“O Sebrae tem se preparado para um novo formato de atendimento”

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“O Sebrae tem se preparado para um novo formato de atendimento”
Pedro Rigo é o superintendente do Sebrae no estado do Espírito Santo. Foto: Divulgação

Nessa entrevista, o Superintendente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Pedro Rigo, explica como funciona o órgão e aponta os novos desafios. Trabalhando com um público-alvo de mais de 700 mil empreendedores, ele está preparando o Sebrae para “atuar definitivamente no mercado digital”, o qual ele acredita ser uma das soluções para que empresários driblem a crise econômica no país.

O Sebrae, na sua origem, protagonizou uma série de empréstimos para fomentar as micro e pequenas empresas. Hoje, essa prática não existe mais?

O Sebrae não mais atua na área de crédito. Apoiamos e preparamos empreendedores para que tenham acesso ao mercado financeiro. Temos, ainda, o Fundo de Aval, que existe para reduzir o risco do banco ao emprestar dinheiro para o empresário; então, facilita o acesso da microempresa ao sistema bancário. É uma espécie de fundo garantidor. No Brasil, tem quase R$ 1 bilhão.

O Sebrae não se atém a apenas um segmento de comércio e de serviço. Ele, hoje, atua em todos os segmentos da economia ou em algum de forma específica?

O Sebrae atua em todos os segmentos da economia, desde que seja um pequeno negócio. Então, é micro, é pequena empresa o artesanato, agricultura familiar. Tem um público-alvo para ser atendido de 714 mil empreendedores no ES, tanto formais quanto informais: empreendedores da área rural e urbana, ou que ainda não têm CNPJ; atuamos nas escolas com empreendedorismo juvenil. Ou seja, o Sebrae tem um compromisso de atender àqueles que desejam abrir seu próprio negócio, até estudantes, por meio do projeto Jovens Empreendedores nas Escolas.

Com um leque tão amplo de atuação, como os consultores conseguem abranger com qualidade a todos?

O desafios do Sebrae é estar sempre se qualificando, se requalificando para estar preparado para atender as demandas que vêm do mercado. E tem sido feito isso ao longo da história. Lógico que agora o Sebrae está se preparando definitivamente para atuar no mercado digital; precisa cada vez mais atender as pessoas, e não vai ser só no presencial. O Sebrae terá que pular definitivamente para a plataforma digital. Inclusive, vários atendimentos saindo por essa plataforma. Então, nesse momento, estamos nos preparando para isso.

Qual é a avaliação sobre o sucesso dos empreendimentos que receberam suporte do Sebrae?

O Sebrae precisa chegar a uma empresa com uma solução, aplicar uma ferramenta de gestão que possa melhorar a produtividade da empresa e de fato mudar a vida daquela empresa. Tem que gerar mais nota fiscal, mais receita. Ao longo dos anos, o Sebrae se preocupou mais em atender quantidade; mas agora, precisa se voltar à qualidade.

O que quer dizer?

Precisamos diferenciar o potencial de cada negócio. Hoje, de 100% do público do Sebrae, 5% poderia ser atendido com soluções mais básicas, mais generalistas. Como um médico clínico-geral. Ou seja, o básico que a empresa precisa, que é gestão e ter acesso a ferramentas. E a gente pode fazer isso de forma menos presencial. Temos outros 15% de empresas que demandam atenção especial, pois têm capacidade de dar um salto muito grande na geração de emprego e no faturamento. Então, temos desenhado um novo Sebrae, que possa ser efetivamente resolutivo; colaborar de maneira efetiva para que essa empresa saia do ponto x e alcance um ponto y, muito melhor, com mais geração de receita e crescimento; portanto, crescendo a possibilidade de oferta de mão de obra.

E o restante dos 80% do público-alvo, onde se encaixa?

Eles são empresas familiares, menores, que têm, geralmente, de 3 a 5 empregados. Ou seja, tem um histórico de faturamento não tão expressivo quando se fala de crescimento, mas são importantes também para o mercado absorver em grande quantidade de mão de obra, haja vista que hoje esses pequenos negócios são responsáveis por 99% do total de empresas constituídas no país e por 95% da gerarão de emprego. Então, o Sebrae tem se preparado para um novo formato de atendimento, um novo modelo de plano de negócios para que possamos atender todo esse contingente de empresas.

Tem alguma ferramenta para aferir o desempenho do Sebrae do Espírito Santo, em comparação aos de outros estados?

Trabalhamos com um índice para medir se de fato a solução que o Sebrae está aplicando está atendendo as necessidades do mercado. Chama-se índice de reputação. Neste quesito, o ES tem feito o seu papel; tem ficado bem em relação aos outros Sebraes. Contudo, isso não nos traz para uma zona de conforto. Muito pelo contrário, sabemos que é preciso fazer muito mais, porque tem muito mais gente precisando do atendimento.

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