# “Os recursos que o Audifax pediu estão garantidos”

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- Published: 2018-03-23T09:42:14-03:00
- Author: Ana Paula Bonelli

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Hartung diz que não acredita que o presidente Michel Temer será o candidato do partido
na eleição presidencial de 2018. Foto: Fred Loureiro/ Secom-ES

_Por Eci Scardini_

_Um projeto de centro esquerda para o Brasil, capaz de mostrar ao povo e aos mais
pobres que será bom para eles. Para o govenador Paulo Hartung (MDB) esse é um desafio
para as eleições deste ano, que “vai ser uma corridinha de 100 metros”. Nessa entrevista
ao Tempo Novo, durante um visita à Serra, na última quarta-feira (21), Hartung comentou
que segue avaliando todas possibilidades para seu futuro político e que não acredita
numa candidatura presidencial de Michel Temer (MDB). Sobre os investimentos do Estado
na Serra, o governador afirmou que só aguarda as questões burocráticas para compra
de equipamentos do Hospital Materno Infantil e para recuperar a ES-010, em Jacaraípe._

**_O senhor já definiu se disputa a reeleição ou abre mão do Governo em prol de 
um projeto nacional?_**

Estamos conversando tudo. Num quadro complexo como este que estamos vivendo no país,
crise econômica, crise social gravíssima, uma crise ética ‘de lascar o cano’, quer
dizer, temos que ter muita cautela, muita tranquilidade. Outro dia brinquei que 
temos que ter como diria Paulinho da Viola, nervos de aço. Vamos usar esse tempo
todo na conversa e aí, quando chegar lá pelo dia seis ou sete agente toma a decisão.

**_O senhor se vê fora do MDB ou se mantém na sigla?_**

O quadro partidário está todo muito ruim, a crise política jogou a estrutura partidária
no chão como um todo. Precisa refundar a estrutura partidária no nosso país, isso
não vai acontecer agora. Nós vamos ter que participar do processo eleitoral de 2018
com essa estrutura ruim que nós temos. Então assim, se eu puder não mudar de partido
e deixar pra quando, lá na frente, tiver uma reestruturação partidária, com número
menor de partidos, com os partidos correspondendo a visões programáticas do nosso
país, aí acho que talvez fosse uma hora melhor de fazer uma mudança partidária.

**_Tem algum projeto nacional que o senhor acredita que possa oferecer uma perspectiva
melhor para o Brasil, como por exemplo, o empresário Flávio Rocha, da Riachuelo.
Seria um projeto novo?_**

Eu gosto dele; já participei de duas reuniões junto com ele, que ele debateu questões
do Brasil. Eu gosto pessoalmente do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin é uma
pessoa que eu convivo bem. Gosto também do ministro Meirelles, acho que ele deu 
uma arrumada na política econômica do nosso país. Tenho, inclusive, uma boa relação
com Ciro Gomes (PDT) porque nós tivemos militância partidária juntos. O que nós 
precisamos olhar acima de tudo, são projetos para o Brasil. O Brasil não tem mais
espaço para viver uma aventura.

_**Em sua opinião, quais seriam esses projetos?**_

A gente ficar aí testando coisas que já deram errado em tudo quanto é parte do mundo
e da América Latina. Precisamos acertar o passo agora, e pegar um programa que modernize
o país, que dê competitividade e esperança ao povo, aos pobres do nosso país. As
famílias pobres têm que olhar o candidato, o programa, e sentir confiança de que
com aquele nome e com aquelas ideias a vida delas vai melhorar, vai ter perspectivas
para os filhos e assim por diante. Esse é o desafio. O importante é reorganizar 
o centro político do país, que é o pensamento de centro-esquerda, onde eu me encontro.
O pessoal que entendeu a mudança do mundo, e os liberais-reformistas, que são aqueles
que viram que a economia precisa de reformas profundas, precisa de competitividade,
de produtividade e assim por diante.

**_Caso o senhor permaneça no MDB, o presidente Michel Temer se lançando candidato
a reeleição, o senhor garante palanque para ele no ES?_**

Dificilmente o MDB terá candidato a presidente. Porque é um partido muito heterogêneo.
Um partido muito diferente a formação dele no Rio Grande do Sul com a formação dele
lá no Alagoas, por exemplo. São interesses diversos. Acho que quando a turma de 
Brasília admite uma candidatura presidencial é mais para manter o governo atual 
funcionando, para ele não enfraquecer antes da hora nas suas ações. Eu acho que 
o importante agora é a gente preparar esse centro da política brasileira, que eu
descrevi anteriormente e produzir não só um nome, mas um conjunto de ideias e ter
a capacidade de conversar sobre elas com as famílias brasileiras, principalmente
conversar com os pobres, para entenderem que o projeto é bom pra eles.

_**É possível traçar um quadro de candidaturas a governador aqui no Estado?**_

Acho que não. Está tudo muito cedo. Eu acho que as boas decisões, as sábias decisões
vão ser tomadas na segunda quinzena de julho, até porque o eleitor também, com esse
desânimo todo que está no Brasil, vai demorar a ‘pegar no tranco’ sob esse assunto
eleitoral. Esse assunto eleitoral está na cabeça dos políticos, está na cabeça dos
jornalistas, que têm que cobrir a política, não tem outro jeito, mas não está na
cabeça do povo. O que o povo está pensando hoje é como arranjar emprego para o filho
que está desempregado, e a família perdeu a renda. Se vai ter um atendimento de 
saúde na hora que precisa, se o filho está conseguindo aprender na escola e assim
por diante. Então, a pauta política vai entrar muito tarde esse ano no Brasil, vai
ser uma corridinha de 100 metros e ai vai ter o voto.

**_Em relação aos recursos que o senhor anunciou para a Serra recentemente, quando
esses investimentos chegarão ao município?_**

Agora só depende das questões burocráticas, do Hospital Materno Infantil eu já mandei
preparar o projeto, porque a Serra já mandou o custo de que precisa de equipamentos.
Então estão garantidos esses recursos para a compra dos equipamentos. A questão 
do trecho da ES 010, nós estamos fazendo o projeto de recuperação e vamos entregar
o projeto à prefeitura e o dinheiro para a prefeitura licitar e fazer, porque aquilo
ali virou uma via urbana, uma via municipal. Não é mais uma estrada estadual. Jacaraípe
virou praticamente uma grande cidade dentro do ES, maior do que a maioria das cidades
capixabas. Então vamos entregar para a própria prefeitura executar. Os recursos 
que o Audifax (Rede) pediu estão garantidos e a gente pode colaborar com a administração
da Serra.

 
