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Não haverá aumento de despesas com projeto de gratificações, esclarece Prefeitura da Serra

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Na última quarta-feira (17) o jornal TEMPO NOVO publicou uma reportagem trazendo detalhes do Projeto de Lei 86/2021, que versa sobre a produtividade dos servidores do Executivo. O projeto inclui o parágrafo 04, ao artigo 12 da Lei Municipal 4.671/2017, que muda a forma de contabilizar a produtividade de arquitetos, urbanistas, engenheiros e demais servidores.

Na prática os diretores de departamentos irão receber a produtividade de acordo com a média de seus subordinados. O que não vai gerar aumento de despesas, afirma a Prefeitura.

O que ocorre atualmente é o diretor precisa dar despachos e ficar a cargo de trâmites para acumular pontuação de produtividade; e a critica que se faz é que o formato desestimula a promoção de inovação e eficiência, uma vez que pode tirar o foco dos diretores no sentido de promover um olhar à gestão pública modernizante em detrimento a produtividade.

O salário de um diretor da Prefeitura da Serra gira em torno de R$ 3 mil, o que é considerado baixo diante da demanda, responsabilidade e dos riscos técnicos envolvidos. Estes servidores estão a todo o momento tendo que prestar esclarecimentos técnicos a órgãos como o Ministério Público, por exemplo.

Com a nova modalidade, os diretores ficaram mais livres para trabalhar com indicadores de qualidade de gestão, promover eficiência e agilidade sem ficar preso ao processo em si visando à produtividade. Em nota a Prefeitura da Serra garantiu que a mudança trará mais eficiência à gestão e não vai gerar aumento de despesas.

A nota emitida pela Secretária de Comunicação esclarece que o projeto de Lei apenas dá nova regulamentação à forma de cálculo da gratificação de produtividade, que passará a ser apurada conforme a média dos servidores subordinados.

A gratificação já é concedida, por força da Lei 4.671/2017, aos ocupantes de todos os cargos abarcados pela proposta de modificação, de forma que a proposta não resulta em aumento de despesas, diz a nota.

Inclusive a Prefeitura estima que possa ocorrer até mesmo à redução de gastos públicos, já que pode-se passar a pagar valores menores. A modificação visa a liberar Diretores e Chefes da execução de atividades técnicas e operacionais e aproveitá-los nas atividades de gestão, supervisão e coordenação, funções essas mais condizentes com o cargo de chefia. Por fim a Prefeitura defende a mudança “em prol da melhor eficiência no serviço público”.

O jornal TEMPO NOVO apurou que as Prefeituras de Vila Velha e Cariacica também funcionam com esse formato proposto na Serra. A aprovação do projeto impactaria aproximadamente 38 servidores espalhados por diversas secretárias.

A primeira reportagem sobre o assunto ouviu a vereadora da Serra, Elcimara Loureiro (PP), que no exercício legítimo de sua função, trouxe alguns questionamentos. Entre eles a ausência de dados sobre impactos financeiros; e o estado de calamidade pública decorrente da pandemia da Covid-19, do qual proíbe até 31 de dezembro de 2021, do ente federado conceder, a qualquer título, vantagem, aumento, reajuste ou adequação de remuneração a membros de Poder ou de órgão, servidores e empregados públicos.

Além disso, a vereadora afirmou que as gratificações poderiam chegar à R$ 9 mil/mês, valor que a Prefeitura desconhece. De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, o valor máximo que poderá ser pago em gratificação é de R$ 3 mil.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é jornalista, publisher e sócio-diretor do Jornal Tempo Novo, veículo fundado em 1983 na Serra (ES) e referência na cobertura da Serra e da Grande Vitória. Conduziu a transformação digital do jornal, que em 2025 foi eleito o melhor site estadual de notícias no Brasil Publisher Awards. No portal, assina a coluna Mestre Álvaro, com análises sobre política, economia, segurança pública, infraestrutura e meio ambiente, sempre com leitura crítica dos fatos e apoio em dados. Formado em Administração pela Ufes, é autor do livro Serra: a história de uma cidade (2024). Recebeu a Ordem do Mérito Domingos Martins e a Comenda Augusto Ruschi, da Assembleia Legislativa do ES, e a Comenda Nelson Mandela, da Câmara Municipal da Serra. Com leitura crítica dos fatos e uso de dados públicos, acompanha de perto a gestão municipal, as eleições e os temas que mexem com o dia a dia de quem vive na Serra. É autor do livro Serra: a história de uma cidade (2024), uma reconstituição jornalística da trajetória do município.

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