# Muribeca e vereadores serão processados por abuso de autoridade, desacato, injúria e difamação

- Link: https://www.portaltemponovo.com.br/muribeca-e-vereadores-serao-processados-por-abuso-de-autoridade-desacato-injuria-e-difamacao/
- Published: 2023-11-21T15:39:38-03:00
- Author: Gabriel Almeida

[[

Muribeca vai responder a ações de improbidade. Crédito: divulgação.

As consequências da operação autointitulada ‘Peixada’ ocorrida na última sexta-feira(
17) no Sine da Serra começaram a reverberar dentro das instituições. Isso porque,
entre hoje (terça-feira, 21) e amanhã (22), o deputado Pablo Muribeca e três vereadores
envolvidos no caso devem responder por acusações de atos de improbidade, abuso de
autoridade, desacato e crimes contra a honra, como injúria e difamação.

As ações ocorrem após Muribeca e os vereadores Anderson Muniz, Darcy Ribeiro e Prof.
Arthur adentrarem no Sine da Serra, localizado no Pró-Cidadão, e conduzirem uma 
operação sem autorização legal. Eles alegaram que supostamente, havia indícios de
direcionamento de vagas de trabalho, que culminaram na voz de prisão dada ao secretário
adjunto de Trabalho, Emprego e Renda, Renato Ribeiro, sem que houvesse flagrante
ou fosse apresentada provas contundentes. O episódio foi interpretado pela Prefeitura
da Serra e por muitos que acompanharam o caso como um ato de natureza política.

De acordo com Muribeca, uma servidora efetiva foi a denunciante. Ela também foi 
encaminhada para a delegacia, onde se negou a prestar depoimento, colocando o deputado
em uma situação muito delicada.

Segundo o advogado Homero Mafra, que defende Renato Ribeiro, as ações visam uma 
representação no Ministério Público, além de encaminhamento de processos via Corregedoria
da Assembleia Legislativa e da Câmara da Serra. Além disso, serão encaminhados processos
à Justiça e à Corregedoria da Polícia Militar, considerando suspeitas de que os 
policiais que executaram a voz de prisão tinham relações pessoais com Muribeca.

“Existem condutas que caracterizam crimes, atos de improbidade e quebra de decoro…
tudo isso pode levar à perda de mandato, dependendo da postura da Câmara da Serra
e da Assembleia Legislativa e da tipificação que as corregedorias vão estabelecer.
Esperamos que esse tipo de conduta receba a representação cabível. Ninguém está 
inibindo a fiscalização, mas é necessário que seja feita da forma correta. É uma
comissão específica? É uma CPI? E mesmo que fosse, há procedimentos que precisam
ser seguidos. Não é agindo como se fosse um super-herói e promovendo espetacularização
em um estado policial que se fazem as coisas”, disse Mafra.

O advogado foi categórico ao afirmar que a voz de prisão dada a Ribeiro ocorreu 
sem flagrante ou autorização legal. “Não se pode simplesmente ir à delegacia para‘
ver o que acontece’; as pessoas têm seus direitos resguardados pela Constituição”,
destacou Mafra, que reafirmou que os encaminhamentos devem ocorrer nos próximos 
dois dias. Horas após o incidente, a Polícia Civil emitiu uma nota informando que
não foram encontrados indícios de crimes e por isso Ribeiro tinha sido liberado.

Além das ações movidas por Renato, através de sua defesa pessoal, a Prefeitura da
Serra também anunciou que tomará medidas semelhantes, tanto na esfera do Ministério
Público e da Polícia Militar, quanto nas respectivas Casas Legislativas, o que engrossa
ainda mais as repercussões legais e institucionais do caso. O próprio Muribeca publicou
um vídeo no qual não demonstrou nenhuma prova das supostas irregularidades e, ao
contrário, evidenciou indícios de assédio a servidores, incluindo uma tentativa 
de invasão a um banheiro.

Na sessão ordinária da última segunda-feira (20), o assunto dominou o debate entre
os vereadores; os três parlamentares que participaram da autointitulada ‘Operação
Peixada’ reafirmaram possuir provas de ilicitudes supostamente cometidas pelos servidores
do Sine e alegaram haver um esquema de favorecimento de vagas. Criticaram também
o que consideraram ser narrativas desviando o foco e cobraram o afastamento de Renato
Ribeiro da função. Afirmaram ainda que existem denúncias no Ministério Público, 
apesar de o órgão não ter emitido nenhum parecer sobre o caso até o momento. Outros
vereadores, incluindo o Dr. William Miranda, que é advogado, também se pronunciaram.
O vereador acusou os colegas de excederem suas funções e encaminharem ilegalmente
um servidor a uma delegacia de polícia, além de criticar a fragilidade das supostas
provas apresentadas, que seriam apenas alguns prints de celular.

#### **Ataques ao Tempo Novo**

Desde a eclosão da operação ‘Peixada’, o jornal Tempo Novo tem feito cobertura jornalística
do caso. Além de reportar os acontecimentos, publicou dois artigos de opinião na
coluna Mestre Álvaro, assinados pelo jornalista Yuri Scardini, alertando sobre o
perigoso modus operandi utilizado pelos vereadores e apontando indícios de excessos
cometidos pelos parlamentares (**leia aqui:** [Artigo 1](https://www.portaltemponovo.com.br/sem-acusacao-real-flagrante-ou-autorizacao-judicial-muribeca-da-ordem-de-prisao-a-servidor-cuidado-amanha-pode-ser-voce/)
e [Artigo 2](https://www.portaltemponovo.com.br/video-de-muribeca-autoincrimina-abuso-de-autoridade-e-ordem-de-prisao-politica-a-servidor/)).
Desde então, o veículo de comunicação vem sofrendo ataques e acusações por parte
dos vereadores envolvidos e seus assessores. Ao ser abordado jornalisticamente, 
o deputado Pablo Muribeca tentou coagir e intimidar o repórter responsável pela 
matéria. Sobre esse assunto, o Tempo Novo reafirma seu compromisso com a cobertura
de imprensa, como tem feito há 40 anos, e não se furtará a publicar artigos de opinião
quando julgar pertinente, mesmo que essa opinião conflite com a narrativa apresentada
por qualquer grupo, partido ou facção.
