# Multinacional francesa fecha sua única fábrica no Brasil e retira toda a produção do país após 75 anos

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- Published: 2026-10-18T22:28:12-03:00
- Author: Gabriel Almeida

Uma multinacional francesa decidiu encerrar sua produção industrial no Brasil depois
de 75 anos de atividades. A medida provocou o fechamento de sua única fábrica no
território nacional e mudou completamente a maneira como a companhia pretende abastecer
os clientes brasileiros.

A decisão representa o fim de uma trajetória iniciada em 1951, período em que a 
empresa consolidou sua presença no fornecimento de materiais utilizados na construção
civil, em instalações industriais e em grandes empreendimentos de infraestrutura.

Com a mudança, os produtos que antes eram fabricados em São Paulo passarão a chegar
ao mercado brasileiro por meio de importações. A multinacional continuará atuando
comercialmente no país, mas deixará de manter linhas de produção nacionais.

O encerramento também afeta trabalhadores ligados à antiga operação industrial e
faz parte de um processo de desativação que envolve compromissos ambientais e a 
transformação das instalações em uma estrutura voltada à logística.

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## **Multinacional francesa encerra única fábrica no Brasil após 75 anos**

A empresa responsável pela decisão é a Isover, fabricante de materiais para isolamento
térmico e acústico pertencente ao grupo francês Saint-Gobain, conforme apurado pelo
Portal **[Tempo ](https://www.portaltemponovo.com.br)[Novo](https://instagram.com/jornaltemponovo)**.

A companhia mantinha sua unidade industrial no bairro de Santo Amaro, na Zona Sul
de São Paulo, onde produzia lã de vidro desde 1951.

Ao longo de sua história, a fábrica abasteceu diferentes setores com produtos como
mantas, painéis, feltros e tubos isolantes, empregados principalmente no controle
de temperatura e na redução de ruídos.

Esses materiais são utilizados em edifícios residenciais e comerciais, sistemas 
de climatização, indústrias, veículos e instalações que precisam de isolamento térmico
ou acústico.

Entretanto, a produção chegou oficialmente ao fim em 4 de julho de 2026, quando 
a companhia interrompeu suas atividades industriais no complexo.

O encerramento incluiu o desligamento do forno responsável pela fusão do vidro, 
equipamento fundamental para a fabricação dos materiais.

Com a paralisação, a Isover deixou de produzir seus produtos em território brasileiro,
encerrando um ciclo industrial de aproximadamente sete décadas e meia.

## **Produtos serão importados para abastecer o Brasil**

Apesar de fechar sua única fábrica brasileira, a Isover não anunciou uma retirada
completa do mercado nacional.

A estratégia adotada prevê que o abastecimento dos clientes continue, mas utilizando
materiais produzidos em unidades estrangeiras da companhia.

Na prática, produtos anteriormente fabricados em Santo Amaro passarão a ser importados
e distribuídos no Brasil.

A mudança também permitirá que parte do antigo complexo industrial seja aproveitada
para atividades de armazenamento, movimentação de mercadorias e distribuição.

Dessa forma, a estrutura brasileira continuará desempenhando funções comerciais 
e logísticas, mas não terá mais a fabricação de lã de vidro.

A companhia conta com uma rede internacional de aproximadamente 60 fábricas distribuídas
por 28 países, o que permite direcionar a produção estrangeira para atender diferentes
mercados.

## **Fechamento da fábrica atinge trabalhadores**

O encerramento das operações industriais também trouxe impactos para os profissionais
que atuavam na fábrica paulista.

Antes da paralisação, a unidade contava com aproximadamente 100 trabalhadores diretamente
envolvidos na operação, além de outros 50 profissionais ligados a atividades indiretas.

Isso significa que cerca de 150 pessoas mantinham vínculos profissionais com o funcionamento
do complexo.

No entanto, a quantidade de trabalhadores envolvidos não deve ser confundida com
o número de demissões.

A empresa não confirmou que todos esses profissionais foram desligados, especialmente
porque parte das instalações continuará sendo utilizada em atividades logísticas.

Ainda assim, o fim da produção representa uma mudança importante na estrutura de
empregos industriais mantida pela Isover no Brasil.

## **Encerramento da fábrica ocorreu após reclamações e acordo**

A decisão de interromper a fabricação ocorreu em meio a um histórico de reclamações
apresentadas por moradores das proximidades da unidade.

Entre os principais problemas apontados pela vizinhança estavam ruídos, odores, 
fumaça e emissões associados ao funcionamento da indústria.

As manifestações levaram ao acompanhamento da Companhia Ambiental do Estado de São
Paulo (Cetesb), responsável pela fiscalização ambiental.

Entre 2023 e 2025, o órgão registrou infrações envolvendo questões ambientais relacionadas
à operação industrial, incluindo episódios de emissões atmosféricas e odores.

Em dezembro de 2025, a Isover firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com
o Ministério Público de São Paulo e a Cetesb.

O compromisso estabeleceu medidas e prazos para a interrupção das atividades industriais
e a retirada gradual dos equipamentos utilizados na fabricação.

Antes do fechamento, a empresa havia adotado mudanças para reduzir os impactos sobre
a vizinhança, incluindo melhorias no isolamento acústico, controle de emissões e
restrições a determinadas operações noturnas e aos fins de semana.

A Isover também declarou que atendia às exigências ambientais e sustentou não existir
comprovação de danos à saúde dos trabalhadores relacionados às atividades da unidade.

Mesmo com essas medidas, o processo de encerramento avançou conforme os compromissos
estabelecidos com os órgãos responsáveis.

## **Desmontagem da fábrica pode continuar até 2028**

O encerramento da produção em julho de 2026 não significou a desativação imediata
de toda a estrutura industrial.

A antiga fábrica ainda precisará passar por etapas de desmontagem, retirada de máquinas,
destinação de resíduos e avaliações ambientais.

Esses procedimentos fazem parte do processo de desmobilização das instalações e 
poderão continuar até 2028.

Ao mesmo tempo, a multinacional pretende adaptar parte do espaço para receber e 
distribuir produtos fabricados em outros países.

Assim, o imóvel continuará vinculado à atuação da Isover no Brasil, embora sua função
industrial tenha chegado ao fim.

## **Grupo francês continuará com outras fábricas no Brasil**

Embora a Isover tenha encerrado sua produção nacional, a decisão não significa que
o grupo francês Saint-Gobain esteja deixando de fabricar produtos no país.

A controladora possui outras operações industriais brasileiras, com atividades em
diferentes segmentos ligados à construção civil e à indústria.

Em âmbito mundial, a Saint-Gobain reúne aproximadamente 160 mil funcionários, enquanto
a Isover mantém presença em dezenas de mercados internacionais.

Portanto, a mudança atinge especificamente a fabricação brasileira da Isover, e 
não todas as operações do conglomerado francês.

Com o fechamento da fábrica de Santo Amaro, a multinacional encerra uma história
industrial iniciada em 1951 e passa a depender de unidades estrangeiras para fornecer
seus materiais ao Brasil.

A empresa continuará vendendo seus produtos aos consumidores brasileiros, mas, após
75 anos, não contará mais com fabricação própria no país.
