# “O ES não precisa de senador pedinte em Brasília”

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- Published: 2018-08-10T09:22:01-03:00
- Author: Ana Paula Bonelli

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Aridelmo diz que União retorna 11% do que o Espírito Santo manda a Brasília. Foto:
Gabriel Almeida

_Yuri Scardini_

Com experiência de 11 anos no Banestes, professor da Ufes e dono de empresas de 
educação e tecnologia, Aridelmo Teixeira (PTB), ou professor Aridelmo, como gosta
de ser chamado, bateu o pé e manteve sua candidatura a governador do ES. Isolado
no campo partidário, ele se diz o ‘novo’ na política capixaba, defende o Governo
Hartung, da qual fez parte. Além disso, Aridelmo acredita que será possível romper
o “recall” do que ele chama de “candidatos tradicionais” e se eleger. Confira:

**Sua candidatura veio na esteira da desistência de Paulo Hartung (MDB). Será você
a fazer a defesa do legado de Hartung?**

Estamos construindo esta candidatura tem mais de dois anos. Eu sou executivo, faço
planejamento para 4,5,6 anos a frente. Um dos cenários que tínhamos era o Paulo 
não ser candidato e nesse caso, teríamos uma candidatura nossa. Aqueles que se mostraram
surpresos é porque não trabalham com planejamento, plano A,B,C e D. Agora, é pra
defender o legado do Paulo? Quem faz isso é o povo. Por exemplo, o legado dos quatro
anos do Casagrande foi negado pelo povo, não deram continuidade pra ele.

**Mas as relações desse grupo político são com Hartung?**

Tem práticas que o Paulo executou que são extremamente úteis pra sociedade principalmente
para as classes menos favorecidas. Porque às vezes você é levado a entender que 
o equilíbrio fiscal não tem nada a ver com o povo. Lógico que tem, porque toda vez
que o Estado se desorganiza quem paga é o pobre. Escola, posto de saúde o serviço
público, nada funciona. O Estado estar com as contas em dia é a melhor política 
pública para as classes mais baixas. Esse legado e outros, a gente não abre mão.

**Quais outros, por exemplo?**

É um erro descontinuar um projeto que é bom simplesmente pelo fato de ter sido iniciado
pelo outro governo. Casagrande, por exemplo, falou que a Escola Viva é marketing.
Se você pegar o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), com Casagrande
estava em 3.3 em uma escala de zero a dez. Hoje está em 4.1, crescimento de 33%.
Há dez anos isso não saía do lugar.

**É possível enfrentar essas candidaturas tradicionais e conhecidas?**

O eleitor quer uma pessoa que esteja fora do meio político, mas que tenha competência
e responsabilidade social e é isso que representamos. Essa é minha bandeira.

**Mas esse anseio da população não se transformou em números nas pesquisas eleitorais…**

Culpa do recall. Se você perguntar para alguém sobre refrigerante, ela vai falar
Coca Cola, mas se você pergunta ‘você toma Coca Cola? A pessoa vai responder: ‘tomo
Guaraná’. É a mesma coisa na política. São duas batalhas, a primeira foi conseguir
ser candidato, porque nenhum político tradicional gostaria que a minha candidatura
aparecesse. Fomos assediados de tudo que é jeito, mas nos mantivemos. Qual é a próxima
agora? É conseguir olhar no olho do eleitor para que ele nos conheça com profundidade.
Então a primeira batalha é contra o sistema eleitoral e a outra contra o recall.

**Como fazer campanha com apoio de apenas dois partidos?**

Casagrande tem 18 partidos. Para pendurar essa turma ele vai precisar de 30 secretarias.
Sendo que a bem da verdade, umas 9 já seriam suficiente. Se a sociedade votar em
mim eu só vou ter compromisso com o meu eleitor; e não preciso dar emprego pra ninguém.
No primeiro dia que eu assumir, no mínimo 50% das secretarias vão ser cortadas. 
Pra onde vai o dinheiro? Pra Educação e para acabar com as filas pra exame médico,
que é um carma.

**Quais são os caminhos para a economia do Estado depender menos das commodities
e dos projetos tradicionais?**

Temos que trabalhar para que a nova indústria chegue. Para isso temos que melhorando
o ambiente de negócios com simplificação e garantia de regra e investir em qualificação
educacional, é assim que a gente vai diversificar.

**Que tipo de simplificação?**

Tributária, de legalização; de acompanhamento, instalação. É inadmissível que uma
planta venha pra cá e demore quatro anos pra receber uma licença.

**E quais seriam essa ‘novas indústrias’?**

O ES tem uma vocação adormecida, que é o turismo, que está implorando para ser explorado.
Mas, historicamente, a violência atrapalhou isso, e agora temos condição de dar 
a volta por cima. Outra coisa é aproveitar a Sudene no norte do ES e trazer plantas
mais arrojadas. Estamos de frente para o mar e na metade do Brasil, e como estamos
operando isso?  Com logística de 40 anos atrás. Por exemplo, na Serra do Tigre lá
em Goiás poderia fazer uma conexão com a estrada de Ferro Vitória Minas e conectar
toda a região do Centro Oeste para escoar a produção do Agronegócio, criando um 
corredor do Centro Oeste, passando por Minas e chegando aqui.

**Como contornar esse isolamento político do ES em Brasília?**

O ES não precisa de senador pedinte em Brasília. Nossa bancada não se impõe. Precisamos
de uma bancada independente. A gente recebe de investimentos da União 11% do que
a gente manda pra lá. E os estados do Nordeste recebem 20 vezes o que mandam pra
União, porque os caras gritam, trabalham em bloco, nós não aprendemos a fazer. Já
que não temos volume, precisamos ter liderança.

**A respeito da não duplicação da BR 101. Caso eleito, o que é possível fazer?**

Se a Eco-101 não cumprir eu vou passar pra outro. É simples assim. Ah, ‘mas tá dando
prejuízo’. Problema seu, o lucro é seu o prejuízo é seu. A iniciativa privada é 
pra isso.

**Quais são as propostas específicas para a Serra, que sofre com a violência e a
pobreza?**

O jovem é a principal vítima. E por que disso? É a falta de expectativa de vida.
Só é possível mudar isso com Educação. Qual a minha promessa? Ao final dos quatro
anos, qualquer jovem da Serra que queira, terá uma vaga em uma escola de qualidade.
O que é escola de qualidade pra traduzir? Aquilo que agrega valor na vida dele. 
O que nós temos que acabar? Com o alvo. Todo mundo que saiu da escola antes do final
do ensino fundamental ele vira alvo. Como eu elimino o alvo? Dando expectativa de
vida pra ele numa escola.  
