# Mulheres trabalham 7,5 horas a mais que homens devido à dupla jornada

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- Published: 2017-03-06T16:18:17-03:00
- Author: Ana Paula Bonelli

Os dados estão destacados no estudo Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça,
divulgado hoje (6) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Foto: Agência
Brasil

As mulheres trabalham, em média, 7,5 horas a mais que os homens por semana devido
à dupla jornada, que inclui tarefas domésticas e trabalho remunerado. Apesar da 
taxa de escolaridade das mulheres ser mais alta, a jornada também é.

Os dados estão destacados no estudo _Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça_,
divulgado hoje (6) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O estudo
é feito com base em séries históricas de 1995 a 2015 da Pesquisa Nacional por Amostra
de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Em 2015, a jornada total média das mulheres era de 53,6 horas e a dos homens, de
46,1 horas. Em relação às atividades não remuneradas, a proporção se manteve quase
inalterada ao longo de 20 anos: mais de 90% das mulheres declararam realizar atividades
domésticas; os homens, em torno de 50%.

“A responsabilidade feminina pelo trabalho de cuidado ainda continua impedindo que
muitas mulheres entrem no mercado de trabalho e, ao mesmo tempo, aquelas que entram
no mercado continuam respondendo pela tarefas de cuidado, tarefas domésticas. Isso
faz com que tenhamos dupla jornada e sobrecarga de trabalho”, afirmou a especialista
em políticas públicas e gestão governamental e uma das autoras do trabalho, Natália
Fontoura.

Segundo Natália, a taxa de participação das mulheres no mercado de trabalho aumentou
muito entre as décadas de 1960 e 1980, mas, nos últimos 20 anos, houve uma estabilização.“
Parece que as mulheres alcançaram o teto de entrada no mercado de trabalho. Elas
não conseguiram superar os 60%, que consideramos um patamar baixo em comparação 
a muitos países.”

**Chefes de família e mulheres negras**

O estudo observou ainda que aumentou o número de mulheres chefiando famílias. Em
1995, 23% dos domicílios tinham mulheres como pessoas de referência. Vinte anos 
depois, esse número chegou a 40%.

As famílias chefiadas por mulheres não são exclusivamente aquelas nas quais não 
há a presença masculina: em 34% delas havia a presença de um cônjuge. “Muitas vezes,
tais famílias se encontram em maior risco de vulnerabilidade social, já que a renda
média das mulheres, especialmente a das mulheres negras, continua bastante inferior
não só à dos homens, comotambém à das mulheres brancas”, diz o estudo.

O Ipea verificou a sobreposição de desigualdades com a desvantagem das mulheres 
negras no mercado de trabalho. Segundo Natália, apesar de mudanças importantes, 
como o aumento geral da renda da população ocupada, a hierarquia salarial – homens
brancos, mulheres brancas, homens negros, mulheres negras – se mantém.

“A desvantagem das mulheres negras é muito pior em muitos indicadores, no mercado
de trabalho em especial, mas também na chefia de família e na pobreza. Então, é 
quando as desigualdades de gênero e raciais se sobrepõem no nosso país”, disse a
especialista, destacando que a taxa de analfabetismo das mulheres negras é mais 
que o dobro das mulheres brancas. Entre os homens, a distância é semelhante.

**Menos jovens domésticas**

O Ipea destacou também a redução de jovens entre as empregadas domésticas. Em 1995,
mais de 50% das trabalhadoras domésticas tinham até 29 anos de idade (51,5%); em
2015, somente 16% estavam nesta faixa de idade. Eram domésticas 18% das mulheres
negras e 10% das mulheres brancas no Brasil em 2015.

“Nesse últimos 20 anos, podemos ver algumas tendências interessantes, como o aumento
da renda das trabalhadoras domésticas. Só que, ainda assim, em 2015, a média do 
Brasil não alcançou nem o salário mínimo”, afirmou Natália. Em 2015, a renda das
domésticas atingiu o valor médio de R$ 739,00 em 2015, enquanto o salário mínimo,
à época, era de R$ 788.

O número de trabalhadoras formalizadas também aumentou, segundo o Ipea. Em 1995,
17,8% tinham carteira e em 2015, a proporção chegou a 30,4%. Mas a análise dos dados
da Pnad mostrou uma tendência de aumento na quantidade de diaristas no país. Elas
eram 18,3% da categoria em 1995 e chegaram a 31,7% em 2015.

**Escolaridade entre raças**

Segundo o Ipea, nos últimos anos, mais brasileiros e brasileiras chegaram ao nível
superior. Entre 1995 e 2015, a população adulta negra com 12 anos ou mais de estudo
passou de 3,3% para 12%. Entretanto, o patamar alcançado em 2015 pelos negros era
o mesmo que os brancos tinham já em 1995. A população branca com tempo de estudo
igual ao da negra praticamente dobrou nesses 20 anos, variando de 12,5% para 25,9%.

_Fonte: Agência Brasil_
