tratamento do HIV não significa que essas pessoas devem parar de tomar
os medicamentos para controle do vírus, mas sim que devem manter um estrito acompanhamento
junto a médicos como o infectologista, que faz o manejo do controle do vírus, e 
o cardiologista para acompanhar as questões relativas ao sistema cardiovascular”,
orienta Dalmaschio.
