# Negros e pardos são maioria na Serra,  mas sofrem com preconceito e violência

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- Published: 2018-03-16T09:42:16-03:00
- Author: Ana Paula Bonelli

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Marta é administradora e diz já ter sentido olhares preconceituosos, mas a educação
que recebeu ajuda a driblar o problema. Foto: Fábio Barcelos

_Clarice Poltronieri_

O último censo do IBGE feito em 2010, apontava que 67% da população da Serra era
formada por pessoas negras e pardas. Apesar de serem maioria, os afrodescendentes
sofrem discriminação e violência na cidade, que é uma das mais perigosas para jovens
negros no Estado. É o que afirma o morador de Laranjeiras e presidente do Conselho
Estadual de Promoção da Igualdade Racial, Rosemberg Moraes Caetano.

“O jovem negro é o que mais morre, a mulher negra é a maior vítima de violência,
90% dos encarcerados são negros, a maior taxa de analfabetismo e evasão escolar 
é de negros. O grito que ecoou no Queimado tem que continuar ecoando, pois resgatar
esta história é dizer que nós negros queremos viver. Somos vítimas de preconceito
pela cor da pele, pela religião e precisamos garantir nossos direitos, não só na
Serra, como em todo Brasil”, frisa Rosemberg.

De fato, a Serra é a quarta cidade do Estado com mais risco de assassinato para 
jovens negros, ficando atrás apenas de São Mateus, Linhares e Guarapari. O dado 
é do estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em dezembro de 2017
e referente ao ano de 2015.

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 * [Fernanda Brum é confrontada sobre preconceito de evangélicos: "Você teria uma amiga como eu?"](https://www.portaltemponovo.com.br/fernanda-brum-e-confrontada-sobre-preconceito-de-evangelicos/)

O mesmo estudo aponta que, em todo o país, a taxa de mortalidade de jovens negros
foi de 86,34 para cada 100 mil na população, contra 31,89 para não negros, sendo
o Espírito Santo o sexto mais violento neste ranking. As narrativas que apontam 
dificuldade de ascensão social para negros e pardos são comuns.  

Marta Jamila de Oliveira, que reside em Morada de Laranjeiras, é administradora 
e luta para provar que competência não tem relação com cor de pele.

“Vim de São Paulo há oito anos e desde lá sentia preconceito no olhar das pessoas.
Mas como minha família me ensinou a lidar bem com isso, tiro de letra. Aqui na Serra
também já recebi olhares desconfiados e tive até um vizinho, advogado e negro, que
as pessoas do condomínio faziam piadas dizendo que ele era traficante por andar 
em um BMW”, conta Marta.

Para a administradora, quem é negro enfrenta uma barreira a mais na vida profissional.“
Tem que provar o tempo todo sua competência, mais ainda de quem não é negro. Tive
sorte em ter uma família que estimulava a leitura e estudos e hoje passo para meu
filho. O negro deve se agarrar às oportunidades e estudar, pois só assim diminui
um pouco o preconceito”, conclui.

A próxima segunda-feira (19) é lembrada a Insurreição de Queimado, movimento dos
negros contra a escravidão cujo palco foi a antiga vila às margens do rio Santa 
Maria, na zona rural da cidade. A revolta hitórica aconteceu há  169 anos.
